5 fatores (subjetivos) que tornam o software proprietário insustentável para as micro, pequenas e médio empresas
Talvez este artigo pareça uma crônica. Não é um texto técnico nem se aprofunda em investigações, mas baseado em experiências do cotidiano, em algum ponto, comparando com as próprias experiências do leitor, podemos concluir que a insustentabilidade do software proprietário vem aumentando, e quem vai sofrer mais não são as grandes empresas.
Parte 2: Expectativas exacerbadas de lucro conflitando com investimentos insuficientes ou errados
Isso é comum em qualquer novidade que aparece no comércio, ou melhor, toda vez que surge uma "moda". Logo a novidade se torna a "a galinha dos ovos de ouro" pra qualquer empreendedor que sonha em ficar rico com um novo e revolucionário produto, ou serviço.
E, apesar de este já não ser mais, necessariamente, o caso da indústria de software (lembrando mais uma vez que falamos de empresas de micro, pequeno e médio porte, onde a principal aplicação em TI se refere à automação comercial e gestão empresarial), ainda muitos pensam que este é um dos meios mais fáceis de se ganhar muito dinheiro "mexendo" com informática.
Na década de 80, por exemplo, pregava-se nas faculdades da área a ideia de "programador-dono-do-sistema", que ele ficaria muito rico; resumindo, era como se fosse dito que as empresas seriam reféns dele, os desenvolvedores de sistema seriam "os caras", ninguém sobreviveria sem eles.
É claro de depois da fama do jovem Bill Gates, que lançava a primeira versão praticamente inexpressiva do Windows na época, essa ideia se fortaleceu ainda mais, mas logo o mito caiu, simplesmente porque o sucesso de um pioneiro não garante que os seus imitadores terão o mesmo sucesso.
Não estou aqui colocando o Bill Gates como exemplo de "mestre" (isso seria pedir pra ser linchado nas comunidades linuxistas, mas lembre-se que estou falando da insustentabilidade do software proprietário, comercial, capitalista, e não existe exemplo mais notável de figura que identifica essa modalidade), só que as pessoas geralmente não levam em consideração que pra chegar aonde ele, sua empresa e seu sistema chegaram, um longo caminho foi percorrido, e não existem atalhos.
E isso é tendência do ser humano, não é de hoje, todos querem inclusive chegar no céu, mas deixe-me lembrar que "o caminho é estreito" (Mateus 7, Lucas 14 etc...).
No Brasil, estudos apontam que cerca da metade das novas empresas abertas fecham suas portas depois de 3 anos de atividade, e esta proporção muitas vezes pode chegar a 70% decorridos 5 anos. E a principal causa deste fracasso, mesmo que discordem, não é a alta carga tributária, não é o governo, não é a concorrência etc. O problema principal é falta de planejamento, quer seja por não ter feito o investimento da maneira correta, ou simplesmente por investir em algo que não é "a sua praia" (isso vou relatar no tópico seguinte em detalhes), dentre outros fatores. Mas no ramo de software este risco pode ser potencializado pois ainda existe a ideia de que "vou fazer um sistema, sair instalando e ganhar muito dinheiro", e o desenvolvedor acaba caindo no erro básico de se comprometer com uma demanda muito superior à sua capacidade de oferta, o ganho em quantidade acaba virando prejuízo por não conseguir atender todo mundo, porque ele acha que isso não vai dar trabalho, é só fazer... Mas dá trabalho, e muito.
Outro ponto nessa questão são os novos custos que surgem a cada dia. Cada novo recurso ou requisito em um sistema tem custos altos para sua implementação. Por exemplo, uma empresa de software de automação comercial do interior do Brasil, de maneira geral, gasta quase R$ 5.000,00 só com a viagem de um programador para ir a São Paulo homologar seu sistema para o TEF (sistema de pagamentos via cartão de crédito), isso se tudo der certo, pois caso tenha algum imprevisto e "reprove" vai ter que fazer praticamente tudo de novo - e isto é um custo que se destaca, fora os custos do cotidiano.
Você faz ideia do quanto custa pra uma empresa de software oferecer hoje recursos e atender requisitos como NF-e, PAF-ECF, SPED. TEF... Muitos desenvolvedores não têm noção disso, e quando percebem já quebraram.
Antigamente, um sistema poderia se limitar a cadastros, lançamentos e relatórios, e ainda assim era algo extraordinário, vendia muito, e relativamente não dava tanto trabalho. Hoje, por mais simples que seja, um sistema de automação comercial, novamente, simplesmente não serve pra muita coisa se não atender a requisitos como estes que eu citei.
Sistemas de informática hoje não é algo supérfluo, é item de primeira necessidade, e geralmente os itens de primeira necessidade têm custos muito altos pra serem produzidos, mas muitos empreendedores do ramo, e até mesmo seus clientes, ainda parecem desconhecer isso.
Você sabe quanto custa por exemplo pro agricultor produzir o feijão, o arroz, as verduras, legumes e frutas que chegam à sua mesa? Sabe os riscos que eles correm de terem grandes prejuízos e perderem sua produção, consequentemente perderem dinheiro, com excesso de chuvas, ou com a seca, geada, pragas? Permitam-me a analogia, o brasileiro não pode viver ser o feijão-com-arroz, do mesmo modo que uma empresa hoje não pode viver sem ferramentas informatizadas para sua gestão.
Agora compare o que é investido com o retorno que se espera. Existem casos em que o custo pra produzir e manter um software de automação comercial, por exemplo, pode chegar a mais de 80% do faturamento da software-house, e o motivo principal disso é falta de planejamento financeiro e gerencial, pois sempre que uma coisa não vai bem numa empresa o reflexo sempre acaba no financeiro.
Já que o objetivo do software proprietário é ter lucro, algo deve estar errado, e começa neste conflito entre esperar lucro demais com pouco investimento (não só investimento financeiro), e isso não existe.
E, apesar de este já não ser mais, necessariamente, o caso da indústria de software (lembrando mais uma vez que falamos de empresas de micro, pequeno e médio porte, onde a principal aplicação em TI se refere à automação comercial e gestão empresarial), ainda muitos pensam que este é um dos meios mais fáceis de se ganhar muito dinheiro "mexendo" com informática.
Na década de 80, por exemplo, pregava-se nas faculdades da área a ideia de "programador-dono-do-sistema", que ele ficaria muito rico; resumindo, era como se fosse dito que as empresas seriam reféns dele, os desenvolvedores de sistema seriam "os caras", ninguém sobreviveria sem eles.
É claro de depois da fama do jovem Bill Gates, que lançava a primeira versão praticamente inexpressiva do Windows na época, essa ideia se fortaleceu ainda mais, mas logo o mito caiu, simplesmente porque o sucesso de um pioneiro não garante que os seus imitadores terão o mesmo sucesso.
Não estou aqui colocando o Bill Gates como exemplo de "mestre" (isso seria pedir pra ser linchado nas comunidades linuxistas, mas lembre-se que estou falando da insustentabilidade do software proprietário, comercial, capitalista, e não existe exemplo mais notável de figura que identifica essa modalidade), só que as pessoas geralmente não levam em consideração que pra chegar aonde ele, sua empresa e seu sistema chegaram, um longo caminho foi percorrido, e não existem atalhos.
E isso é tendência do ser humano, não é de hoje, todos querem inclusive chegar no céu, mas deixe-me lembrar que "o caminho é estreito" (Mateus 7, Lucas 14 etc...).
No Brasil, estudos apontam que cerca da metade das novas empresas abertas fecham suas portas depois de 3 anos de atividade, e esta proporção muitas vezes pode chegar a 70% decorridos 5 anos. E a principal causa deste fracasso, mesmo que discordem, não é a alta carga tributária, não é o governo, não é a concorrência etc. O problema principal é falta de planejamento, quer seja por não ter feito o investimento da maneira correta, ou simplesmente por investir em algo que não é "a sua praia" (isso vou relatar no tópico seguinte em detalhes), dentre outros fatores. Mas no ramo de software este risco pode ser potencializado pois ainda existe a ideia de que "vou fazer um sistema, sair instalando e ganhar muito dinheiro", e o desenvolvedor acaba caindo no erro básico de se comprometer com uma demanda muito superior à sua capacidade de oferta, o ganho em quantidade acaba virando prejuízo por não conseguir atender todo mundo, porque ele acha que isso não vai dar trabalho, é só fazer... Mas dá trabalho, e muito.
Outro ponto nessa questão são os novos custos que surgem a cada dia. Cada novo recurso ou requisito em um sistema tem custos altos para sua implementação. Por exemplo, uma empresa de software de automação comercial do interior do Brasil, de maneira geral, gasta quase R$ 5.000,00 só com a viagem de um programador para ir a São Paulo homologar seu sistema para o TEF (sistema de pagamentos via cartão de crédito), isso se tudo der certo, pois caso tenha algum imprevisto e "reprove" vai ter que fazer praticamente tudo de novo - e isto é um custo que se destaca, fora os custos do cotidiano.
Você faz ideia do quanto custa pra uma empresa de software oferecer hoje recursos e atender requisitos como NF-e, PAF-ECF, SPED. TEF... Muitos desenvolvedores não têm noção disso, e quando percebem já quebraram.
Antigamente, um sistema poderia se limitar a cadastros, lançamentos e relatórios, e ainda assim era algo extraordinário, vendia muito, e relativamente não dava tanto trabalho. Hoje, por mais simples que seja, um sistema de automação comercial, novamente, simplesmente não serve pra muita coisa se não atender a requisitos como estes que eu citei.
Sistemas de informática hoje não é algo supérfluo, é item de primeira necessidade, e geralmente os itens de primeira necessidade têm custos muito altos pra serem produzidos, mas muitos empreendedores do ramo, e até mesmo seus clientes, ainda parecem desconhecer isso.
Você sabe quanto custa por exemplo pro agricultor produzir o feijão, o arroz, as verduras, legumes e frutas que chegam à sua mesa? Sabe os riscos que eles correm de terem grandes prejuízos e perderem sua produção, consequentemente perderem dinheiro, com excesso de chuvas, ou com a seca, geada, pragas? Permitam-me a analogia, o brasileiro não pode viver ser o feijão-com-arroz, do mesmo modo que uma empresa hoje não pode viver sem ferramentas informatizadas para sua gestão.
Agora compare o que é investido com o retorno que se espera. Existem casos em que o custo pra produzir e manter um software de automação comercial, por exemplo, pode chegar a mais de 80% do faturamento da software-house, e o motivo principal disso é falta de planejamento financeiro e gerencial, pois sempre que uma coisa não vai bem numa empresa o reflexo sempre acaba no financeiro.
Já que o objetivo do software proprietário é ter lucro, algo deve estar errado, e começa neste conflito entre esperar lucro demais com pouco investimento (não só investimento financeiro), e isso não existe.
Isso ficou um tanto quanto contraditorio...
Seu artigo defende o software livre em detrimento do proprietario. No atual cenario o software livre seria o "pequeno" e o proprietario seria o "grande".
O que você frisou em diversos pontos do artigo foi o que voce disse no seu artigo anterior, a culpa é sempre dos usuários imbecis que não se interessam em aprender a utilizar o computador corretamente, mas lembre-se, isso não vai mudar...
Sabe qual é a fórmula do sucesso? Pergunta ao Bio Gades... ele vende (caro) um sistema muito pior(isso foi vc que disse) e obtem muito sucesso...
Acho que temos que rever muitos conceitos e não seguirmos apenas paixões..
Eu torço para o meu time e não para um sistema...