Software Livre - Migração concluída

Algum tempo atrás escrevi algo sobre minha experiência em uma migração para software livre da qual estava participando como colaborador e como tenho recebido e-mails perguntando como estão as coisas atualmente, eis aqui a atual situação após a conclusão dos trabalhos iniciais de migração.

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Por: Perfil removido em 17/02/2005


Missão concluída



Quanto aos usuários comuns, que em geral não gostam de computador, sua resistência foi muito forte de início, estes após extrema má vontade em aprender e mesmo alegria quando nossa equipe cometia falhas, perceberam com o passar dos meses - iniciamos a migração da Suíte Office em Fevereiro de 2003 e do sistema operacional em Abril de 2004 - que espernear não adiantava e que deveriam trabalhar com a ferramenta que lhes era posta a disposição, pois a cobrança administrativa continuava mesmo durante os trabalhos de migração, uma vez que não paramos nenhum setor para migrar por mais que três dias. - Sim, fizemos uma migração que apesar de aprovada pela gerência local, para os usuários foi "goela" a baixo e na marra;

Não foram raras as vezes que ficamos no trabalho após o expediente, nem tão pouco as vezes em que pessoalmente tive que formatar as margens e o tamanho do papel de um ofício no OpenOffice.org em frente a um usuário de má vontade que dizia-me "no Windows era diferente" quando ele nem sabia que "no word era diferente".

Outro problema grande para o usuário comum foi a perda de liberdade em instalar e remover programas, tais como os jogos para as horas de folga do meio dia, troca do software de mp3 ou visualizador de imagens à sua vontade como se fazia no Windows, assistir filmes e tocar músicas, pois desabilitamos todas estas funcionalidades nas máquinas do trabalho.

Existe ainda o chefe pseudo-sábio, que quando percebe a flexibilidade e possibilidades do Linux, quer ganhar conceito e começa a inventar coisas para a equipe desenvolver, um script aqui, uma macro ali, uma mudança na home page da intranet e outras coisas menos importantes, que perturbam a equipe e o andamento dos trabalhos.

Ainda convivemos com alguns problemas esporádicos de vícios das redes compartilhadas do Windows, visto que muitos usuários ainda querem acessar "pastas" de outros usuários e tentam editar arquivos dentro da home do outro usuário, mas o panorama está bem melhor. No início do ano de 2004 até a cor dos ícones e o nome dos aplicativos era motivo de dor de cabeça, agora em janeiro de 2005, o KDE e os aspectos de seu funcionamento, bem como o uso do OpenOffice.org e do Mozilla, já estão difundidos e a maior reclamação é o fato de ter que montar um disquete ou CD-ROM para poder utilizá-lo - Sim, mesmo com e-mail e ftp interno ainda existem aqueles que querem ter a "informação na mão" e caminham pelos corredores com um disquete entre os dedos.

Um fato importante, o OpenOffice.org ainda não é estável quando rodando em instalações tipo net em terminais leves, sobretudo com restrições de RAM. Já entramos em contado com os fóruns, desenvolvedores e outros usuários e disseram-nos estarem surpresos com este erro ocorrendo em nossos computadores (GetStorageName not content!). Mas não é algo que impossibilite o trabalho, pois existem formas de amenizar este problema, passíveis de serem executadas por qualquer usuário.

Ainda a nível de usuários, fica evidente o problema da formação de profissionais com habilidades em informática no Brasil, poucos sabem trabalhar com os recursos que uma rede oferece. E se esta rede possuir computadores com um visual diferente daquele mostrado nos cursinhos, então se faz necessário um investimento em formação de mão de obra qualificada localmente, sobretudo para o uso da interface gráfica.

Na nossa experiência enxugamos ao máximo os menus do KDE sob o Kurumin e conseguimos bons resultados em menos de 24 horas aula, em grupos de duas ou quatro pessoas, mais um suporte personalizado que tratava as dúvidas no momento em que apareciam. O período de adaptação ao OpenOffice.org, que conviveu com o MS-Office por quase um ano, também foi importante.

Mas o mais importante é que, com boa vontade, mostramos ser possível utilizar Software Livre mesmo com dificuldade e sem apoio das esferas mais altas da nossa administração, sem solução de continuidade de qualquer tarefa operacional ou administrativa.

Viva o Linux!

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Páginas do artigo
   1. Introdução
   2. Missão concluída
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Comentários
[1] Comentário enviado por alexxxander em 17/02/2005 - 08:17h

Carao amigo, meus parabéns! Meu "sonho" é fazer a mesma coisa na empresa onde trabalho! Experiências como esta mostram a força e flexibilidade do SL.
Com um bom planejamento e insistência (esta última mais por causa dos usuários que sempre relutam em quaisquer tipos de mudanças) dá para pôr um fim a uma supremacia sem nexo, onde mesmo se pagando não se tem controle de nada.
Viva nossa comunidade, nossa união e tudo aquilo que o SL proporciona, tanto na vida profissional quanto na pessoal!
Somos felizes, mesmo sofrendo, muitas vezes, represálias, sem contar certo descrédito, por parte daqueles infelizes subordinados aos códigos fechados cujo conteúdo e segurança não nos deixam dormir tranquilos.
Abraços a todos!

[2] Comentário enviado por josir em 17/02/2005 - 17:07h

Luiz, em primeiro lugar muito obrigado por compartilhar a sua experiência conosco.
Um tópico que ficou em aberto no seu relato: como foi a reação dos usuários que já estavam acostumados com o Excel/Word ? A maior resistência que tenho encontrado são com heavy users que não querem aprender OpenOffice -
A utilização do Linux em si foi agradável para os usuários - o problema foi o Office. Somente metade dos usuários aceitaram utilizar OpenOffice por isso a migração para o Linux foi abortada.

Você teve problema de compatibilidade para enviar arquivos gerados no OpenOffice para parceiros/outras empresas ? Quando recebemos arquivos em Excel, algumas vezes os arquivos vem com pequenos problemas de impressão e de valores. Isso fez com que os usuários ficassem temerosos em utilizar o OOffice.

[3] Comentário enviado por Xxoin em 17/02/2005 - 19:41h

Luiz
-----

Parabéns pela iniciativa e pela persistência! E parabéns pelo sucesso obtido!

Compartilho com a gratidão dos colegas acima. Sua experiência, com certeza, é um incetivo e um "argumento a mais" para os que, como eu, também desejam migrar seus Sistemas e Aplicativos.

Não pare por aí... Que tal voltar para nos contar a "Missão Concluída Parte_2" ?? Ou que tal falar de suas inovações, etc...


Um abraço.

________
Edson

[4] Comentário enviado por removido em 18/02/2005 - 00:41h

Parabéns, usuários são assim mesmo é tudo uma questão de tempo para eles perderem essa birra.

Também participei brevemente de uma implementação de software livre e o povão não queria colaborar, mas foi tudo questão de tempo para quebrar tabus.

Sempre em frente, para um mundo livre.

[5] Comentário enviado por removido em 18/02/2005 - 12:17h

Interessantíssima esse relato de caso sobre migração!
Percebemos claramente como a "cultura dowindows" está arraigada nas pessoas, muito além de um raciocínio lógico!!!
Valew...

[6] Comentário enviado por hellnux em 18/02/2005 - 12:30h

e aí luiznoal?!!!

Recentemente estou passando pelo mesmos problemas qque o seu, pois no meu estágio no Tribunal de Justiça de Goiás, está migrando para o kurumin, onde estào chegando máquinas Itautec já com o kurumin adaptado

A migração está sendo feita gradativamente dando prioridade para quem ainda usa 486, windows 3.11, windows 95 (lá é um museu!!!rs)

Lá sou o único estagiário que conhece sistemas GNU/Linux sendo que esses dias estou recrutando mais 2 para me ajudar

Enqaunto ao OpenOffice, quando o usuário pede para formartar eu digo:

"Não sei mexer com editor de texto, vc sabe + que eu"
ou
"Vou passar para outra pessoa!!!"

E o pior que eles acham ruim e falam que a gente devia saber, sendo que eu sou apenas um estagiário e os funcionários nem sabe o que é Linux!!!!

Fazer migraçào realmente é dificil, ainda mais quando vc mexe com pessoas ignorantes que acham que tudo tem que ser igual no Windows..........

Enquanto aquele erro no Open Office eu vejo todo dia, e tenho que concertar aquilo, até que é bem fácil reparar, se vc sabe como faz para isso não ocorrer mais me passa uns toques!!!!

Flws...........

[7] Comentário enviado por regispadua em 18/02/2005 - 17:02h

Curti demais, mais um em meus mais mais

[8] Comentário enviado por removido em 20/02/2005 - 08:56h

Tive um problema com heavy users aqui tambem aonde trabalho
os usuarios torcendo para nao dar certo, alguns querendo que eu
saisse da empresa, mas no final todos adaptaram, menos uma
pessoa que detesta computadores e vinha com aquela frase
"Nao falei que nao dava certo!" quando mandava imprimir e nao
ligava a impressora, esta pessoa chegou ao ponto de falar
que o programa estava errado pois em contabilidade nao existe
plano de contas, acredita?
Mas quando o dono tirou o primeiro mes longe do escritorio pois
levou o notebook para o sitio e administrava a empresa remotamente
e tinha toda a analise da empresa em tres telas usou a seguinte frase:
-Quem nao quiser adaptar ao novo milenio esta convidado a sair da empresa.

ai as coisas mudaram e hoje todo mundo adora, depois da fase de
adaptacao viram que gastam menos tempo fazendo o que faziam
antigamente.
Hoje os mesmos que criticavam, mostram para os clientes como
a empresa evoluiu e que nao precisam mais fazer hora extra.
Gastei 2 anos desenvolvendo todos os sistemas da empresa
pois trabalhei sozinho


Viva o GNU/Linux

[9] Comentário enviado por quinho_k em 04/03/2005 - 18:02h

Mantenho uma rede de terminais leves ha uns 3 anos e tive muitos problemas com o OpenOffice.org, principalmente porque ele não respeita a variável $DISPLAY. Em relacao ao kernel, o único ajuste foi aumentar o número de arquivos abertos pra 16384.
No mais o resultado é muito bom (em comparacao ao Windows NT): 40 segundos até a tela de login do KDE, em um Pentium 200 MMX e 32Mb de RAM...


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