O usuário: a escolha do novo amigo virtual

Continuando nossa jornada com a segunda parte, O usuário: a escolha do novo amigo virtual, teremos conhecimento sobre GNU, Linux, distribuições, escolhendo uma distribuição GNU/Linux e a instalação da distribuição. Então vamos nessa?

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Por: Merovingio em 11/11/2015


A instalação



Fulano foi em busca do Arch GNU/Linux e baixou a imagem da distro no próprio site e fez o download.
Depois queimou a imagem em DVD virgem, e foi correndo para sua máquina fazer a instalação em seu disco rígido, ligou a máquina, inseri-o o DVD em seu drive leitor de CD/DVD e deu boot por ele. Agora Fulano já tem o conhecimento necessário para esse processo, pois estudou sobre GNU/Linux e a distribuição escolhida.

A distribuição Arch GNU/Linux não tem um assistente gráfico por padrão, tudo é feito em linha de comando, isso será muito útil para o aprendizado pois perderemos o medo da famosa tela preta.

Particionamento

Antes de particionar o disco rígido e instalar um sistema operacional temos que saber de algumas coisas, precisamos formatá-lo em MBR ou GPT.

MBR e GPT

São esquemas de particionamento, que organizam a forma de como as partições serão usadas no início do disco. A mais antiga é o MBR (Master Boot Record), no português " Registro mestre de Inicialização ", que permite apenas 4 partições primarias, claro que pode ser criadas as partições estendidas e lógicas, e um disco com no máximo 2TB, enquanto o GPT (Guid Patition Table), no português " Tabela de Partição GUID ", a mais moderna suporta 128 partições primarias sendo desnecessário as partições lógicas, e com um disco até 64TB.

Não entrarei em detalhes profundos sobre as características de cada uma, mas deixarei os links para quem desejar conhecer um pouco mais sobre esses esquemas.
Usaremos um esquema simples, em GPT, o esquema ficara da seguinte forma:
/boot  (Contém a imagem do kernel, usado na inicialização)
/      (Diretório raiz)
swap   (Área de troca ou memória virtual)
/home  (Diretório do usuário)

Opcional
/var   (Diretório de arquivos variáveis)
/tmp   (Diretório de arquivos temporários)

Mas porque separar /var e /tmp? Por motivos de segurança, o diretório /var contem arquivo que iram crescer com o tempo, com /var/log que contem arquivos de logs do sistema, pacotes e arquivos de banco de dados (/var/lib), e-mails (/var/mail) e assim por diante. Separando esse diretório você tem um controle maior do seu sistema.

Já o diretório /tmp os motivos para mantê-lo separado é o controle mais completo sobre as permissões de acesso, fazendo isso o usuário tem mais segurança evitando brechas de segurança causadas pela inclusão ou alteração de arquivos temporários.

Em outras palavras /var - Gravação constante. Pode lotar o disco. /tmp - Todos os usuários podem gravar. Pode lotar o disco.

Fulano tem em sua máquina um HD de 500GB, e tem um esquema de particionamento feito para ele, então mão na massa.

Com o Arch GNU/Linux já iniciado em sua máquina ele já esta logado como usuário root(raiz ou administrador) do sistema, caiu direto na tela preta, para facilitar uso configurou logo o teclado e particionou seu disco com os comandos a seguir.

Configurando teclado:

# loadkeys br-abnt2

Como o esquema do particionamento será em GPT, ele usou o utilitário cgdisk que é bem amigável e dará conta do recado:

# cgdisk /dev/sda

Que ficou dessa forma:
sda1	/boot	com	250MB		Bios boot partition	ef02
sda2	swap	com	2GB		Linux swap		8200
sda3	/(raiz)	com 	50GB		Linuxfilesystem	8300
sda4	/var	com	20GB		Linuxfilesystem	8300
sad5	/tmp	com	15GB		Linuxfilesystem	8300
sda6	/home	com	restante 	Linuxfilesystem	8300

Claro isso é um exemplo, aconselho que separem apenas o /home.

Escreveu e salvou as configurações, depois só pra ter certeza deu uma olhada com o comando:

# lsblk -f
NAME   FSTYPE LABEL UUID                                 MOUNTPOINT
sda                                                      
├─sda1                                                   
├─sda2 swap         776d098a-2da3-4cca-8228-928ea06488c7 [SWAP]
├─sda3 ext4         de1f4e0c-9061-45d6-a75c-c58d839c43cf /
├─sda4 ext4         e0414ce4-2948-4baf-8b65-ef26157b3d57 /var
├─sda5 ext4         ebac9ae5-45a0-4af5-a23b-13ab990d1f48 /tmp
└─sda6 ext4         9672882e-3153-4b62-9753-32a5d1fd1c73 /home

Agora vamos formatá-las, no exemplo aqui dado foi usado o sistema de arquivas ext4:

/ (raiz):

# mkfs.ext4 /dev/sda3

/var:

# mkfs.ext4 /dev/sda4

/tmp:

# mkfs.ext4 /dev/sda5

/home:

# mkfs.ext4 /dev/sda6

Swap:

# mkswap /dev/sda2
# swapon /dev/sda2


Vamos criar os diretórios, o diretório de montagem é o /mnt, mas antes de montá-las criaremos os diretórios /boot, /var, /tmp e o /home em /mnt.

# mount /dev/sda3 /mnt
# mkdir /mnt/boot
# mkdir /mnt/var
# mkdir /mnt/tmp
# mkdir /mnt/home


Montando:

# mount /dev/sda1 /mnt/boot
# mount /dev/sda4 /mnt/var
# mount /dev/sda5 /mnt/tmp
# mount /dev/sda6 /mnt/home


Pronto! A parte mais chata foi feita, agora veremos se temos conexão com a internet:

# ping -c 3 www.google.com

Se pingar então temos conexão, caso não ping levante o serviço DHCP com o comando:

# dhcpcd

Se estive usando conexão wifi use o utilitário wifi-menu:

# wifi-menu

É chegada a hora de instalar o sistema base:

# pacstrap /mnt base base-devel

Gerando o fstab:

# genfstab -U -p /mnt >> /mnt/etc/fstab

Saindo do LiveCD e configurando o novo Arch GNU/Linux:

# arch-chroot /mnt

Vamos dar um nome a ele:

# echo archGNU/Linux > /etc/hostname

Configurando o teclado:

# loadkeys br-abnt2

Configurando o idioma:

# nano /etc/locale.gen

Procure por duas linhas dentro desse arquivo a pt_BR.UTF-8 UTF-8 e pt_BR ISO-8859-1, descemente tirando o # no início delas. Depois use o comando:

# locale-gen

Criando arquivo locale.conf:

# echo LANG= pt_BR.UTF-8 UTF-8 > /etc/locale.conf
# echo LANG= pt_BR.UTF-8 UTF-8


Criando arquivo vconsole.conf:

# nano /etc/vconsole.conf

KEYMAP=br-abnt2
FONT=lat0-16
FONT_MAP=

Configurando o relógio:

# ln -s /usr/share/zoneinfo/America/Sua_Cidade /etc/localtime

Agora um pouco de cuidado, pois instalaremos o GRUB (GRand Unifield Bootloader), ele é gerenciador de boot do sistema. Vamos preparar o randisk:

# mkinitcpio -p linux

Instalando o GRUB:

# pacman -S grub-bios

Vamos habilitar os módulos:

# modprobe dm-mod

Instalando o GRUB no disco:

# grub-install --target=i386-pc --recheck --debug /dev/sda

Criaremos o arquivo grub.cfg:

# grub-mkconfig -o /boot/grub/grub.cfg

Alterando senha do usuário root:

# passwd

Instalando ferramentas de rede:

# pacman -S net-tools wireless_tools wpa_supplicant wifi-menu wpa_actiond dialog

Subindo o serviço do DHCP junto com o sistema:

# systemctl enable dhcpcd.service

Saindo do chroot, desmontando e reiniciando o sistema:

# exit
# umount -R /mnt
# reboot


Pronto! Só isso, agora Fulano tem o Arch GNU/Linux instalado em sua máquina.

Mas cade a interface gráfica? E vai ficar usando o usuário root mesmo é? Antes de instalar uma interface gráfica precisamos saber o que é o servido X, e antes de criar um novo usuário temos que saber quais permissões ele vai ter e em quais grupos ele estará.

Isso fica para a próxima onde entraremos nas configurações do sistema.

Finalizando

Neste artigo obtemos conhecimento básicos, mas de uma grade importância, em nossa próxima jornada irenos ver um pouco sobre configurações básicas e instalaremos algumas ferramentas.

Desculpa pela demora do artigo 2 de nossa jornada, pois estou com pouco tempo para elaborar os materiais mais sempre acho um tempinho. Até a próxima.

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Páginas do artigo
   1. Introdução
   2. O GNU, o Linux e um resumo completo de tudo
   3. Distribuições
   4. Escolhendo uma distribuição GNU/Linux
   5. A instalação
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Comentários
[1] Comentário enviado por spylinux em 11/11/2015 - 12:40h

Legal o artigo, pra quem está começando e quer entender um pouco mais sobre o mundo linux.

Só acho q quando fala que o usuário não escolheria o RedHat por ser uma distro comercial, poderia ter citado o CentOS, que nada mais é que o RedHat mas sem o suporte comercial.

Abraço
[]'s spylinux
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