Teoria das Formas e o Aumento da Usabilidade

Esse artigo apenas explica de forma superficial o que é Teoria das Formas e qual a sua importância na computação e principalmente nas interfaces gráficas.

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Por: Xerxes Lins em 29/04/2009 | Blog: https://voidlinux.org/


Introdução



A Teoria das Formas, também conhecida como Teoria da Forma ou ainda Teoria Gestalt, ocupa-se em investigar os efeitos das percepções visuais em nossas mentes, ou seja, investiga os processos e princípios da formação das imagens captadas pelo olho e como damos significados a essas imagens.

É fácil notar que Teoria das Formas está de certa maneira associada a semiótica (estudo dos significados dos símbolos em uma cultura). Essa teoria é de grande importância para a computação gráfica, pois ajuda na definição da forma, disposição e cor dos elementos que o desenvolvedor irá projetar para aumentar a usabilidade de sua criação.

A Teoria das Formas

A teoria foi criada pelos psicólogos alemães Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1940), em 1920 através de uma escola chamada Gestalt.

A palavra Gestalt tem origem alemã e surgiu em 1523 de uma tradução da Bíblia e significa "aquilo que é colocado diante dos olhos" ou "o que está exposto aos olhares".

Seu fundamento é que o todo é mais do que a soma de suas partes. Isso significa que um objeto é mais que o conjunto dos elementos que o compõe, pois o objeto inteiro possui (além das suas partes), um valor, um sentido ou um significado para o indivíduo que o observa - sentido esse que não existe quando o objeto é decomposto em seus elementos constituintes.

O surgimento da teoria não esteve associado à computação gráfica, mas é certo que essa investigação sobre como as formas e objetos nos afetam é de grande valor para todos os campos da arte visual.

Princípios

Abaixo são relacionados apenas alguns princípios da Teoria das Formas:
  • Tendemos a considerar como formas: figuras em primeiro plano; áreas escuras; superfícies circundadas; as áreas menores e áreas convexas.
  • Tendemos a considerar como fundo: formas em segundo plano; superfícies circundantes; áreas côncavas;
  • É impossível ver todas as imagens como forma ao mesmo tempo, pois assim que identificamos um elemento como forma, os outros tornam-se automaticamente fundo.
  • A percepção das formas virtuais presente no campo visual depende da nossa posição espacial na realidade, como por exemplo a percepção de alto e baixo, movimento ou não dos objetos circundantes, que são experiências visuais dos nossos hábitos e cultura.

    Isso quer dizer que o que está presente em nosso campo visual vai determinar o significado de toda forma virtual que estiver diante de nós. Exemplo disso é jogar um vídeo game de simulação onde se pilota um avião. Se no nosso campo visual percebemos o monitor ou a tela do jogo, a experiência se torna menos significativa em comparação à experiência de jogar o mesmo jogo em um ambiente fechado, onde todo o campo visual está preenchido com realidade virtual.

  • Importância dos elementos devido a sua localização no campo visual: elementos no centro do campo visual possuem menor importância e maior estabilidade; elementos grandes no eixo médio tem menos importância que outros elementos menores colocados lateralmente; um elemento na parte superior tem maior importância do que na parte inferior; um elemento à esquerda tem maior importância devido ao nosso sistema de leitura (isso pode mudar dependendo da cultura).
  • As formas geométricas elementares são mais importantes visualmente que as espontâneas porque são compactas.
  • As formas isoladas tem maior destaque.
  • As formas verticais são mais impositivas que as horizontais.

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Páginas do artigo
   1. Introdução
   2. A importância na computação
   3. Conclusão
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Comentários
[1] Comentário enviado por luizvieira em 29/04/2009 - 10:00h

Muito interessante.
Gosto muito das pesquisas que mesclam a área de humanas com exatas, de forma pragmática e concisa.
Parabéns!

[2] Comentário enviado por Morvan em 30/04/2009 - 09:06h

Bom dia, Xerxes.
Excelente artigo, o que abrilhanta ainda mais este nosso espaço, o VOL.
À guisa de esclarecer, gostaria de fazer um pequeno aclaramento no conceito de Gestalt; Onde se lê "... o todo é mais do que a soma de suas partes..." leia-se "... o todo é maior do que a soma de todas as partes ...", onde podemos citar, por exemplo, a música (exemplo recorrente nos cursos de Psicologia / Pedagogia), onde, se se a desconstroi, só se obtêm sete notas (não considerando aqui as variações, como bemol, sustenido, etc.), e não um harmonioso e agradável conjunto de sons.
No caso da interface gráfica, não podemos esquecer o Lisa, o primeiro computador a portar uma GUI. Claro que quem entrou para história foi o McIntosh, por razões tecnológicas, bem como mercadológicas.
Reiterando, o seu artigo é muito elucidativo e ilustrativo idem; parabéns.
Morvan, usuário Linux #633640.

[3] Comentário enviado por Eunir Augusto em 25/06/2009 - 10:52h

Bom dia, Xerxeslins.

Este é um dos artigos mais bem escritos que já li nos ultimos meses. Meus parabens!


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