Maddog Hall - Estrela do maior evento de Telecomunicações do Brasil

Entre os dias 13 e 16 de outubro de 2009, aconteceu no Transamerica Expo Center, em São Paulo, mais uma edição do Futurecom, evento onde as maiores empresas de telecomunicações do mundo se reúnem para discutirem temas variados, que vão desde a regulamentação até o lançamento de novos conceitos e produtos.

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Por: Luciano Gomes em 19/10/2009


"Maddog" Hall e Futurecom 2009. O empresariado se rendendo ao Open Source?



Participei ativamente nos três dias, e o que mais me impressionou foi ver O Sr. Hall sendo a maior estrela de um evento que não tinha o Software Livre como sua principal característica. A palestra do Sr. Hall, numa das maiores salas, foi interessante, não apresentou muitas novidades para quem o acompanha, mas acredito que para a grande maioria lá (tirando um nerd em pé de boné e outro que foi até pedir autógrafo ao Sr. Hall) foram informações novas.

Mas algumas perguntas me vêem a mente, o que Sr. Hall estava fazendo lá? Com seu discurso compassado e serenidade digna de um missionário (apelido dado por um jornalista, durante o programa Roda Viva), segue o Sr. Hall, levando a mensagem do software livre. Antes de colocar em pauta tais perguntas, gostaria de compartilhar com vocês alguns temas que foram levantados por ele e outros que lhe foram perguntados durante a entrevista para o programa Roda Viva (http://www.tvcultura.com.br/rodaviva).

1) Open Hardware

O Sr. Hall falou a respeito deste conceito, mostrou inclusive um celular baseado em "Open Hardware" e que roda sob um sistema operacional chamado "Open Moko". Enfatizou que os custos de produção são baixos, mas que seria inviável trazer para o Brasil, pois os custos não justificariam a aquisição.

2) Projeto Caua

Aqui ele fala sobre um projeto que se desenvolvera aqui no Brasil, com o objetivo de gerar mais de 3 milhões de empregos (utopia?). Em sua descrição resumida, falou em criar "Administradores de sistemas", que ganhariam a vida de forma autônoma, dando suporte aos usuários de Linux. Não ficou claro se seria uma outra distribuição.

3) Asterisk

Falou e demonstrou alguns hardwares compatíveis com Asterisk. Mostrou uma placa mãe praticamente do tamanho da mão dele. Citou também um estudo de caso onde um ouvinte seu implementou suas ideias e deu certo.
Linux: Maddog Hall - Estrela do maior evento de Telecomunicaçoes do Brasil
Enfim, foram diversos temas por ele tratado, mas o que mais me impressiona é o fato dele não criticar a Microsoft o tempo todo, em dados momentos até defende. Ao ser questionado pela pirataria ele a condenou veementemente, dizendo inclusive que a MS poderia cobrar o software mais barato se não houvesse tanta pirataria. Ao ser questionado se Open Source não era uma vertente política, defendeu também o seu ideal, dizendo que Open Source não tem ligacão direta com política, as organizações políticas que utilizam Open Source, e o fazem por questões diversas.

Mas o que o Maddog estava fazendo lá? Com tantos presidentes, aliás, todos os presidentes de todas as operadoras, porque o Sr. Hall foi escolhido para ser a estrela principal do evento?

Minha percepção me leva a crer que o empresariado começa a enxergar que o Linux é muito mais que apenas uma briga entre sistemas operacionais que querem dominar o Desktop. Na verdade o Sr. Hall cita apenas a liberdade de escolha, não condena nada, apenas afirma que se você utiliza software com Código Aberto, é livre. A utilização de software com código fechado promove a escravidão do usuário.

"O escravo não tem vontade própria, seu dono manda ele ir ele vai, manda ele voltar, ele volta, se você utiliza software com código fechado, você e um escravo...". Afirma o Sr. Hall.

O Asterisk foi uma das maiores revoluções dos últimos tempos, permitindo que um PC qualquer se transforme em um PBX. Isto permite que você monte o seu PBX, configure e implemente coisas suas sem precisar desembolsar muitos reais para isso.

Será que as operadoras enxergaram isto e de alguma maneira querem se aproximar do Sr. Hall? O real motivo não sabemos, mas sem dúvida alguma foi uma participação ímpar do Sr. Hall, levando a filosofia da liberdade a todos os níveis, até mesmo lá, onde estava a nata das telecomunicações do Brasil.

Vida longa ao Sr. Hall!

   

Páginas do artigo
   1. "Maddog" Hall e Futurecom 2009. O empresariado se rendendo ao Open Source?
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Comentários
[1] Comentário enviado por paulorvojr em 19/10/2009 - 21:46h

Belo artigo!! parabéns

Realmente, asterisk é uma solução maravilhosa, unindo ela a outras soluções como freepbx, ou o conjunto trixbox e disc-os, nossa você implementa voip com um dedo.


E claro que o maddog não vai ficar criticando microsoft, apple, e outros, quem fica criticando é uma pessoa ignorante(falta de conhecimento), e sem visão, como acontece muito no brasil e na comunidade do VOL.

Brigar pra que?, todos tem prós e contras, se alguem ficou usando um produto por décadas, a culpa foi de quem ficou usando, opções era o que não faltam.


Os outros topicos, fiquei interessado, vou pesquisar mais sobre o projeto caua, e do celular open.

Abraços e execelente artigo!! valeu!


[2] Comentário enviado por lucgomes em 19/10/2009 - 22:11h

Pessoal, o programa ta passando agora na TV CULTURA
http://www2.tvcultura.com.br/rodaviva/aovivo.asp

[3] Comentário enviado por ChilesIT em 20/10/2009 - 11:32h

O Duro foi aguentar algumas perguntas de alguns jornalistas que em minha opinião nem deveriam ter ido. Porque não acrescentaram em nada.

Já que o Veinho estava lá de boa vontade ou não, aproveita e pergunta coisas interessantes, projetos, futuro, etc ....

Em minha opinião a TV Cultura pisou na bola nesse quesito, quer criar polemica entrevista Jogador de Futebol.

Se a Entrevista fosse com o Bill Gates, mesmo não gostando do produto dele, gostaria de ver perguntas de tecnologia, de mercado .... Perguntas Inteligentes!

Mas como um todo foi legal ver a visão do jon Hall sobre o Software Livre no Brasil.

Abs

[4] Comentário enviado por lucgomes em 20/10/2009 - 12:41h

Eu concordo em parte com você ChilesIT, sobre o programa. Mas eu acho que o problema maior foi convidar pessoas tão diferentes, com focos e histórias tão distintas para entrevistar o "Bom Veinho". Projetos de maior relevância, sequer foram citados ... E quando ele falou do Projeto Cauã, quase não conseguimos entender na prática, como será o desenrolar desta aventura.

No mais, gostei de ver ele "dando uma dura" algumas vezes (pedindo um minuto para concluir seu raciocínio e depois falando que o que ele estava falando, nada tinha a ver com Política.

Um abraço !!

[5] Comentário enviado por urielpunk em 20/10/2009 - 12:41h

Wilson Moherdaui, (Diretor editorial do Informática Hoje);
Este cara é um manes master, daqueles que acha que a SUBORNASOFT é um empresa exemplar é que um dia poderia ser como Bill Gafes.

Rodolfo Lucena (Editor do caderno Informática da Folha de S. Paulo e editor do blog de tecnologia Circuito Integrado da Folha Online);
Uma anta metido a irritadinho, agora eu entendo o porquê da sessão da Folha Online, estampar sempre a palavra RUINDOWS e MICRO$OFT com fontes gigantes nas matérias e omitiu o nome do Linux em quase todas as matérias de supercomputadores, sistemas embutidos e projetos universitários como o Cluster da USP que roda CentOS 5-U2.

Pedro Doria (Editor-chefe do Estado de S. Paulo Digital.);
Este é o mais burro dos três. Quando Maddog tentou explicar que, o software livre e bom, porque gera renda totalmente local, desenvolve expertise técnica para o pais e que também é um fator de segurança nacional para que o nação não fique refém de países estrangeiros; o imbecil me vira é fala que a pergunta era sobre política!. Bom se os fatos citados não são política, eu não sei o que é então.

Se estes caras não estão recebendo caixinha da SUBORNASOFT, a MICRO$OFT deveria enviar para cada um crachá de funcionário.

Se existe uma coisa que me irrita é usuário de MAC e RUINDOWS metido a Guru/Administrador de informática. Este bando usuários que acha computação/programação seria é o lixo que sai na revista “INFO” que na realidade deveria se chamar “SUBORNASOFT, MICRO$OFT ou MICROLIXO”

“A Microsoft não é má. Ela só faz sistemas operacionais realmente ruins.”

[6] Comentário enviado por removido em 22/10/2009 - 08:26h

Eu assisti a entrevista na TV Cultura e de certa forma até fiquei envergonhado por algumas perguntas feitas... os entrevistadores foram muito mal selecionados, principalmente aquele da Folha que fazia perguntas sobre "política", o MadDog respondia, e o jornalista achava que a resposta não era para o que ele tinha perguntado.

[7] Comentário enviado por arabasso em 22/10/2009 - 09:31h

Pena q peguei o programa pela metade, talvez daqui a uns tempos apareçam vídeos na internet pra assistir. DEFENDO o uso do software livre, mas não RECRIMINO software proprietário. E vc urielpunk, não adianta ser xiita desse jeito, vc deve defender sua idéia com ARGUMENTOS CONSISTENTES, não ser somente "rebelde sem causa".

Esse tipo de comentário num ajuda nada. O usuário leigo pergunta pra si: "se o Windows é um lixo, pq mais de 90% do mundo usa? O mundo adora lixo?" (eu concordo "levemente" com isso, em se tratando se internet então, qtos sites lixos q tem por aí q a galera usa a rodo).

Pelo pouco q eu vi (e depois de comentários q li na internet), o Mr Hall foi exatamente oq eu esperava q fosse, ele não ficou criticando nada nem ninguém, simplesmente expôs pq deveríamos usar software livre e não o proprietário.

"Tacar o PAU" nas empresas q produzem software proprietário num aidanta NADA. Adianta menos ainda vc falar q uma coisa é simplesmente um lixo e oq vc defende é bom (acho q uma atitude melhor é falar oq o seu tem de bom e esquecer dos outros).

Muito se fala de liberdade, mas a galera confunde isso. Eu acho a licença GPL de certo modo restritiva, e por isso em meus projetos sempre uso licença MIT/X (chega próximo de domínio público). Se é LIVRE, então um programa livre ou proprietário pode usar sem problema.

Citei a licença GPL por causa da PALHAÇADA q fizeram com o BSD. O BSD tem um licença quase sem restrição. Mas tem uma linha na licença q deixa a BSD imcompatível com a GPL. O caso é q um programa GPL pode usar código BSD, mas um BSD num pode usar código GPL de jeito nenhum!

Outra questão é a liberdade de ESCOLHA. Ora, se o "cidadão" quer usar software proprietário, deixa ele usar pronto e acabou! Penso o mesmo para desenvolvedores, se vc quer liberar o código, libere, senão não libere.

Falar pra Adobe q é melhor ela liberar o código do Photoshop pq é "simplesmente bom fazer isso", eles ririam na sua cara.

FINALIZANDO, pra mim LIBERDADE É LIBERDADE. Cada um usa oq quiser, qto quiser e qdo quiser. Se VC ama GNU/Linux e odeia o Windows, use GNU/Linux. Se gosta de Windows e não de GNU/Linux, use Windows.

"E viva feliz para sempre..."

[8] Comentário enviado por fdmarp em 22/10/2009 - 18:35h

Tive a oportunidade de almoçar com Maddog quando veio ao FISL, gostei muito da proposta do Projeto Caua. Não achei tão utopia assim, a visão de que fornecer serviços e treinar especialistas de forma descentralizada me parece muito interessante. Claro que é uma mudança de paradigmas muito grande, mas torço para dar certo ... como brasileiro e como membro da comunidade.

[9] Comentário enviado por lucgomes em 22/10/2009 - 19:04h

fdmarp repare que eu fiz uma indagação, (utopia?). Eu tentei encontrar algo sobre o Projeto, mas não encontrei, se você tiver, pode me enviar ? Meu email é [email protected]

Obrigado!


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