Pensando sobre Web 2.0

Afinal, que negócio é esse de Web 2.0 que falam tanto por aí? Será de fato a revolução da internet? Será a evolução da maneira como usamos o computado? Vale a pena apostar nesta idéia? Este artigo pretende abordar essas questões criticamente, apresentando seus prós e contras. A Web 2.0 está aí. E agora?

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Por: Fernando de Sá Moreira em 05/03/2007 | Blog: http://lattes.cnpq.br/2269235326367932


O que é WEB 2.0



Advertência: É importante salientar aqui que eu não sou um programador Web, meu conhecimento sobre essa área é bastante abstrato e minha experiência como desenvolvedor Web é muito rala. Por isso não vou abordar neste artigo nenhum aspecto específico de nenhuma linguagem para Web (ou mesmo da própria programação ou design Web), qualquer afirmação sobre esse aspecto será o mais geral possível. Ao contrário, minha abordagem aqui é mais aberta e foca as vantagens e desvantagens para o usuário final dessa nova forma de utilização do computador.

O termo Web 2.0 foi cunhado em 2004 para dar nome a várias alterações significativas que a internet estava sofrendo e a uma conferência que pretendia avaliar essas mudanças. O criador do termo foi Dale Dougherty. Em verdade, por não se tratar de um termo técnico e por ter sido criado para congregar uma série de mudanças significativas e distintas na Web, fica difícil determinar exatamente o que é ou não é Web 2.0. Esse termo simboliza as mudanças que vêm, já há algum tempo, ocorrendo na Web, às novas tendências. Para ficar mais claro, observe as diferenças no objetivo da Web no seu princípio, contraposto a nova forma de interação com a Web:

No início da internet o paradigma era exibição de conteúdo. A perspectiva de quem acessava a internet era pesquisar e encontrar informação. O browser funcionava mais ou menos apenas como um visualizador de arquivos html. As transferências de arquivos e leitura de e-mails, e as outras atividades ligadas à internet, eram feitas através de softwares específicos (como clientes de ftp e clientes de e-mail). Claro, é uma imagem quase caricatural; a Web não era, em absoluto, unilateral (onde não há interação do usuário com o conteúdo), mas era isso que se esperava da Web; mesmo as interações do usuário com o conteúdo era feito com mediação de um técnico responsável pela manutenção das páginas.

Há alguns anos esse paradigma foi sendo superado. À Web foram sendo incrementadas novas funcionalidades. A leitura de e-mails, por exemplo. Hoje boa parte dos usuários usam apenas serviços de e-mail on-line. Cada vez mais, o browser perde espaço como um "visualizador" e ganha papel de "ferramenta de interação". Hoje é difícil definir o exato papel do browser.

São algumas palavras-chave na Web 2.0:

Conteúdo

De meados dos anos 90 até alguns poucos anos atrás, o foco primário no conteúdo das páginas foi substituído pela estética. Com o surgimento de novas tecnologias gráficas (como o flash), muitas empresas [e pessoas] buscaram impressionar, enchendo seus sites de animações, música, etc. Esse movimento chegou a tal ponto que mesmo empresas de fabricação e venda de empilhadeiras e rolamentos apostavam em grandes efeitos áudio-visuais, entulhando mais e mais sons e animações, mesmo para as coisas mais simples tinha um efeito visual qualquer. Cada site parecia uma propaganda de cerveja (mulheres, sons, giros, rodopios, etc).

Talvez contrapondo esse modelo, os grandes sites hoje apostam em visuais mais leves e diretos. A grande sacada, é novamente o conteúdo. A interface do Google por exemplo: simples e direta. Não que não haja nenhuma preocupação estética, ou contrário, ela ainda existe e é muito importante. mas a maneira como as coisas são apresentadas hoje é baseada na leveza e simplicidade. Esqueçam as gigantescas introduções, cheias de ação. É o conteúdo chegando de forma mais rápida e direta.

Interatividade

Essa é talvez a grande diferença entre a velha e a nova Web. Se em ambas o "conteúdo é o rei", na Web 2.0 a interatividade aparece como rainha. Se antes o usuário apenas visualizava o conteúdo produzido, editado e escolhido por alguns poucos, agora é ele, o próprio usuário, que produz, publica, edita e/ou, principalmente, julga o conteúdo da Web. Como exemplo disso existem sites como a Wikipedia, Orkut, Eu curti, Blogs e Flogs: não passam de formas vazias [e sem conteúdo] sem os usuários. A possibilidade de intervir e alterar o conteúdo é a grande sensação.

Houve a substituição [em parte] dos ídolos e grandes nomes, pela noção de grupo (comunidade) e cooperatividade. Até tempos atrás para corroborar dada opinião ou verdade proferida em função de uma questão qualquer responderíamos: "li na enciclopédia britânica" (que supostamente foi escrita por notórios conhecedores de cada assunto), ou então "foi fulano que disse" (que supostamente é um notório conhecedor do assunto); hoje respondemos "li na Wikipedia" (que foi escrita por notórios desconhecidos). Postamos uma pergunta num fórum qualquer da internet e somos respondidos por um ciclano qualquer; mas a essas pessoas eu deposito confiança (as vezes mais do que nos velhos ídolos), pois elas estão mais próximas daquilo que nós somos (outros ciclanos) e compartilha dos mesmos interesses que nós (noção de comunidade).

Disponibilidade e Portabilidade

Essa é também uma grande aposta das empresas para implantação de sistemas desenvolvidos para Web em suas redes locais. Para acessar aplicações não é preciso instalar essas aplicações nas estações de trabalho, basta que haja um browser com um ou dois plugins genéricos (como java e flash) e pronto, o host já está capacitado para realizar operações no sistema, independente do sistema operacional, ou mesmo, até certo ponto, do browser que estiver sendo utilizado. Mesmo que sejam feitas grandes alterações na aplicação, ou mesmo que ela seja substituída por outra aplicação, nas estações de trabalho nada precisará ser mudado.

A grande preocupação se concentra no servidor, onde o programa está realmente instalado. Com a centralização do sistema aspectos de segurança e manutenção são mais facilmente implantados, garantindo que o sistema esteja sempre disponível e que funcione em qualquer lugar.

Gratuicidade e Experimentalismo

Normalmente a Web 2.0 é disponibilizada gratuitamente para o usuário final, em parte porque em muitas vezes são os usuários que estão disponibilizando o conteúdo (como na Wikipedia e no Eu curti), em outras parte porque as empresas estão expandindo a possibilidade de gerar lucro indiretamente, através, principalmente, de anúncios patrocinados, disponibilização de recursos extras e outras vantagem para usuários "pagantes". Assim, a gratuicidade faz parte das novas tendências da Web.

As novas tendências e estrutura da internet, principalmente com a implantação de novas tecnologias voltadas à web e a popularização da banda larga, permitem uma nova forma de distribuição e implantação de softwares: antes da popularização da internet os softwares tinham que ser distribuídos por meios físicos, principalmente através de disquetes e CDs, que tinham que ser adquiridos em lojas, através do comércio convencional.

Em consequência dessas limitações, os custos para o lançamento de um software subiam assustadoramente, tinham que ser incluídos no projeto os custos de transporte, fora todo o trabalho logístico para a melhor distribuição desse software. Caso o software possuísse algum defeito grave, eram necessários mais desembolsos para cobrir despesas com um eventual recall.

A própria possibilidade de expansibilidade de um software era comprometida, pois os custos para distribuição e venda de um novo plugin ou pacote de expansão podiam ser demasiadamente onerosos. Com esse novo paradigma - a internet -, é possível fazer a distribuição do software somente, ou complementar à venda convencional, através da internet; as atualizações e expansões podem ser feitas através dela também.

O uso da Web como disponibilizadora de aplicações (e não mais apenas conteúdo) agrega também a facilidade de experimentar novas implementações nessas aplicações. As aplicações que rodam através da Web estão concentradas nos servidores, qualquer alteração nesse software precisa ser feito apenas no servidor, ou seja, mesmo as atualizações e qualquer mudança na aplicação, feita em apenas um computador (o servidor) está instantaneamente disponível para todos os clientes.

Os custos reduzidos para a implantação e distribuição de um novo software aliados aos softwares rodando direto do browser (cliente/servidor), possibilitaram a nova interface do Yahoo Mail e o Searchmash (projeto de teste de uma nova tecnologia de busca desenvolvida pelo Google) por exemplo. Não raro é encontraste a palavra "Beta" nos sites modernos.

Lembrando que a Web 2.0 não é um conceito fechado, um site pode ser Web2.0 sem que seja gratuito, ou não possuir algumas das características enunciadas anteriormente.

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Comentários
[1] Comentário enviado por removido em 05/03/2007 - 10:05h

legal!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

[2] Comentário enviado por removido em 05/03/2007 - 14:15h

Legal. Eu já sou um convertido ao 2.0. Veja só
http://tzbishop.wordpress.com/
del.icio.us, flickr, wordpress, orkut, youtube e por aí vai...

[3] Comentário enviado por vhsilva em 05/03/2007 - 21:53h

Quem passou pela transição da informática desde o início da "Internet" propriamente dita, iniciou com programas fechados com fins específicos, tipo o "Carbon Copy" e mais alguns outros aplicativos "front end" que gerenciavam remotamente outros computadores, assumindo um segundo computador para rodar aplicativos ou fazer manutenção logando-se à distância, de forma similar. Mas só quem trabalhou com isso sabe as dificuldades, linhas congestionadas, discada. Melhorava um pouco quando se tinha uma LP (linha privada). A taxa de transferência era baixissima, isso quando não retornava muitos erros diminuindo mais ainda a taxa de transmissão. Nesse mesmo tempo tinha-se uma forma de comunicação entre os computadores conectados entre si, numa forma de intranet, e podia-se mandar mensagens, comunicar, e agilizava muito a distribuição de rotinas de trabalho, ordens de serviço, etc.
O início da internet nada mais foi que a globalização disso tudo, mas de forma um pouco mais aberta, de modo que tivesse um alcance maior.
Como foi dito pelo Fernando de Sá Moreira, o início foi uma continuidade disso tudo, onde não se tinha acesso a nada sem a interferência do autor dos conteúdos e não havia interação. Dai para a frente foi um salto. E tanto quanto mais aberta e livre mais perigosa ela se tornou. Devido ao seu alcance e a facilidade de entrar em milhões de computadores ao mesmo tempo, muitos usuários a estão usando para prejudicar, destruir, roubar senhas, desviar dinheiro, etc. É o preço da evolução, da modernidade. E quanto mais avançada a Web se tornar, mais cuidados deveremos ter... e todos sabemos o "por quê".


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