Linux, a pirataria de software e a desvalorização do desenvolvedor (parte 2)

Neste artigo procuro demonstrar como a pirataria produz uma desvalorização gradativa do trabalho na área de informática, mais especificamente na área de desenvolvimento de software. Apresento também o Linux e os programas desenvolvidos sob o paradigma do software livre como alternativas para a revalorização do desenvolvedor e de seu trabalho.

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Por: Isaque Vieira de Sousa Alves em 16/01/2008


Preparando a lista de argumentos



Na parte anterior, tratamos de maneira rápida alguns conceitos basilares sobre a pirataria. Nesta, trataremos sobre os elementos envolvidos na relação, e sobre os resultados práticos, tanto em relação ao autor do software, como em relação aos consumidores, quer sejam eles desenvolvedores, quer sejam simples usuários finais de um programa de edição de imagens.

Em ordem falaremos sobre os temas listados abaixo:
  • O Autor e seus direitos.
  • O Desenvolvedor como consumidor.
  • A Desvalorização: uma consequência natural.

O Autor e seus direitos

Antes de iniciarmos a abordagem a esse assunto, precisamos entender uma premissa básica: Qualquer obra humana, artística, científica ou industrial pode e deve ser protegida por normas socialmente definidas. O que está em jogo é o valor do trabalho, da atividade criadora humana. O valor, entenda-se, não é o 'preço', mas sim uma propriedade constante do objeto que representa a ligação psicológica entre o criador e a coisa criada.

Tomemos como exemplo hipotético a história clássica (historinha de criança, mas cheia de valores morais) do velhinho Gepeto e do boneco de madeira (qual era mesmo o nome dele?). Ele criou um simples boneco de madeira manifestando sua vontade de ter um filho, e por isso, para ele pinóquio era bem mais que um boneco de madeira, tanto que deu um nome a ele.

Isto é um exemplo hipotético porque queremos apenas demonstrar a relação entre o criador e a coisa criada (se bem que no mundo em que vivemos...). Ninguém cria algo por criar. Subentende-se que há anseios, desejos, planos envolvendo o resultado final.

Uma empresa de desenvolvimento de software ou um desenvolvedor, quando cria um programa, o faz no anseio de que sua aplicação seja útil e utilizada por outras pessoas.

No ato de publicar, porém, ele é socialmente advertido quanto a distribuição de sua criação. Ele deverá escolher uma forma de licenciamento sob a qual seu programa pode ser distribuído, vendido (ou não) e utilizado.

Assim, tanto grandes empresas como a Borland, a Adobe, a Microsoft e a Apple, como empresas de menor porte, ou mesmo desenvolvedores singulares, têm direito de escolher como a sua criação deverá ser apreciada pelo resto do mundo. Geralmente, empresas escolhem uma licença comercial, que impõe severas condições de uso e restrições diversas quando à redistribuição. Algumas porém, publicam sob licença GPL, como é o caso do software de SGBD MySQL. Essa é uma liberdade que cabe ao desenvolvedor: Escolher a licença sob a qual seu programa poderá ser adquirido e utilizado. E essas licenças também protegem seus direitos. Mesmo a GPL tem restrições quanto à modificação do Software de código fonte aberto, nem sempre gratuito (um exemplo disso é o Cedega).

Há desenvolvedores filantropos que distribuem suas criações completamente de graça. Mas esses são direitos que lhes assistem. A função das licenças é notificar às pessoas que fazem uso dos programas, da existência e validade de direitos de outrem sobre a aplicação. Ela funciona como um contrato. O software é distribuído, comercial ou gratuitamente, a licença, é apresentada ao usuário, e a este cabe aceitá-la ou rejeitá-la.

O problema é que nem sempre as pessoas "lêem" as licenças. Muitas pessoas apenas assinalam o "I agree to the Terms..." dos instaladores dos programas e acham que basta.

As licenças prevêem, tanto os direitos do autor/desenvolvedor, quanto as obrigações da contraparte.

O grande e talvez o maior problema, é que mesmo pessoas com conhecimento jurídico, formados em Universidades, técnicos em informática, e pessoas do ramo em geral parecem ignorar a existência das licenças.

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Páginas do artigo
   1. Preparando a lista de argumentos
   2. O desenvolvedor como consumidor
   3. A Desvalorização: uma consequência natural
   4. Software Livre: Libertar para valorizar
   5. Conclusão
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Comentários
[1] Comentário enviado por removido em 16/01/2008 - 10:03h

Falta de ética é cobrar 1000 reais em um software xinfrim e julgar ser o melhor do mundo.

[2] Comentário enviado por isaque_alves em 16/01/2008 - 11:53h

Só me parece que você continuam sem prestar atenção no ponto central da questão que observei... Estou observando que nós, desenvolvedores, muitas vezes, mesmo tendo em mãos as possibilidades mais que concretas de usarmos software livre, preferimos contraditoriamente utilizar um piratão... talvez por uma ilusão de produtividade, talvez por uma questão cultural... mas a observação não tem nada a ver com o valor ou com as empresas que vendem... tem a ver conosco...

[3] Comentário enviado por isaque_alves em 16/01/2008 - 12:03h

Exemplo: Lazarus x Borland Delphi

Quantas vezes ouvi até de professores a afirmação de que 'não existe software como os da Borland... têm tradição...'
Esse probleminha meu caro...
Não quero suscitar guerra de tomate podre... apenas quis apresentar a vocês a maior discrepância perceptível e que ocorre entre desenvolvedores...
Na verdade o Lazarus tem tudo para se tornar 'tão bom' quanto o Delphi.. .mas a evolução do programa depende da comunidade... quanto mais usuários e maior a sua participação, seja com sujestões, seja com a colaboração direta na criação de componentes, tanto maior o poder do software...
Eu usava, sim, software pirata, mas depois que observei tudo isso, tive que decidir... era aceitar a condição e continuar como desenvolvedor usando um software inadequado à minha própria condição (entenda consciência), ou mudar de vez de mente e passar a usar e defender o uso e o envolvimento de todos na comunidade... é um fato...
Pagar pra usar o delphi... jamais... primeiro porque o suporte dele no Linux é nulo.. .só com wine e até a versão 6... agora precisa até do .NET...
Segundo pq o Lazarus é uma alternativa muito boa... :D O quanta é muito bom também para desenvolvimento web... sem contar com o GIMP...
Ah... isso é questão de opinião.. .e consciência. Então moçada... sem problemas... querendo usar, é com vocês... hehe

[4] Comentário enviado por isaque_alves em 16/01/2008 - 12:17h

Ops só corrigindo.. .
'Se como se diz, de cada 10 usuários 7 usam Windows e desses oito, 6 são piratas, potencialmente são sete usuários prontos[...]'
deveria ser:
Se como se diz, de cada 10 usuários 7 usam Windows e desses *sete*, 6 são piratas, potencialmente são *seis* usuários prontos[...]'

[5] Comentário enviado por aullus em 16/01/2008 - 12:38h

Visão de um aprendiz

Estou iniciando no linux, mais o que eu vejo não é pouca informação pelo ao contrário é muita informação. O problema é que ela não é organizada de forma didatica.

Por exemplo eu estou a 2 semana pesquisando tutoriais sobre como colocar um S.O Linux no pendrive, achei uns 3 tutoriais que lendo não conseguir fazer tal feito.

A minha proposta é que se faça textos escritos em comunidade, um exemplo é o Wikipédia, e que se faças as devidas referencia a quem escreveu mais que isso não sirva como poluição vizual.

E no final uma interação leitor escritores dizendo se o texto serviu ou não, se solucionou o seu problema etc.

Nele poderia tambem se fazer uma contagem de quantas pessoas passaram, esquetes sobre o artigo etc.

O que acredito que aconteceria seria um texto de exelentícima qualidade, priorizando resolver os problemas de quem ta iniciando, um exelente suporte técnico.


PS: Não sei se está muito claro mas to com sono hehe depois eu edito pra melhorar.

[6] Comentário enviado por tenchi em 16/01/2008 - 21:05h

Gostei do artigo, e concordo com muito do q foi escrito. Mas há algumas coisas a considerar....
Primeiro em "Mesmo a GPL tem restrições quanto à modificação do Software de código fonte aberto, nem sempre gratuito (um exemplo disso é o Cedega)."

O Cedega é baseado no Wine. O Wine não é GPL, embora seja livre; o Wine utiliza uma licença semelhante à GPL, a LGPL - a mesma do OpenOffice, que faz com q o código possa ser utilizado em produtos comerciais, sem que as modificações destes últimos não necessite ter a mesma licença. tanto é que o boa parte do openoffice foi utilizada para que a IBM desenvolvesse o Symphony, que não é livre.

Segundo, onde você dia que as melhores ferramentas para desenvolvimento para web são livres. Deixe claro que esta é só sua opinião. Há muitos softwares bons, seja eles livres ou não.

O q eu não concordo é em acharem - não estou dizendo que é você - que um software livre é sempre melhor q um proprietário. Não é. Uma licença não define se um software é bom ou não. Como você mesmo disse, é o envolvimento em torno do desenvovimento de uma ferramenta q a faz boa.

Prova disso é: Todos sabemos q o Windows é ruim - hehe. Mas, se amanhã Bill Gates tenha um acesso de loucura e defina a licença do Windows como GPL e libere o código dele para a comunidade, instantâneamente o Windows passará a ser um excelente sistema?

O problema é quererem comparar o GIMP com o PhotoShop. Caramba, o PhotoShop existe há muito mais tempo q o GIMP! Não há como esperar q, de uma hora-para-outra, surja algo superior à algo q existe há décadas.

Outro exemplo disso é o AutoCAD. O software existe desde a década de 80, e querem q surja uma opção livre em poucos anos?

A qualidade que muitas ferramentas livres adquiriram eu seu pouco tempo de vida demonstram q no modelo de desenvolvimento aberto evoluções são tão - ou mais - possíveis quanto no modelo fechado.

O fato de o GIMP poder ser equiparado em muitos aspectos com o PS mostra q qualidade é o não falta nele.

Bom artigo. Apresentou o q um bom texto deve apresentar: conteúdo ;-)

[7] Comentário enviado por foguinho.peruca em 17/01/2008 - 00:14h

Excelente artigo parabéns!

Concordo com vc. Mas antes de tentar impor qqr alternativa (livre ou nao) devemos educar. Particularmente sou adepto do livre e, obviamente, prefiro ela. caso alguém me pergunte qual a melhor, porém, eu prefiro explicar os dois paradigmas (obviamente eu vou puxar sardinha para o livre) mas no final a decisão tem q ser da propria pessoa.

[8] Comentário enviado por isaque_alves em 17/01/2008 - 02:09h

Tenchi, valeu pela correção... foi oportuna.. .realmente lgpl é outra licença, quer dizer, uma modificação meio simplória da GPL...
Então... quanto à questão de eu dizer que as ferramentas livres para desev. web serem melhores, eu exagerei... um pouco... mas, vejamos, o quanta tem muita coisa que o DW nem sonha em ter em matéria de recursos... por exemplo, trabalho com svn...
Realmente, quanto à comparação de ferramentas, é óbvio que se trata de um embuste qualquer tentativa de dizer que algo que nasceu há cinco anos 'é melhor' q algo que está no mercado há pelo menos 15... mas a tendência de evolução é maior, como disse antes, no software livre, por causa da participatividade da comunidade...
Ferramentas de CAD livres, existem muitas... mas sem que se quiparem ao da autodesk...
Quanto ao GIMP, sou suspeito... eu prefiro o GIMP... por questões mais éticas mesmo... hehe

[9] Comentário enviado por the question em 21/01/2008 - 04:21h

"e usam cracks para usufruir indefinidamente os benefícios/funcionalidades do programa. Isso é além de ilegal, anti-ético."
Isso é ilegal e Amoral.

A Adobe não vai ir a falência se alguém usar um "crack" para usar o software 100%, muito menos se alguém comprar e emprestar o software a um amigo.

Software não é sapato. Assim como o software proprietário não é seu, você só tem o direito de usálo por algum tempo (diga isso a um leigo, ele só vai achar um pouco absurdo).
O "dono" do software em raríssimos casos sofre prejuízo quando o software é usado por outros meios que não seja a compra.

E acredite, não quer dizer que o usuário que usa uma versão não licenciada do produto, usaria se não tivesse acesso a versão não licenciada.

A dita "pirataria" não desvaloriza o desenvolvimento, só ajuda o compartilhamento da informação no seu estado mais pleno.

Sem mais.

[10] Comentário enviado por michelazzo em 21/01/2008 - 09:19h

Caro "Aluno"

Pacientemente esperei a segunda parte do artigo e somente agora pude lê-lo com calma (inclusive por estar viajando) e confesso que continuo sem entender a relação entre a pirataria X desenvolvimento de software. Não sei se estou ficando realmente velho para entender certos conceitos ou se ficou algo nebuloso mesmo. Mas enfim, deixe-me comentar algumas coisas sobre a "parte 2" do artigo:

Em dado momento você afirma que "No ato de publicar, porém, ele é socialmente advertido quanto a distribuição de sua criação." Penso existir um equívoco aqui de conceituação do que é realmente uma advertência. Um dos mais ilustres brasileiros da história colocou suas duas maiores invenções, o avião e o relógio de pulso disponíveis para toda a humanidade. Não me recordo ter lido em nenhuma enciclopédia ou texto que o mesmo foi "convidado" a colocar sua criação sobre uma determinada distribuição, mesmo existindo então as patentes que teoricamente dão resguardo aos criadores. Se andarmos um pouco mais atrás no período renascentista, poderemos ver dezenas de criadores que não colocaram seus conhecimentos ou descobertas sobre qualquer pseudo licença que pudesse existir. Em outras áreas, a mesma coisa. Newton, Torricelli, Galileu e tantos outros não usaram deste artifício para terem a si o reconhecimento de suas criações/invenções.

Como já foi falado, o licenciamento fechado não é nada mais que um artifício para prover àquele que possui direito sobre determinado software ou criação, um mecanismo de obtenção de riqueza. Errado? Não, não penso ser errado pois desconheço o que seja errado neste planeta. Isso depende somente do ponto de vista do assunto em questão. Entretanto quando vemos o conhecimento sendo cerceado sob a bandeira suja do dinheiro, a visão se torna um pouco diferente levando a crer que a pirataria é somente uma forma de liberar algo que deveria ser livre por padrão, e não o inverso.

Um pouco adiante você se equivoca quando existem restrições a modificação de um software sob licenciamento GPL. Não existe tal restrição (http://www.gnu.org/licenses/old-licenses/gpl-2.0.html) a qual inclusive seria absurda pois a idéia da GPL é esta mesma; propiciar aos usuários do software livre condições de modificar o software para qualquer fim e de qualquer forma que desejar (por isso é "livre).

Quanto a ser gratuito ou não, mais uma vez aparece o equívoco do adjetivo "free". Free não é grátis, free é livre. Um software livre pode (e DEVE) ter preço pois assim toda uma cadeia sustentável se cria em torno do mesmo. Negar o preço é como negar a própria existência.

Finalmente, fiquei com medo quando li a frase "Essa desvalorização, de fato, somente alcançará àqueles que trabalham de forma descompromisada, tanto consigo mesmo e com sua empresa quanto com seu cliente." Será que empresas como MySQL, Red Hat, H&P, IBM e tantas outras que trabalham com software livre de uma forma ou de outra são descompromissadas? Será que os desenvolvedores do Gnome, X11, Firefox, OpenOffice e tantos outros softwares são descompromissados? Creio que não.

No mais, ainda ficou a dúvida: onde a pirataria desvaloriza o desenvolvedor? Ainda não sei.

Saudações

[11] Comentário enviado por tenchi em 21/01/2008 - 10:26h

Caro Darkmagus, concordo quando diz que esta "pirataria" auxilia no "compartilhamento da informação em sua forma plena". A informação só existe se for compartilhada - senão vira somente uma idéia na cabeça de um louco ;-) -, mas quando estamos falando em software, temos que levar em conta que, quando o adquirimos, lemos e concordamos com sua licença.

Como dito no artigo - ou foi no anterior? -, uma licença é nada mais que um contrato entre o usuário e o desenvolvedor. Para que o usuário possa utilizar, ambos devem concordar com cada termo ali definido.

A dita "pirataria" é nada mais, nada menos, que o desrespeito à algum dos - ou mais de um - termos do contrato. Só isso. Ou seja: se você está utilizando o software, certamente concordou com cada termo da licença - mas, como bons brasileiros que somos, não gostamos das letras miúdas... haua.
Se a desrespeitarmos, estamos tendo uma atitude anti-ética.

Como podemos esperar, por exemplo, que nossos políticos - mas já colocando política no meio? - cumpram o que prometeram em época de campanha, se nós não somos capazes de cumprir o que prometemos ao aceitar a licença de um mero programa de computador?

Outra coisa: tendo em mente que a pirataria é a violação da licença, um acordo - isto se aplica não somente ao software, mas à tudo -, é totalmente possível realizar pirataria utilizando software livre. Basta desrespeitar um dos termos de sua licença! Pegue a GPL (ou a MPL, licença Apache, BSD, etc) e descumpra um dos seus termos.

Pronto! Você será um pirata do software livre! Até Stallman vai querer te matar!

Na verdade este era o tema de um artigo que comecei a escrever para o VOL, há cerca de um ano, mas percebi que foram aparecendo idéias semelhantes - como este -, e decidi não escrever, pois ficaria demasiado maçante.

Mas é isto aí.

Michelazzo , acredito que posso tentar resumir a relação que o autor quis descrever entre a pirataria e a desvalorização do desenvolvedor da seguinte forma: Se eu, desenvolvedor de software, usuário de uma ferramenta criada por outro desenvolvedor, não respeito o acordo (termos da licença) feito com este, através do acordo que aceitei ao adquirir o software, como posso esperar que uma pessoa que utilizar meu software tenha o comportamento ético que eu não tive?

É uma reação em cadeia, seja o que for que isto signifique.. hauahauah

[12] Comentário enviado por michelazzo em 21/01/2008 - 14:32h

Caro Tenchi,

Se pensarmos pelo ângulo comentado, não teríamos nada hoje em dia. Trazendo mais uma vez a luz da história para os comentários, cito o exemplo das interfaces gráficas tanto do Mac quanto do Windows foram simplesmente "surrupiadas" da Xerox. Se a Xerox pensasse desta forma, não teria desenvolvido. Da mesma forma, porquê a Embraer iria criar um novo sistema de navegabilidade para aviões de pequeno porte se a Bombardier surrupiou dela?

Acredito que o único ponto onde o desenvolvedor perde com a pirataria é se seu software for um lixo pois assim irão piratear o concorrente e o seu morre no limbo. Do contrário, a mesma história mostra que a pirataria é muito boa para o desenvolvedor, vide a Microsoft com seus 89% de mercado mundial.

Saudações

[13] Comentário enviado por tenchi em 21/01/2008 - 15:38h

Caro Michelazzo, concordo com este seu ponto de vista em parte.
Sim, se as coisas não fossem como foram até agora, não seriam assim (parece papo de político).

Mas há um fator que está em cheque aqui: será que só porque o que o homem realizou até agora foi feito de forma anti-ética, devemos desconsiderar totalmente o comportamento "moralmente correto"?

Ora, a medicina teve um incrível avanço durante o período da segunda grande guerra. Foi bom para a humanidade? Sim. Então pronto. Que desconsideremos os métodos utilizados pelos cientistas nazistas, por meio de esquartejamentos, experimentos onde seres humanos eram utliizados como meros objetos de pesquisa. Aquilo foi totalmente anti-ético - e anti-humano -, mas propiciou um grande avanço para a ciência.

Mas porque estou envolvendo isto quando o assunto aqui é "informática"? Continuo afirmando que a ética deve estar em pequenos atos, porque estes pequenos terão como reflexo atos de grandes proporções no futuro.

Não sou eu que direi o que é ter um comportamento ético - acredito no bom-senso - e nem direi que eu tenho um comportamento totalmente ético (sim, eu também "pirateio", pois às vezes é a única alternativa, concordo), mas sei que esta existe, e procuro ignorá-la o mínimo possível - o que me faz um hipócrita?

O método que conhecemos funciona, mas está na cara que as pessoas - eu, inclusive - têm que mudar o modo de pensar para poderem viver no "novo mundo". E isso vai desde mudanças comportamentais à políticas.

PS: "novo mundo" não é uma religião ou igreja, se quer saber. Me refiro à atual situação do homem. Super-aquecimento global, superpopulação, a diminuição dos combustíveis fósseis, as guerras religiosas, a dificuldade em lidar com o lixo que produzimos, etc.

PS2: E porque diabos sempre tem nego que envolve questões políticas quando estamos falando de informática? Stallmanzinhos de mer$$%$.. hauahuahuahu

[14] Comentário enviado por marcosmiras em 21/01/2008 - 16:20h

Como nosso colega foguinho mencionou acima, devemos primeiramente educar e começar por nossa casa, quantos de nós temos em vista diversas soluções e não as utilizamos devido a preguiça? Isso ocorre frenquentemente, muitos administradores que não se auto-educam acabam fazendo o mesmo nas empresas que trabalham ou prestam serviços!
As pessoas buscam comodidade e não aprimoramentos. É triste saber que muitos profissionais do Linux utilizam softwares piratas em windows somente por preguiça de instalar, compilar, ter um poquinho de trabalho para utilizar algumas ferramentas no pinguim...
Um outro lado da história pode se ver que muitas empresas e até mesmo usuários domésticos estão "regularizando" sua situação utilzando software livre, o legal é que empresas que montam e fabricam Pc's estão enviando software livre junto com o equipamento, o que torna muito maior o mercado para nós da comunidade e muda um pouco a visão das pessoas sobre a tecnologia, não é somente querer adquirir um "Pentiu 4 com 1GB e gravador de DVD com Nero e Vista" o engraçado é que pessoas leigas perguntam se o computador é bom a partir da frase acima! O mercado é que cria essa idéia na cabeça das pessoas! Pra que ter uma pancada de software pirata sendo que o caboclo só irá usar um editor de textos e tabelas??? Use software livre! Tudo bem, pode ser até um Itanium, mas o ideal é concientizar que utilizar software ilegal é prejudicar empresas, funcionários e famílias, que pode ser inclusive a de quem está lendo agora!
O ideal é que quem tem grana e gosta utilize o Windows, ou até mesmo o MAC, mas não utilizar por preguiça de aprender a "mexer" no Linux! Sem comentários... Hipocrisia estar numa comunidade Linux e utilizar o Windowzão pirata por preguiça...
Não devemos ter medo de mudanças! Elas podem ser o futuro do amanhã...
Abraços...

[15] Comentário enviado por michelazzo em 21/01/2008 - 16:45h

Caro Techni,

Seu comentário "será que só porque o que o homem realizou até agora foi feito de forma anti-ética, devemos desconsiderar totalmente o comportamento "moralmente correto"?" possui, no meu ponto de vista, um problema sério que é justamente o inverso. Patente para mim não é ética, não é sinônimo de sucesso e tampouco condição sine qua non para que qualquer coisa se desenvolvesse. Se falarmos de ético, prefiro o legado deixado em nossa história desde Platão até Newton do que o legado dito por Gates e Ellison.

Quanto a questão do nazismo, equivoca-se mais uma vez. O "conhecimento" legado por eles à humanidade não foi nada mais que terror. A medicina teve avanços significativos com a descoberta da penicilina ANTES da II Guerra e depois dessa, com a massificação da indústria farmacêutica na década de 60. Os ditos experimentos eram usados no Egito antigo há 3 mil anos e não trouxeram nada de novo a nossa sociedade a não ser os métodos informáticos da IBM para o gerenciamento dos campos de concentração espalhados principalmente pela Alemanha, Polônia e atual Rússia.

Não estamos aqui discutindo atos. Estamos discutindo o porquê a pirataria é maléfica para o desenvolvedor. A pirataria é um ato. O mal que ela proporciona é uma conseqüência e neste ponto equivoca-se você e o autor. Minha discussão está longe da pirataria em si, a qual condeno de todas as formas, mas sim por acreditar (e até agora não ter sido confirmado) que ela é ruim para o desenvolvedor. Ao contrário, como já disse, somente é ruim para aquele que é incompetente.

Saudações.


[16] Comentário enviado por isaque_alves em 22/01/2008 - 03:23h

?????
Como a pirataria é ruim para o desenvolvedor?
O simples fato de muitos leigos terem acesso a ferramentas de criação direcionadas a profissionais , já afeta as relações de mercado, meu filho!

Se você não observou ( e eu creio que você esteja lendo o texto de forma inadvertida) afirmo que disponibilizar ( entenda "compartilhar") a licença de um software ( no caso citei o borland Delphi) pode ser extremamente prejudicial dadas as consequências mercadológicas do ato, que potencialmente produzirá o crescimento do número de desenvolvedores, e que ao utilizar software livre ( aqueles sem muitas firulas, como o kate, o vim, o anjuta ou o Lazarus) você está resgatando o valor do desenvolvedor porque o cidadão vai precisar ter ao menos um conhecimento básico da linguagem utilizada.

Sem descambar para uma discussão exorbitante sobre ética e política, digo: incompetência é justamente inaptidão em cumprir com uma obrigação.

Essa capacidade, demanda conhecimento, noção...
Ora, sabemos que quase a maioria da moçada que atualmente trabalha informalmente com desenvolviemento, usando windows e afins, usa pirata e faz serviço barato (em todos os sentidos) isso porque a tecnologia é disponibilizada a custo zero, na prática, e isso provoca uma redução nos valores de mercado, afetando diretamente o desenvolvedor que depende de uma licença para trabalhr corretamente.
Sei que mesmo assim, você, michellazzo, não concordará com a idéia, mas essa é uma verdade perceptivel apenas quando voê encara o fato de que existem leis que protegem o direito intelectual no Brasil, existem orgãos de fiscalização que pegam pesado com empresas, que solicitam licença no ato do registro...
Isso sem contar que desde o princípio do artigo informo que o objetivo do mesmo não é tratar sobre os meios da pirataria...

[editado]

"O problema com a pirataria é que a facilidade de aquisição de programas caros aliada ao desconhecimento de processos de engenharia de software e até mesmo desinformação quanto ao mercado, produz um pandemônio tecnológico onde cada vez mais o desenvolvedor sério se vê prejudicado, pois deve se sujeitar a essas leis."

[17] Comentário enviado por michelazzo em 23/01/2008 - 01:43h

Caro "Aluno"

Sua afirmação de que um leigo tendo acesso à ferramentas voltadas à profissionais é interessante. Fiz o seguinte paralelo em minha cabeça: quando mais moço, fiz eletrônica e eletrotécnica. Meu sonho era adquirir um osciloscópio que custava uma fortuna mas não podia. Esta minha vontade não era por simplesmente ter o aparelho, mas sim para poder melhorar o meu conhecimento sobre aquilo que estava estudando. Então, tento hoje, usando sua visão, compreender como é que eu naquela época, se tivesse acesso a tal equipamento, estaria afetando a relação do mercado. Seria porque eu poderia prestar serviços mais baratos do que um dito "profissional"?

Se este é seu raciocínio, me desculpe mas ainda não me convenceu. Existem médicos e médicos, existem dentistas e dentistas, existem mecânicos e mecânicos e existem programadores e programadores. Uma ferramenta nunca atrapalhou meus ganhos em nenhum momento de minha vida pois não dependo de uma ferramenta para trabalho. Dependo sim de meu conhecimento e de minha capacidade. Somente disso.

Voltei há pouco do exterior e somente para fazer um teste, enviei meu curriculum para 3 vagas. As 3 responderam, duas aceitaram o valor que pedi e uma eu descartei por não estar dentro de onde desejo trabalhar. Será mesmo que é um "especialista em Eclipse" que vai passar a perna nos meus 20 anos de carreira nacional e internacional? Será que é um "programador multi-tarefas" que vai atropelar todo o conhecimento que obtive em plataformas diferentes ao longo de minha carreira? Acredita mesmo nisso? Se a resposta é sim, lamento em informar mas o mercado não procura fazedores de código, procura profissionais que sabem resolver problemas e não criá-los.

A única conseqüência do ato de piratear um software é o crime no ato e a teórica perda financeira para a empresa que o desenvolveu. Se este ato cria uma legião de programadores ou pseudo-programadores no mercado, isso não é ruim ao meu ver pois a concorrência permite que sejam separados o joio do trigo. Aqueles que prestam, ficam. Aqueles que não prestam, vão pular fora. É a seleção natural de Darwin colocada a prova dentro do mercado e que cabe perfeitamente dentro deste cenário. Volto a dizer, não é uma ferramenta que faz o programador. É o programador que faz sua ferramenta (a carreira).

Eu certamente não poderia concordar com seu argumento porque o que ganhava em 1999/2000 é o mesmo que peço atualmente e o que ganho (inclusive calculando juros, correção monetária e tudo mais). Assim, como é que posso acreditar que dezenas de faculdades de fundo de quintal que "formam" centenas de programadores a cada seis meses podem colocar o mercado abaixo? Desculpe mais uma vez mas este pensamento eu já comentei em um artigo meu publicado em vários sites e que denomino "prostituição laboral". Esta prostituição sim acaba com o mercado (não para mim, felizmente) pois alguns se vendem por ninharia por motivos que não precisamos aqui discutir. Se estes tivessem um pingo de honra e um pingo de discernimento, poderiam fazer com que ela não existisse. Uma pequena fórmula é ter uma reserva financeira para o tempo das vacas magras. Se você tem isso, pode se dar ao luxo de não aceitar a primeira oferta para poder comer e esperar aquilo que realmente vale a pena. Mas como o consumismo e desejo de status fala mais alto, sempre tem uma prestação a mais para ser paga e para isso vende-se o corpo, literalmente.

Se você se baseou no mercado "pé de lama" para escrever o artigo, tenho que concordar contigo que fica difícil brigar com moleques de 15, 16 anos que pegam um Dreamweaver e saem fazendo site a torto e direito por 20 reais. Mas este para mim não é mercado, é simplesmente nada. Mercado é aquilo que me oferece desafios onde posso aprender e onde posso aplicar o que tenho de bagagem. E este mercado sabe valorizar um profissional e não um usuário de ferramenta. Assim, acredite, a pirataria não interfere neste verdadeiro mercado pois é muito fácil ver quem é que sabe e quem não sabe.

Saudações


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