Instalando o Slackware em um computador sem cdrom, placa de rede e disquete

Saiba como instalar o Slackware em computadores antigos, principalmente notebooks, via PLIP. Aprenderemos desde como confeccionar um cabo laplink até como configurar o servidor NFS que irá nos prover os arquivos de instalação via porta paralela.

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Por: Leonel Freire em 04/07/2004


Configurando a rede no servidor



Supondo que você já tem o cabo, podemos trabalhar agora na parte do servidor.

Antes de mais nada olhe no setup da sua placa mãe a configuração da sua porta paralela e se possível deixe com o IO=0x378, IRQ=7 e DMA=3 (padrão).

Primeiro de tudo, se você já tem um computador com o nfsd rodando, configurado e funcionando, você já sabe o que fazer, basta aprender como conectar via porta paralela e o resto funciona como uma interface de rede normal. Caso contrário siga os passos abaixo.

Tudo a partir daqui deve ser feito como root, pois estamos configurando o sistema.

Você deve verificar se o seu kernel dá suporte a interface PLIP (Parallel Line IP), uma boa maneira de fazer isso é verificar o "config" do seu kernel, no caso do Slackware é pra ele estar em /boot/config-algumacoisa e caso você tenha recompilado o kernel ele vai estar em /usr/src/versaodokernel/.config (isso se você não apagou o diretório). O padrão do kernel ide do Slackware é manter o PLIP como módulo. Para verificarmos se o kernel dá suporte ao PLIP executamos:

$ cat config-algumacoisa | grep PLIP

ou, caso não esteja lá:

$ cat .config | grep PLIP

em qualquer um dos casos devemos obter:

CONFIG_PLIP=m (indica que está como módulo)
ou
CONFIG_PLIP=y (indica que está como nativo)

Se você obter CONFIG_PLIP=n, então seu kernel não foi compilado com suporte ao PLIP e você vai ter que recompilá-lo, o que foge do escopo desse artigo (com certeza você encontra alguma coisa aqui no VOL =D).

Depois disso devemos procurar saber se o kernel está com suporte a porta paralela com os ítens: CONFIG_PARPORT e CONFIG_PARPORT_PC igual a y ou m. Para verificar repetimos os passos acima substituindo ... | grep PLIP respectivamente por ... | grep PARPORT e ... | grep PARPORT_PC. Aproveitando que estamos verificando isso, podemos olhar também se os ítens CONFIG_NFS_FS, CONFIG_NFS_V3, CONFIG_NFSD, CONFIG_NFSD_V3 também estão com suporte, usando os mesmos comandos acima.

DICA: Se você for recompilar o kernel, deixe PARPORT, PARPORT_PC e PLIP como módulos, pois depois fica mais fácil de definimos um endereço de io e um irq para a porta paralela.

Vamos agora trabalhar no servidor em si, vamos configurar uma rede ponto a ponto PLIP com a seguinte configuração:
  • destino : 192.168.0.1 netmask 255.255.255.255
  • servidor: 192.168.0.2 netmask 255.255.255.255

Para verificar se os hosts destino e servidor já estão definidos em seu sistema, basta dar um ping:

$ ping destino
$ ping servidor


Você deve optar algo como:

$ ping destino
ping: unknown host source

$ ping servidor
ping: unknown host source

Se não, se você obtiver resposta, mude os nomes "servidor" e "destino" à vontade, desde que obedeça a nomenclatura até o final do artigo.

Devemos fazer a mesma coisa com os IPs para ver se eles já não estão definidos:

$ ping 192.168.0.1
connect: Network is unreachable

$ ping 192.168.0.2
connect: Network is unreachable

Caso esteja tudo OK, não precisa mudar nada (você pode escolher outros nomes, endereços ou outra netmask, desde que a netmask seja a mesma, tanto no servidor como no destino).

Caso você já esteja rodando o nfsd (servidor NFS), mas não esteja utilizando (não deveria =P), você deve matá-lo, mate também caso esteja rodando o rpc.portmap e o rpc.mountd.

A melhor maneira de fazer isso é indo no diretório /etc/rc.d e ver se estão com autorização de execução:

# ls -l rc.portmap
# ls -l rc.nfsd


Você deve obter algo como:
-rw-r--r--  1 root  root   905 2003-09-13 19:38 rc.portmap
-rw-r--r--  1 root  root  2449 2003-08-26 23:51 rc.nfsd
Indicando que eles não são executáveis e por padrão não foram carregados.

Se você obter algo como:
-rwxr-xr-x  1 root  root  2449 2003-08-26 23:51 rc.nfsd*
-rwxr-xr-x  1 root  root   905 2003-09-13 19:38 rc.portmap*
Isso indica que eles foram carregados, então faça:

# ./rc.portmap stop
# ./rc.nfsd stop


Isso é necessário para parar os dois processos.

Agora edite o seu /etc/hosts adicionando as seguintes linhas:

192.168.0.1             destino
192.168.0.2             servidor

Depois edite o arquivo /etc/exports colocando a linha do diretório que você quer compartilhar, pode ser qualquer diretório, desde que lá esteja os arquivos do Slack. Vou supor aqui que o CDROM do Slack está montado em /mnt/cd, então vou adicionar:

# This file contains a list of all directories exported to other computers.
# It is used by rpc.nfsd and rpc.mountd.

...
/mnt/cd servidor(ro) destino(ro)
...

Isto faz com que tanto o computador servidor como o destino tenham acesso ao diretório /mnt/cd quando acessados via NFS, o (ro) significa read-only (apenas leitura).

Feito isso vamos verificar se o arquivo /etc/nsswitch.conf contém o ítem files na opção hosts:

# /etc/nsswitch.conf
#
# An example Name Service Switch config file. This file should be
# sorted with the most-used services at the beginning.

...
hosts:          files dns
...

Vamos agora colocar a interface PLIP para funcionar (finalmente =P).

OBS: Um computador IBM/PC pode ter até 3 portas paralelas e as interfaces seriam chamadas plip0, plip1 e plip2, estou supondo que no seu computador só existe uma, portanto plip0.

Se você está com uma impressora funcionando, com certeza o daemon lpd vai estar rodando, para verificar digite:

$ cat /proc/devices

Você deve obter algo como:

Character devices:
...
6 lp
...

Se sim, devemos então matar o daemon lpd e descarregar o modulo lp do kernel (se seu kernel estiver com o lp como nativo você terá que recompilar), faça:

# killall lpd
# rmmod lp


Você não é obrigado a fazer isso tudo com o coitado do lp, mas esse artigo pode não funcionar se o lp estiver ativo. Você pode tentar continuar, mas não posso garantir nada (comigo funcionou sem o lp, não testei sem =D).

Verifiquemos agora se os módulos parport, parport_pc e plip estão ativados:

$ lsmod
Module                  Size  Used by
...
plip                   14344  0
parport_pc             31072  1
parport                35264  2 plip,parport_pc
...
Se estiverem carregados descarregue: (nessa ordem)

# rmmod plip
# rmmod parport_pc
# rmmod parport


Agora recarregue usando o seguinte, e nessa ordem:

# modprobe parport
# modprobe parport_pc io=0x378 irq=7 dma=3
(ou o da sua configuração)

E agora? Deu certo? Vamos olhar:

# tail /var/log/messages

Você deve obter algo como:

...
Jun 15 10:38:05 leonel kernel: parport0: PC-style at 0x378 (0x778), irq 7, dma 7 [PCSPP,TRISTATE,COMPAT,ECP,DMA]
...

Agora vamos carregar o PLIP:

# modprobe plip

e

# tail /var/log/messages
...
Jun 14 23:56:09 leonel kernel: NET3 PLIP version 2.4-parport [email protected]
Jun 14 23:56:09 leonel kernel: parport0: PC-style at 0x378 (0x778) [PCSPP,TRISTATE]
...

Isso significa que tudo foi carregado como deveria. =D

Vamos agora configurar a interface plip0:

# ifconfig plip0 servidor pointopoint destino netmask 255.255.255.255 up (pointopoint e não pointtopoint =D)

Dê uma checada:

# ifconfig plip0
plip0     Link encap:Ethernet  HWaddr FC:FC:C0:A8:00:02
          inet addr:192.168.0.2  P-t-P:192.168.0.1  Mask:255.255.255.255
          UP POINTOPOINT RUNNING NOARP  MTU:1500  Metric:1
          RX packets:39204 errors:0 dropped:9 overruns:0 frame:0
          TX packets:370144 errors:0 dropped:0 overruns:0 carrier:0
          collisions:0 txqueuelen:10
          RX bytes:0 (0.0 b)  TX bytes:0 (0.0 b)
          Interrupt:7 Base address:0x378
Agora para testar, pingue você mesmo:

# ping servidor
PING servidor (192.168.0.2) 56(84) bytes of data.
64 bytes from servidor (192.168.0.2): icmp_seq=1 ttl=64 time=0.117 ms
64 bytes from servidor (192.168.0.2): icmp_seq=2 ttl=64 time=0.070 ms
64 bytes from servidor (192.168.0.2): icmp_seq=3 ttl=64 time=0.066 ms
64 bytes from servidor (192.168.0.2): icmp_seq=4 ttl=64 time=0.066 ms
64 bytes from servidor (192.168.0.2): icmp_seq=5 ttl=64 time=0.050 ms
--- servidor ping statistics ---
5 packets transmitted, 5 received, 0% packet loss, time 4017ms
rtt min/avg/max/mdev = 0.050/0.073/0.117/0.025 ms
...

Isso significa que você está recebendo resposta de você mesmo (meio inútil? =P).

Faça agora:

# route

Você deve obter algo como:

Kernel IP routing table
Destination     Gateway         Genmask         Flags Metric Ref    Use Iface
target          *               255.255.255.255 UH    0      0        0 plip0
loopback        *               255.0.0.0       U     0      0        0 lo
...

Se não, vamos definir uma rota:

# route add -host 192.168.0.1 dev plip0

Se você quiser ter certeza ou for muito desconfiado, digite "route" novamente e verifique se está tudo OK.

Finalmente a rede na parte do servidor está pronta =D
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Páginas do artigo
   1. Um pouco de historia (pode pular =P)
   2. A quem é dirigido esse artigo?
   3. Do que você vai precisar?
   4. O que será feito e algumas dicas antes de prosseguir
   5. Construindo o cabo
   6. Configurando a rede no servidor
   7. Configurando o NFS no servidor
   8. Instalação em um computador sem disquete, cdrom e placa de rede
   9. Para quem tem disquete
   10. Pra finalizar
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Comentários
[1] Comentário enviado por fabio em 04/07/2004 - 01:20h

Excelente artigo, bem completo e muito bem explicado. Parabéns Leonel!

[2] Comentário enviado por taiar em 04/07/2004 - 15:15h

huuummm...

artigo MUITO específico ...

legal pois ensina a compartilhar as coisas pela porta paralela!!! XD

e tem SLACKWARE!!

XD

muito bem explicado!

[3] Comentário enviado por edersomangelo em 13/11/2004 - 10:38h

Putzzzzzzzz, era o que eu tava procurando a um tempao, (tava sofrendo para fazer isso do meu geito), adorei seu artigo, me fez perder menos tempo para instalar o slack nas minha estações, valewwww
parabenszaço, quando eu crescer quero ser como voce :D

[4] Comentário enviado por wagnerdequeiroz em 26/06/2006 - 14:11h

Alguem tem uma ideia de fazer plip no Debian. Fiz os disquetes de instalacao do Debian (Boot,rood,net-drivers,cd-drivers). Mas o plip lá nao funfeia nem no porrete. (Nem tem ping), o outro computador, este sim rodando debian sarge, pinga a si mesmo via plip bem.

[5] Comentário enviado por F4xl em 28/07/2006 - 02:07h

Esse recurso deve ser útil principalmente para aqueles que trabalham "resussitando" micros antigos, sem drives como CD ou disquetes disponíveis na máquina... Mais um artigo nota 10 :-) Parabéns!

[6] Comentário enviado por wallisonrm em 27/07/2007 - 11:52h

Artigo muiito bom cara...
teve manha :)...


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