Slackware para Desktop ou Notebook em 2021

O tempo passou e muita coisa evoluiu, mesmo que outras tenham regredido, invertido ou se destruído. Mas falando em distros, será que as coisas mudaram? Veja neste artigo uma análise "de leve" sobre o assunto, visto que o Slackware sempre foi martirizado quando o assunto é desktop.

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Por: Wilker Azevedo em 18/04/2021


Introdução



Obs.: Linux não é somente o nome do kernel, é também o apelido que usamos para o Sistema Operacional, por isso, chamarei simplesmente de "Linux".

No início

Bem, no início não era fácil para qualquer distro. Realmente era coisa para hackers ou aficionados, impensável para desktops. Mas na década de 90 ele começou a ficar mais "macio" e já era possível utilizar em desktops de usuários avançados. Pois, para o usuário comum ainda era impossível. Além da dificuldade de encontrar programas, a maioria tinha que compilar, o mesmo para as dependências. Mas não era só isso, tinham erros ocorrendo o tempo todo, uma instabilidade incrível. Tudo isso era "diversão" para os aficionados e usuários avançados.

O uso massivo do Linux em servidores foi muito importante para alcançar os desktops, a velocidade e estabilidade alcançada mostrou aos programadores todo o potencial. Os "admins" de servidores também passaram a utilizar em seus desktops. Esse conjunto potencializou o foco em desktops e a coisa passou a fluir bem melhor.

Uma antiga distro chamada Kurumim estava pronta para desktops, mas... Não foi bem assim e ela foi esquecida. O Ubuntu veio e chegou arrebentando. Simplicidade no uso e facilidade nos programas impulsionaram a fama. Tudo tem um preço, certamente.

Mas voltando ao Slackware, palco de "muitas" discordâncias, é sabido que ele nunca foi uma distro para "usuários comuns", que apesar da instalação de programas serem simples através do slackpkg, ter que utilizar terminal é algo torturante para "usuários de mouse". Afinal, estamos evoluindo para uma sociedade "sem escritas", "sem leituras", de "uma página só", onde vídeos de 5 minutos são eternos.

Qualificações

Sou usuário de Slack desde a versão 3, que considero ser a mais incrível de todas, pois tudo tinha que ser feito realmente na unha. Um verdadeiro laboratório de aprendizado. Mas ao longo do tempo e das versões, o dualboot me acompanhou até a versão 12. Pois os programas que eu utilizava para trabalho (e os games) eram melhores no sistema da MS.

Na versão 13 e com os avanços dos programas, baseado em minha experiência em Linux ao longo de muitos anos, senti confiança para abandonar o dualboot e ficar somente com Linux. Não falo aqui de puritanismo, xiita ou rixa com MS, coisas com vírus, formatações, telas azuis, arquivos corrompidos do nada, HD lendo sozinho e algumas limitações sempre me perturbaram. Sem falar que toda hora tinha que reiniciar por causa de configurações simples e também pra trocar de sistema.

Então desbravei somente com Linux e até agora foi assim. Mas na época do dualboot já tentei Conectiva, Kurumim e até Ubuntu, sempre voltava para o Slackware, o motivo era simples: conhecia o Slack muito bem, também dava para notar a diferença de desempenho. Não estou dizendo que Slack é mais rápido, mas o fato de ser mais enxuto e mais "flexível" na personalização, é possível secar ele ainda mais, aumentando o desempenho. Dá pra fazer nas outras, é claro. Mas o Slack vem seco e você pode engordar ele, as outras distros vem gordas e você precisa secar elas.

Em fim, utilizar somente Slackware na versão 12 no meu trabalho e em casa foi possível devido a experiência que tenho, pois analisar o background da IDE para saber o motivo do "crash" não é obrigação de usuário leigo. Se fosse Ubuntu não tinha problema, é bem menos crash e tudo transparente ao usuário.

Versões 13 e 14

Depois veio a versão 13, que mais pareceu 50% da versão 12 e 50% da 14. Melhorou os problemas, mas não os resolveu.

Quando chegou a 14.1, já dava para notar uma diferença muito grande, restaram poucas dificuldades para o usuário comum e na versão 14.2 já é possível rodar um "slackpkg upgrade all" sem medo de Kernel Panic. Se colocar o "slackpkgplus" e incluir os melhores repositórios o Slack, é capaz de ir muito mais além.

Slackware 14.2+

Esse é o destino final (temporário), certamente rodar um "upgrade all" tendo "slackpkgplus" é um tanto arriscado e precisa saber o que está fazendo para não dar ruim, sendo que é simples de atualizar sem o plus.

É bem estranho uma distro levar alguns anos para mudar de versão, mas a estabilidade dele realmente torna desnecessário nova versão todos os anos. Ou será que o Patrick Volkerding (criador e mantenedor do Slackware) deveria compartilhar mais o projeto para não ficar somente em suas mãos?

A atualização de versão é somente um "nome", pois como qualquer outra distro, você pode ir atualizando todo mês, por exemplo.

As dificuldades

Desapareceram!

Compilação de programas é apenas um "capricho" (ou necessidade específica), não é realmente necessário para o usuário comum, visto que os contribuintes nos repositórios já compilaram e empacotaram tudo que você pode precisar. Instalação de programas via internet é extremamente simples e rápida, não só no terminal, mas também via IDE, até mesmo com resolução de dependências.

Se precisar compilar, tem um serviço transparente ao usuário, o sistema baixa, compila e instala como se você estivesse apenas instalando. Em resumo, é possível usar Slackware sem craches, sem terminal, sem opções difíceis de encontrar e sem medo.

A instalação full é bem completa, nativamente inclui até mesmo o Kde'n'Live, um editor de vídeo top e fácil de usar. Mas se você é do cinema, pode instalar o Cinelerra com um único comando. (slackpkgplus). Audacity, FreeCAD e Inkscape são outros exemplos.

Avaliação

Em 2021, com o Slackware atualizado, um usuário comum, ou leigo, pode tranquilamente ter essa distro no desktop ou notebook em casa, ou no trabalho, desde que não dependa de algo EXCLUSIVO no sistema da MS.

Não vai esbarrar com erros, instabilidade ou falta de programas, até mesmo porque é possível instalar os formatos RPM (Rad Hat) e DEB (Debian/Ubuntu) sem dificuldades. Poderá operar o desktop ou notebook com Slackware sem ter conhecimentos técnicos ou experiência com qualquer outra distro. Bastando para isso, ter a característica mais importante: Mente aberta para aprender novos nomes e posições.

Não adianta reclamar que não encontra no Linux coisas como MS Office ou SuperShell. No mundo dos carros e das casas também funciona assim, você troca de carro e precisa entender que os controles estão em posições diferentes. E na casa, os cômodos também mudaram. No Linux temos a suíte LibreOffice e o Terminal. As configurações também tem diferenças.

Mas no final de tudo, os termos e os atalhos são os mesmos.

Com o avanço da internet e a nossa dependência por ela, os Sistemas Operacionais estão ficando "esquecidos", um computador sem internet é como se estivesse estragado. Filosoficamente falando, o navegador se tornou o Sistema Operacional do usuário comum. Então se o SO funcionar, não faz muita diferença de qual seja.

   

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   1. Introdução
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Comentários
[1] Comentário enviado por mauricio123 em 18/04/2021 - 14:53h


Excelente ponto de vista mas, "Poderá operar o desktop ou notebook com Slackware sem ter conhecimentos técnicos ou experiência com qualquer outra distro.". Acho que nessa parte você viajou um pouco. Só para instalar já exige um bom conhecimento técnico. Para nós que usamos é uma tarefa simples, mas para quem nunca saiu do windows, isso pode ser um problema.

Outra coisa, embora possa ser usado o gslapt para instalar pacotes pré-compilados só pela interface, o terminal é indispensável e você sabe muito bem disso. Para atualizar o sistema, para instalar o slapt-get e o gslapt, se o usuário for desses bem fresco (e eu era), mapear pacotes quebrados, pois a maioria dos repositórios para o Slackware, não tem controle de dependências ou, não é eficiente, para esses exemplos é necessário seu uso.

O pkgtool não tem controle de pacotes quebrados e incompatíveis, o que torna um facilitador para que o usuário principiante detone o sistema. A distro que eu mais instalei até hoje foi o Slackware com certeza, pois eu também já fui principiante.

O slackware é bastante estável e sólido, para um usuário experiente. Pode ser que o usuário principiante não sofra muito no Slackware se for instalar só o Chrome e o Libre Office, porém ainda acho válido o usuário iniciante começar com um ubuntu da vida antes de usar algo como Fedora, Arch, Manjaro, Slackware, OpenSuse, Void, ...




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https://github.com/MauricioFerrari-NovaTrento [/code]

[2] Comentário enviado por Leo CCB em 18/04/2021 - 21:36h


aprendi muito usando o slack. Hoje não tenho ele instalado, estou esperando o novo lançamento.

[3] Comentário enviado por nandosilva em 19/04/2021 - 19:47h

Slackware não é uma distro para novatos que nunca utilizou Linux, apesar que atualmente ele é bem mais amigável do que há 15 anos atrás, mesmo assim não é recomendado pra adeptos somente do mouse, mas também não é um bicho de 7 cabeças, não precisa ser nenhum expert em Linux, basta apenas conhecer o funcionamento básico de qualquer distro Linux e saber utilizar o terminal.

Meu começo com o Slackware foi com a versão 8.0 onde não subi fazer quase nada nele e principalmente o que eu queria
que era instalar uma impressora pois nesta época se não me engano o cups não era utilizado como servidor de impressão padrão, então desistir e partir para outra distro.

Anos depois já com bastante experiência em Linux, comecei a usar o Slackware 10.0 e mais tarde fui para o 10.1 ambos neste época com Internet discada, coisa que não conseguir configurar ou não soube nas outras distro anteriores onde usei ambos por um bom tempo.

Depois dei uma pausa no Slackware e só voltei na versão 12.0 e 12.1 usando ambos por um bom tempo.

Experimentei o 13.0 e o 14.0 em outra partição, mas ambos usado em torno de 1 semana apenas.

Voltei a utilizar o Slackware como distro default na versão 14.1 e 14.2 no qual usei por um longo tempo, experimentei também ao mesmo tempo o Salix 14.1 em outra partição, onde trouxe várias coisas do Salix para a versão do Slackware 14.2 como o repositório do Salix 14.2, o uso do slapt-get, fiz uso do sbopkg para o repositório slackbuilds e muitos pacotes
baixei binários de repositórios do alien bob e de outros famosos para o Slackware diretamente via navegador web, não tendo grande dificuldades na utilização do Slackware 14.2 no qual usei por anos, somente sair devido a problema de novo hardware adquirido (troca da placa mãe, cpu e memória) no qual enfrentei alguns problemas então optei para usar outras distros.

Uma coisa que deveria mudar no Slackware atualmente é a parte de instalação de pacotes, não por ser em modo texto, mas
aquelas várias opções opções de categoria de pacotes confunde muito, devia simplificar como somente instalação Mínima (modo texto somente), Básica (com X Windows, servidor de impressão e samba incluído que considero essencial e Full (tudo).


[4] Comentário enviado por mauricio123 em 19/04/2021 - 21:11h


Nunca vi problema no método de instalação. É o charme do Slackware.

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[5] Comentário enviado por cytron em 20/04/2021 - 19:27h


[1] Comentário enviado por mauricio123 em 18/04/2021 - 14:53h


Excelente ponto de vista mas, "Poderá operar o desktop ou notebook com Slackware sem ter conhecimentos técnicos ou experiência com qualquer outra distro.". Acho que nessa parte você viajou um pouco. Só para instalar já exige um bom conhecimento técnico. Para nós que usamos é uma tarefa simples, mas para quem nunca saiu do windows, isso pode ser um problema.

Outra coisa, embora possa ser usado o gslapt para instalar pacotes pré-compilados só pela interface, o terminal é indispensável e você sabe muito bem disso. Para atualizar o sistema, para instalar o slapt-get e o gslapt, se o usuário for desses bem fresco (e eu era), mapear pacotes quebrados, pois a maioria dos repositórios para o Slackware, não tem controle de dependências ou, não é eficiente, para esses exemplos é necessário seu uso.

O pkgtool não tem controle de pacotes quebrados e incompatíveis, o que torna um facilitador para que o usuário principiante detone o sistema. A distro que eu mais instalei até hoje foi o Slackware com certeza, pois eu também já fui principiante.

O slackware é bastante estável e sólido, para um usuário experiente. Pode ser que o usuário principiante não sofra muito no Slackware se for instalar só o Chrome e o Libre Office, porém ainda acho válido o usuário iniciante começar com um ubuntu da vida antes de usar algo como Fedora, Arch, Manjaro, Slackware, OpenSuse, Void, ...




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Certo, seus argumentos são bastante válidos. Entretanto, é preciso considerar uns pontos que acabam criando a "excessão": A questão do "usuário comum" tem mudado muito, pois atualmente não se faz curso de informática para usar o computador. As pessoas simplesmente "começam a usar" o computador. Porém, nem todas as pessoas que usam um computador sabem instalar um programa, considerando Windows. Todos nós conhecemos pessoas que usam o computador em casa ou no trabalho e não sabem instalar uma impressora, instalar um programa ou até mesmo diferenciar um site oficial do fake, elas pagam uma "formatação" porque não fazem ideia de como se instala um sistema. Então "não podemos" dizer que Linux ou Slackware seria "complicado" para essa pessoa porque instalar um programa seria complexo, visto que no Windows "já é complexo" para elas. A complexidade em instalar um Linux para um usuário leigo é muito equivalente ao Windows. Mesmo assim, caso o usuário se arrisque, a chance de sucesso é grande, pois no Slackware a instalação default é quase um avançar e concluir. Exceto o particionamento. E a configuração final para uso está pronta, até mesmo ao plugar um telefone, nem precisa de "root" para acessar e modificar.

Logo, especifico melhor: Usar Slackware atualmente é tranquilo para uma pessoa que já pega o sistema "pronto" (instalado e cofigurado). Quando ela precisar de alguma instalação ela pode fazer como sempre fez no Windows, ou seja, tenta fazer por conta ou pede para alguém. Isso é muito comum e sempre estamos testemunhando.

Coneço algumas pessoas que usam Slackware e não fazem ideia do que é um terminal. Estas pessoas usam normalmente e sem dificuldades. Ainda tive a surpresa de que instalaram Scribus e Inkscape sozinhas, são máquinas de um Ateliê (fabricam livros e agendas artesanais), usam impressora laser e até uma Silhouette. Depois que atualizei o Slack para a versão currente eles elogiaram muito o XFCE e o KDE Plasma mesmo sem saber esses nomes.

Por tanto, não estou teorizando, as pessoas estão realmente usando.

Mas também compartilho da sua forma de pensar, se o usuário depender do terminal, certamente terá dificuldades, assim como no Windows, qual usuário leigo sabe o que é cls, dir, msconfig, regedit e tantas outras coisas técnicas do Windows? A "informática" está evoluindo para um formato em que as pessoas não precisam aprender para usar.

[6] Comentário enviado por mauricio123 em 23/04/2021 - 08:59h

Sim, ultimamente o Slackware vem estado cada vez mais completo e pronto para o uso. E seu depoimento bateu com o que eu havia mencionado acima "Pode ser que o usuário principiante não sofra muito no Slackware se for instalar só o Chrome e o Libre Office". Só muda que instalaram o Scribus e Inkscape, que estão no Slackbuilds e portanto, bem mais simples de instalar. Ou seja, aqui eu já estava mencionando possíveis exceções.

"se o usuário depender do terminal, certamente terá dificuldades, assim como no Windows, qual usuário leigo sabe o que é cls, dir, msconfig, regedit e tantas outras coisas técnicas do Windows? A "informática" está evoluindo para um formato em que as pessoas não precisam aprender para usar."

Também compartilho dessa ideia. Mas vamos lembrar que tem muitos sistemas que já chegaram nesse ponto em que as pessoas não precisam aprender para usar, mas não vejo que o Slackware já está nesse ponto, embora eu esteja vendo progresso nesse quesito.

"Coneço algumas pessoas que usam Slackware e não fazem ideia do que é um terminal. Estas pessoas usam normalmente e sem dificuldades. "
Com tantos tutoriais na internet não é surpresa essas pessoas usarem o sistema sem dificuldades. Como são máquinas de um Ateliê, o terminal realmente não tem muita relevância, mas provavelmente eles devem ter alguém especializado para cuidar da manutenção dos computadores.

Já começar usando o Slackware como primeira distro, é ser muito valente no meu ponto de vista, considerando que nem o Deepin eu recomendaria para o usuário iniciante. (Quem usou sabe do que eu estou falando, bug, bug, bug, ... ).

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