5 fatores (subjetivos) que tornam o software proprietário insustentável para as micro, pequenas e médio empresas
Talvez este artigo pareça uma crônica. Não é um texto técnico nem se aprofunda em investigações, mas baseado em experiências do cotidiano, em algum ponto, comparando com as próprias experiências do leitor, podemos concluir que a insustentabilidade do software proprietário vem aumentando, e quem vai sofrer mais não são as grandes empresas.
Parte 4: Incapacidade gerencial e negligência operacional, ou seja, incompetência
Eu poderia colocar isso dentro da discussão do "não saber o que está fazendo", mas acontece que incompetência não é simplesmente "não saber fazer algo", incompetência é muito mais, é "saber como se deve fazer mas não fazer ou fazer de qualquer jeito"! Eu sei que as palavras são polêmicas, mas não dá pra ser tão gentil diante da ignorância.
A incapacidade gerencial faz parte de não saber o que fazer, mas ela é um ponto a ser destacado porque para se gerenciar algo é necessário saber como funciona o que está sendo gerenciado - quanta antítese. Em praticamente todos os ramos, todas as empresas, isso ocorre, mas na indústria de software as consequências disso podem ser muito mais desastrosas.
E também é uma questão cultural capitalista. Vejamos, hoje a maioria dos lançamentos no mercado tem como alvo o consumismo focado no entretenimento e satisfação pessoal. A propaganda de um carro utilitário não chama tanto a atenção quanto à propaganda de um carro esportivo, então, o que é feito hoje? Todas as propagandas de carros utilitários hoje têm um roteiro esportivo, focam a aventura, emoção, diversão... Mas um utilitário, em última instância, é feito pra carregar peso, ou seja, trabalho.
Na informática isso é ainda pior. Como geralmente os computadores são coisas que assustam a maioria dos mortais, a estratégia foi criar uma visão cada vais mais amigável deles. Isso não está errado, não sou contra tornar as coisas mais simples, mas a coisa chegou tanto ao extremo que agora qualquer um pensa que é um expert em informática, o velho ditado aumentou: "de médico, louco, treinador de futebol, político e (agora) técnico em informática todo mundo tem um pouco".
Eu sei que em todas as empresas e ramos existem estes problemas, mas se "a informática surgiu para resolver problemas que não existiam antes dela", nela as coisas podem tomar proporções cataclísmicas num piscar de olhos, ainda mais num cenário como este.
Tempos atrás eu vi uma reportagem que mostrava que algumas faculdades de medicina estavam estudando incluir administração na ementa do curso, isso porque o cara só estudava medicina, ele se tornava de fato um bom médico, mas quando chegava a um cargo administrativo, burocrático, não tinha o mesmo sucesso por falta de conhecimento para tanto.
Na informática, o negócio desanda, tudo começa nessa cultura de que tudo é fácil. No lado operacional, o cara sabe digitar um texto no Word e já acha que é professor, sabe instalar o MSN e já acha que é técnico, sabe formatar e já acha que é um engenheiro, sabe fazer um arquivo BAT e já se acha programador... No lado gerencial, se sabe a diferença entre lançamentos de crédito e de débito e já se acha um analista, sabe "mandar" e já se acha um coordenador de desenvolvimento, sabe "enrolar" os clientes e já acha que é gerente... E por aí vai...
A maioria das pessoas que trabalham com informática, na realidade, possuem um conhecimento muito básico e são pouco dedicadas em aprender mais, e isso também é culpa da filosofia do sistema amigável vendido pelo mundo capitalista. E como os cursos de formação, tanto técnica quanto superior, ainda estão em processo de amadurecimento e existem em poucos lugares do Brasil, a maioria dos profissionais aprende na prática. O problema não é aprender na prática, mas querer aprender do jeito mais rápido, sem muito esforço, e consequentemente do jeito errado.
Quantos técnicos de informática enrolados que você conhece? Quantos deles só tem uma resposta: "tem que formatar"? Quantos programadores "gambiarreiros" que você conhece? Tudo bem, você pode não conhecer nenhum destes, mas quantas empresas você conhece por aí que reclamam de seus computadores, de que a rede não funciona, a internet vive caindo, que o sistema de gestão que ela usa só dá problema, só tem erro?
Praticamente em toda esquina você vai ouvir uma pessoa ou empresa insatisfeita com os recursos de informática que tem. Existe muita concorrência na área, muitos técnicos, muitos sistemas, muitas opções, mas a qualidade geral dos produtos e serviços oferecidos é cada vez pior, isso porque a maioria dos profissionais que prestam serviço nesta área não tem o conhecimento adequado pra realizar um bom trabalho, e mesmo que tenham, tempo é dinheiro, e entre ganhar o máximo de dinheiro possível em menos tempo, mesmo que correndo o risco de deixar o cliente na mão com um serviço ruim, e dispender mais tempo pra realizar um bom trabalho, a primeira opção sempre prevalece.
Alguns até tentam oferecer uma coisa melhor, mas até mesmo as melhores alternativas dentro do modelo de gestão de TI apoiado no software proprietário sempre serão medíocres. Claro, isso pode ser causado principalmente por falta de visão dos desenvolvedores de software, mas como o objetivo é capitalista, no capitalismo a qualidade nunca será prioridade. Não estou aqui defendendo uma filosofia comunista, isso é um fato do mercado.
A esmagadora maioria das pessoas prefere o que é mais barato, são poucos o que enxergam a qualidade como um investimento. Sempre ouvimos falar que na tecnologia, na informática, as coisas mudam muito rápido, o que é novidade hoje daqui há seis meses já está desatualizado, e é assim mesmo. Agora me diga, nesse cenário, quem consegue ter tempo pra colocar a qualidade como prioridade?
Nesse aspecto gostaria de destacar o conceito de "entropia", que é tendência dos sistemas ao desgaste ou desintegração, com consequente relaxamento de padrões e aumento da aleatoriedade. Isso vêm da física. Um sistema um dia irá se desintegrar, assim como todos os seres vivos nascem, crescem, ficam velhos e morrem.
Não tem jeito, um dia tudo acaba, mas na informática todos os dias lidamos com a falta de capacidade das pessoas de levarem isso em conta. Não se dá a devida importância para os investimentos em treinamento, capacitação, atualização de tecnologia, podemos dizer que não existe preocupação com o futuro. Muitas vezes somos tão medíocres que oferecemos pro nosso cliente o pior só porque ele quer o pior.
Desenvolver sistemas pra gestão empresarial é muito mais do que fazer um programa pra gravar as informações dela num banco de dados, mas sim é auxiliá-la na melhor forma de gerir os seus negócios utilizando as soluções em informática que oferecemos como a ferramenta mais adequada para isso.
Por mais que as argumentações sejam bem semelhantes às do tópico anterior eu quis destacar este aspecto separadamente porque de fato existe uma linha tênue de diferença. A questão da falta de conhecimento é um problema prático, facilmente perceptível, mas incompetência é algo "psicológico", que pode ser mascarado.
Não ter conhecimento necessário para fazer algo é uma questão de habilidade, mas não ter competência pra fazer algo já tende a uma questão de caráter. Se, por exemplo, não ter competência para realizar a atividade profissional que possa ser considerada a mais simples já resulte em grandes transtornos no "final das contas", imagine o estrago a falta de competência em um ramo tão complexo quanto a informática pode causar.
A incapacidade gerencial faz parte de não saber o que fazer, mas ela é um ponto a ser destacado porque para se gerenciar algo é necessário saber como funciona o que está sendo gerenciado - quanta antítese. Em praticamente todos os ramos, todas as empresas, isso ocorre, mas na indústria de software as consequências disso podem ser muito mais desastrosas.
E também é uma questão cultural capitalista. Vejamos, hoje a maioria dos lançamentos no mercado tem como alvo o consumismo focado no entretenimento e satisfação pessoal. A propaganda de um carro utilitário não chama tanto a atenção quanto à propaganda de um carro esportivo, então, o que é feito hoje? Todas as propagandas de carros utilitários hoje têm um roteiro esportivo, focam a aventura, emoção, diversão... Mas um utilitário, em última instância, é feito pra carregar peso, ou seja, trabalho.
Na informática isso é ainda pior. Como geralmente os computadores são coisas que assustam a maioria dos mortais, a estratégia foi criar uma visão cada vais mais amigável deles. Isso não está errado, não sou contra tornar as coisas mais simples, mas a coisa chegou tanto ao extremo que agora qualquer um pensa que é um expert em informática, o velho ditado aumentou: "de médico, louco, treinador de futebol, político e (agora) técnico em informática todo mundo tem um pouco".
Eu sei que em todas as empresas e ramos existem estes problemas, mas se "a informática surgiu para resolver problemas que não existiam antes dela", nela as coisas podem tomar proporções cataclísmicas num piscar de olhos, ainda mais num cenário como este.
Tempos atrás eu vi uma reportagem que mostrava que algumas faculdades de medicina estavam estudando incluir administração na ementa do curso, isso porque o cara só estudava medicina, ele se tornava de fato um bom médico, mas quando chegava a um cargo administrativo, burocrático, não tinha o mesmo sucesso por falta de conhecimento para tanto.
Na informática, o negócio desanda, tudo começa nessa cultura de que tudo é fácil. No lado operacional, o cara sabe digitar um texto no Word e já acha que é professor, sabe instalar o MSN e já acha que é técnico, sabe formatar e já acha que é um engenheiro, sabe fazer um arquivo BAT e já se acha programador... No lado gerencial, se sabe a diferença entre lançamentos de crédito e de débito e já se acha um analista, sabe "mandar" e já se acha um coordenador de desenvolvimento, sabe "enrolar" os clientes e já acha que é gerente... E por aí vai...
A maioria das pessoas que trabalham com informática, na realidade, possuem um conhecimento muito básico e são pouco dedicadas em aprender mais, e isso também é culpa da filosofia do sistema amigável vendido pelo mundo capitalista. E como os cursos de formação, tanto técnica quanto superior, ainda estão em processo de amadurecimento e existem em poucos lugares do Brasil, a maioria dos profissionais aprende na prática. O problema não é aprender na prática, mas querer aprender do jeito mais rápido, sem muito esforço, e consequentemente do jeito errado.
Quantos técnicos de informática enrolados que você conhece? Quantos deles só tem uma resposta: "tem que formatar"? Quantos programadores "gambiarreiros" que você conhece? Tudo bem, você pode não conhecer nenhum destes, mas quantas empresas você conhece por aí que reclamam de seus computadores, de que a rede não funciona, a internet vive caindo, que o sistema de gestão que ela usa só dá problema, só tem erro?
Praticamente em toda esquina você vai ouvir uma pessoa ou empresa insatisfeita com os recursos de informática que tem. Existe muita concorrência na área, muitos técnicos, muitos sistemas, muitas opções, mas a qualidade geral dos produtos e serviços oferecidos é cada vez pior, isso porque a maioria dos profissionais que prestam serviço nesta área não tem o conhecimento adequado pra realizar um bom trabalho, e mesmo que tenham, tempo é dinheiro, e entre ganhar o máximo de dinheiro possível em menos tempo, mesmo que correndo o risco de deixar o cliente na mão com um serviço ruim, e dispender mais tempo pra realizar um bom trabalho, a primeira opção sempre prevalece.
Alguns até tentam oferecer uma coisa melhor, mas até mesmo as melhores alternativas dentro do modelo de gestão de TI apoiado no software proprietário sempre serão medíocres. Claro, isso pode ser causado principalmente por falta de visão dos desenvolvedores de software, mas como o objetivo é capitalista, no capitalismo a qualidade nunca será prioridade. Não estou aqui defendendo uma filosofia comunista, isso é um fato do mercado.
A esmagadora maioria das pessoas prefere o que é mais barato, são poucos o que enxergam a qualidade como um investimento. Sempre ouvimos falar que na tecnologia, na informática, as coisas mudam muito rápido, o que é novidade hoje daqui há seis meses já está desatualizado, e é assim mesmo. Agora me diga, nesse cenário, quem consegue ter tempo pra colocar a qualidade como prioridade?
Nesse aspecto gostaria de destacar o conceito de "entropia", que é tendência dos sistemas ao desgaste ou desintegração, com consequente relaxamento de padrões e aumento da aleatoriedade. Isso vêm da física. Um sistema um dia irá se desintegrar, assim como todos os seres vivos nascem, crescem, ficam velhos e morrem.
Não tem jeito, um dia tudo acaba, mas na informática todos os dias lidamos com a falta de capacidade das pessoas de levarem isso em conta. Não se dá a devida importância para os investimentos em treinamento, capacitação, atualização de tecnologia, podemos dizer que não existe preocupação com o futuro. Muitas vezes somos tão medíocres que oferecemos pro nosso cliente o pior só porque ele quer o pior.
Desenvolver sistemas pra gestão empresarial é muito mais do que fazer um programa pra gravar as informações dela num banco de dados, mas sim é auxiliá-la na melhor forma de gerir os seus negócios utilizando as soluções em informática que oferecemos como a ferramenta mais adequada para isso.
Por mais que as argumentações sejam bem semelhantes às do tópico anterior eu quis destacar este aspecto separadamente porque de fato existe uma linha tênue de diferença. A questão da falta de conhecimento é um problema prático, facilmente perceptível, mas incompetência é algo "psicológico", que pode ser mascarado.
Não ter conhecimento necessário para fazer algo é uma questão de habilidade, mas não ter competência pra fazer algo já tende a uma questão de caráter. Se, por exemplo, não ter competência para realizar a atividade profissional que possa ser considerada a mais simples já resulte em grandes transtornos no "final das contas", imagine o estrago a falta de competência em um ramo tão complexo quanto a informática pode causar.
Isso ficou um tanto quanto contraditorio...
Seu artigo defende o software livre em detrimento do proprietario. No atual cenario o software livre seria o "pequeno" e o proprietario seria o "grande".
O que você frisou em diversos pontos do artigo foi o que voce disse no seu artigo anterior, a culpa é sempre dos usuários imbecis que não se interessam em aprender a utilizar o computador corretamente, mas lembre-se, isso não vai mudar...
Sabe qual é a fórmula do sucesso? Pergunta ao Bio Gades... ele vende (caro) um sistema muito pior(isso foi vc que disse) e obtem muito sucesso...
Acho que temos que rever muitos conceitos e não seguirmos apenas paixões..
Eu torço para o meu time e não para um sistema...