O que é o OpenDocument Format

Por que o OpenOffice 2.x agora salva nesses novos formatos? Pra que diabos inventar um novo formato? Já não me bastam os swx, doc, sdw, rtf, psw, xls, pps, etc? Por que razão inventam de me dar mais uma dor de cabeça?

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Por: Fernando de Sá Moreira em 22/08/2006 | Blog: http://lattes.cnpq.br/2269235326367932


E eu [e a Microsoft] com isso? Os formatos proprietários morreram!



Tudo bem, o tal do ODF parece uma alternativa legal, mas de qualquer forma, por que eu tenho que me preocupar em usá-lo? Todos os meus amigos usam o MS Office; todos passam e recebem arquivos do MS Office; quando mando arquivos para qualquer instituição, pública ou privada, aceitam apenas arquivos do MS Office; os cursos de informática ensinam a usar os formatos do MS Office; afinal de contas, por que devo me preocupar em usar o ODF? Se todos usam os formatos da MS, usar ODF não se torna uma dor de cabeça para mim (tendo que me preocupar em salvar no formato correto, problemas de conversão, etc)?

Para o usuário experiente ou estudantes os primeiros argumentos a favor do ODF são fortíssimos; entretanto, para o usuário comum, não. Para o usuário comum, o segundo argumento é mais importante, pois a esse usuário, a importância reside na facilidade de uso imediato. Ou seja, para o usuário comum, quanto mais fácil melhor; e o mais fácil no momento é manter o uso dos formatos fechados. E temos que lembrar, os usuários comuns são a imensa maioria dos usuários. Devemos lembrar também, que em geral, a imensa maioria define os rumos do mercado e por conseqüência também da informática.

A acomodação dos usuários, que aceitam usar um produto de menor qualidade por conta da preguiça, cria um ambiente favorável a MS, que mantêm a hegemonia no mercado das suítes Office por ter a hegemonia do mercado (associado aos formatos fechados). Essa é uma estratégia antiga da Microsoft: atrasar o quanto pode as tecnologias adversárias e alternativas, aproveitando-se de sua fatia no mercado; depois adota a nova tecnologia, fazendo propaganda como se fosse a única que tivesse suporte àquela tecnologia (mesmo tendo àquela tendo sido adotada por todos os concorrentes anos antes). Radicalismo a parte, é uma estratégia inteligente, mas creio que um pouco suja.

Retomemos a situação: A hegemonia do mercado é do formato próprio da MS; as pessoas tendem a manter a hegemonia, mesmo frente a uma alternativa viável e melhor; o ODF é uma alternativa viável e melhor; O mercado tende às opções da maioria. Estaremos eternamente presos as decisões da MS?

Não. Apesar de boa parte dos usuários não entender a diferença entre o ODF e os formatos da MS, há pessoas, como eu, que não esquecem alguns episódios protagonizados pela MS e seus formatos fechados. Como exemplo cito um acontecimento que me deixou muito chateado: Meados de 1995, minha mãe troca o quase ultrapassado 486, por um novíssimo e extremamente potente Pentium 100 Mhz, com 8 MB de RAM (uau!); hoje não parece grande coisa, mas na época significava muito. Pois bem, com o tal Pentium 100 ("cenzinho" para os íntimos), minha mãe comprou (isso mesmo, original mesmo) o Windows 95 (uns R$ 600,00) e o MS Office 95 (uns R$ 1.000,00). Tudo muito bonito, tudo muito certo, todavia não tardou para a MS lançar o MS Office 97 (que aconteceu aproximadamente no final de 96 - corrijam-me se me engano). E o que isso tem de mal? Certamente o problema não era eu usar uma versão mais antiga do produto, mas dois outros fatores:
  1. A rápida assimilação do MS Office 97 entre os usuários e governo. Foi quando eu descobri a força da pirataria (mesmo em tempos de gravadores escassos e internet de 28.8 Kb/s, quando tinha);
  2. A incompatibilidade entre o MS Office 97 e MS Office 95.

A MS mudou os padrões de seus próprios formatos, assim um documento criado no MS Office 97 não poderia ser aberto no MS Office 95. Embora a recíproca não seja verdadeira (os documentos do MS Office 95 abriam sem problemas no MS Office 97), em tempos de conhecimento escasso, quando não haviam "sobrinhos que sabem mexer nessas coisa", o problema gerado era enorme. Sim, havia como salvar no formato do MS Office 95 no MS Office 97, mas poucos detinham esse valioso conhecimento.

Em verdade, o grande problema não é a mudança de padrões propriamente dita, ela pode, talvez, ter gerado vantagens aos usuários, ou evitado problemas graves (mesmo que não conheça nenhum), mas o rompo financeiro que os dois fatores citados juntos ocasionaram. Os R$ 1.000,00 foram praticamente cremados em pouco mais de um ano, pois com a rápida assimilação do novo software fui obrigado a adquirir o MS Office 97. Dessa vez foi pirata. Imagine agora a cena no governo federal: quantos milhões não foram desembolsados.

Mesmo que esse tenha sido um caso superado, pois em versões posteriores do MS Office as mudanças nos formatos não foi tão radical, nada, ou muito pouco, garante novos acontecimentos como esse, ou piores. Com vista nesse problema, entre outros tantos, usuários e governos têm optado pelo ODF, que não os prende à nenhum software específico ou corporação qualquer. O quê forçou a MS ceder as pressões do software livre e adotar compatibilidade com o ODF para as próximas versões do MS Office, no caso o 2007.

Talvez seja exagero dizer que os formatos proprietários morreram, me parece que sempre terão seu espaço, mas em outras funções, de áreas mais específicas. Do mesmo modo é besteira dizer que o MS Office morreu, me parece que se a MS fizer tudo certo ele ainda tem fôlego para muitos anos; mas, com o advento do ODF o MS Office dificilmente manterá-se hegemônico por conta de sua já corrente hegemonia - a concorrência seja em níveis superiores, onde a qualidade terá primazia sobre a preguiça. Ao meu ver, tanto a MS, quanto outras empresas e organizações, terão que suar para conseguir seu público, aumentando a qualidade dos produtos. Quem tem a ganhar com isso somos nós, usuários.

Viva o ODF.

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   1. O que é o OpenDocument Format?
   2. Qual a importância do OpenDocument Format?
   3. E eu [e a Microsoft] com isso? Os formatos proprietários morreram!
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Comentários
[1] Comentário enviado por claudiopapada em 22/08/2006 - 18:35h

Apesar de as informações de extenções existirem na exibitação na hora de salvar ou abrir documentos, muitas vezes não nos perguntamos o pq de openoffice, o porque de suas siglas e etc...


Gostei do artigozinho... São informações interessantes que acho que todos deveriam saber =)
Eu agora sei ;)

Parabens!
[]z

[2] Comentário enviado por porongo51 em 22/08/2006 - 20:20h

Bom artigo!
faz um tempo q jah estou usando
o odf...
convertendo meus documentos do
"micosoft" office pra odf...
foi umas das maneiras q encontrei pra
migrar aos poucos pro linux!!
e consegui! hj uso soh linux em meu pc
viva o linux!!!
hehe me empolguei

[3] Comentário enviado por rgmmelo em 22/08/2006 - 21:09h

cara,perfeito seu artigo!!! a minutos atras eu tava falando a um colega meu, usuario de windows, que eu era obrigado a salvar as coisas no formato da MS, senão iriam dizer que o meu linux era uma porcaria pois o word não abria o meu formato.MAS É O WORD QUE NÃO ABRE O MEU FORMATO!foi minha maior alegação. e quando ele foi embora, que fui abrir o vol, estava aqui o seu artigo, que era tudo que ele precisava ler....

muito bom mesmo!!! este tipo de informação é sempre bem vinda e deve ser divulgada não so entre nós usuarios do linux e sim principalmente aos usuarios do windows, pois o mundo não gira em torno do sistema deles!!!!!

[4] Comentário enviado por brevleq em 22/08/2006 - 22:23h

Excelente artigo!!! São iniciativas como essa de criar padrões livres que fazem a informatica avançar de maneira tão fenomenal!!

Parabéns

[5] Comentário enviado por bicalho em 23/08/2006 - 04:54h

Ótimo artigo,
Gostaria de lembrar que no novo Office 2007, já tem novos padrões(.DOCX para textos, por exemplo), o que lembra o truque da Micro$oft para manter somente seus produtos. Fiquem espertos, adotem e divulguem o ODF...

[6] Comentário enviado por PCMasterPB em 23/08/2006 - 08:46h

Muito bom o artigo, escrito de forma dinâmica e bem sugestiva, gostei. Vale lembrar que agora vc pode usar o OpenDocument à vontade, quem usa windows pode instalar o OpenOffice ou o BROffice mais atual e se quiser converter para .doc, ou seja, ele que se vire lá com o MS Office dele se ele gostar, mas eu sou mais a filosofia do OpenDocument, onde qualquer um com um editor que adote seu padrão possa criar e modificar à vontade o arquivo, e não como o padrão tosco do Office em que depois de abrir o arquivo vc perde minutos ou horas ajustando o documento, ninguém merece. E viva o ODF! ;D

[7] Comentário enviado por agk em 23/08/2006 - 09:06h

Muito bom o artigo, pena que a versão do OpenOffice.org que tem no Debian Sarge não suporte ODF ainda.

[8] Comentário enviado por gsi.vinicius em 23/08/2006 - 09:25h

Cara, muito bom o seu artigo sobre o ODF. Aqui na empresa, mesmo sendo obrigado a programar em Windows, sempre q posso, utilizo software livre. E isso inclui o OpenOffice, GAIM, FOXit Reader, Xplorer2 e por aí vai.

Bacana a informação da origem do ODF.

Abraços

Vinícius Evandro Gregório

[9] Comentário enviado por fdettoni em 23/08/2006 - 10:09h

Realmente muito bom, ai aumentar muito o uso de softwares livres com isso. Já vi muita gente não usando o OpenOffice pois ao gravar no formato MS, tem aquelas diferenças. Pena que ainda vai demorar muito pra ser adotado isso. Ainda hoje, o MS Office predominante não é nem o 2003. 2007 só vai ser uma realidade lá por 2010.

agk, isso é só na versão stable que é usada apenas em servidores então não precisa de OpenOffice mesmo. Desktops usam versões mais atualizadas.


[]'s

[10] Comentário enviado por fsamoreira em 23/08/2006 - 13:32h

agk, se você quiser ter uma versão mais atual do openoffice/broffice sem tem quer sair dos repositorios stable do debian, não tem problema. instale os pacotes para o debian no site do projeto www.broffice.org.br e instale. não precisa de preocupar que nenhum outro pacote será mechido. antes de mudar para o slack eu usava o debian, e usava o broffice2* assim, sem ter que sair dos repositorios stable.

[11] Comentário enviado por agk em 23/08/2006 - 15:33h

Tenho que remover a instalação do OO 1.3 para instalar o BROffice2.03?

[12] Comentário enviado por fsamoreira em 23/08/2006 - 17:53h

terá, eles irão conflitar com certeza

[13] Comentário enviado por fernoliv em 24/08/2006 - 10:58h

Xará, parabéns pelo ótimo artigo! Muito bem escrito e esclarecedor.

Abraço,

Fernando.

[14] Comentário enviado por buscator em 24/08/2006 - 14:46h

Parabéns pelo artigo esclarecedor!! Sou um defensor incansável dos formatos livres, e torço pra que o Estado brasileiro acorde para essa realidade assim como muitos países, sobretudo na Europa, estão acordando. Cabe lembrar que a questão dos formatos livres tb é válida na música, onde o mp3 prepondera mas temos a alternativa do ogg, um formato que comprime mais e com melhor qualidade. Mas como os entusiastas de tecnologia alienados já chamam até miniplayer de mp3 ...fazer o quê?
[ ]s
Buscator

[15] Comentário enviado por ario em 15/04/2008 - 17:02h

Acho que usuários comuns (ou a maioria) optam não pela facilidade de usar formatos do MS Office por que todos os amigos usam, mas pelo fato de usar de forma pirata. Se algum dia não tiver mais jeito de usar softwares piratas, eles mudarão de opiniam imediatamente. E serão mais incansáveis do que nós, exigindo formatos que todos softwares conseguem entender. Portanto tudo fica mais simples não focando nos aplicativos mais usados e nos usuários "come quieto" que só querem saber de aproveitar pirataria e tudo bem "mastigadinho", mas priorizar os formatos. O software passa a ser subjetivo, quando perguntamaos: Seu office não suporta este formato????? que ruim, né - o meu suporta!


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