Necessidade do profissional de informática

A regulamentação da profissão na área de informática e os prós e contras desse tema polêmico. Esse assunto está cada vez mais sendo discutido e com certeza toda e qualquer decisão tomada terá reflexo direto não só na comunidade Linux em geral, mas em toda a área da informática.

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Por: Leandro Figueiredo Ortiz em 29/09/2004


Introdução



O mercado da área de informática é vivo, ou seja, está constantemente crescendo e mudando de foco. Isso significa que o que é essencial hoje, amanhã pode nem mais existir. Por esse motivo, exige-se que seus profissionais estejam em constante formação e busca por novos conhecimentos.

A formação técnica ou superior não garante conhecimento, nem tão pouco avalia um profissional. Serve sim como uma importante ferramenta no seu desenvolvimento.

Ser um "profissional de informática" é algo muito relativo e complexo, pois a informática abrange uma grande gama de setores, os quais exigem grande conhecimento e domínio de ferramentas só empregadas àquele setor. Na maioria das vezes, ter um diploma de curso superior ou até mesmo uma pós-graduação não significa que se tem o conhecimento completo da área em que se forma. Ao contrário, uma pessoa autodidata, que se mantém atualizada quanto às tendências de mercado e às novas tecnologias, possui igual ou maior conhecimento do que um profissional com vários anos de formação.

Analisando dessa forma, podemos indagar:

- Então alguém que estuda e domina a técnica da cirurgia cardíaca pode sair por aí operando pessoas com problemas no coração?

Não. Como no caso do médico, é preciso que o profissional de informática obtenha uma autorização junto aos órgãos competentes para que possa exercer suas atividades e ser responsável por elas. E é exatamente isso que falta na área de informática: um órgão de classe que regulamente, proteja e reja a profissão das pessoas ligadas aos vários setores da informática. Não estou querendo que somente os profissionais com diplomas de cursos superiores possam fazer parte do mercado, mas é realmente preciso que se faça algum tipo de certificação para que o profissional de informática possa atuar na sua área e estar ao mesmo tempo que sendo responsabilizado por seus atos, também se sentir amparado por alguma norma.

Essa discussão possui um tema bastante polêmico e vem sendo largamente alimentada no site da SBC (Sociedade Brasileira de Computação):
Resolvi publicar ele aqui no Viva o Linux por achar um assunto de interesse de todos e também por fazer parte de um projeto de pesquisa que venho desenvolvendo nesse tema.

   

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Comentários
[1] Comentário enviado por fdavid em 29/09/2004 - 03:18h

Concordo com o tema
Tem muito picareta por ai e acaba queimando a classe toda.

Precisamos de um orgão para punir os picaretas, mais sem restringir o profissional sem formacão.

Tem muito cara que eh cobra em informatica e só tem o 2 Grau

[2] Comentário enviado por agk em 29/09/2004 - 08:32h

É um tema bastante polêmico esse, mas concordo que deva haver um órgão que regulamente, proteja e garanta os direitos dos profissionais competentes e comprometidos com a profissão e que puna os "picaretas".
Quando a qualificação tem muita coisa que as empresas grandes já estão de olho, procuram profissionais que tenham a certificação necessária para atuar, no caso LPI, certificações MS, certificações em DB, entre outras. Mas realmente o que falta é unir a classe e lutar pelos nossos direitos. Vejam o que fazem os advogados, os médicos, os metalúrgicos, eles são uma classe unida e lutam em pró dos seus direitos.

[3] Comentário enviado por adriano_ss2404 em 29/09/2004 - 10:00h

Sim, também concordo.
Sou típico caso de profissional com experiência de mais de 17 anos na área e sem formação específica.
Conheço bem o unix e agora estou me aventurando no Linux.
Gostei muito, principalmente porque está unindo toda classe. Veja que a maioria dos fóruns/discussões são de ou para linux.

[4] Comentário enviado por _simmons_ em 29/09/2004 - 10:03h

Interessante o artigo. E principalmente o lance de ter diploma de curso superior.

Eu não acho que diploma muda a vida de ninguém e muito menos garante alguma coisa no ramo da informática. Agora as certificações sim , são um bom método de se avaliar alguém, mas certificações do tipo LPI, RHCE, IBM e que tenham provas sérias e que realmente avaliem o conhecimento do candidato, e não essas que você faz um curso , paga e ganha a certificação "Zé Linux Super Tabajara Plus Administrator".

Hoje em dia a coisa mais fácil que existe é ter curso superior. Faculdades de informática existem aos montes, cursos que preparam "técnicos" também.

E é por isso que o mercado tá cada dia mais disputado, porque geralmente quem detêm mais conhecimento e cobra um preço justo, tem que concorrer com aquele zé mané que fez um cursinho qualquer e cobra "déis reau" pra instalar um "servidor"(com o Kurumin) e configurar uma rede de 5 máquinas.

É o mesmo caso de quem trabalha com web , nossa, o que eu vejo de "webmasters" que não conhecem nem o site da w3c é assustador. E a maioria deles tem faculdade, curso disso e daquilo. Quer dizer, o cara é formado naquela área mas não sabe que existe um padrão para se fazer páginas da web ? Tsc..tsc...

Mas acho até que o buraco é muito mais embaixo, porque você pega um monte de professores dessas "escolas" de informática e o cara não sabe nem quais são as classes de rede existentes, não sabe diferenciar memória EDO de uma DDR(nossa..acho que chutei o balde aqui), e por aí vaí.

Já até passou da hora de se criar um orgão que regulamente a informática no Brasil, mas algo que seja transparente e que nós (desenvolvedores, usuários e amantes da informática) opinemos. E não deixar deputados e vereadores inventarem "modinhas" pra ganhar eleição.


[]'s

André Michi

[5] Comentário enviado por y2h4ck em 29/09/2004 - 11:40h

Bom eu creio que um grande passo em direção a regulamentação está nas Certificações. Embora sejam caras e de dificil acesso as vezes, hj elas constituem um grande investimento, e tambem ajuda na hora de vc demonstrar que tem conhecimento em determinada Area.

Por exemplo eu trabalho com Segurança da Informação. Tenho certificação de CSO - BS ISO 7799,assim posso comprovar que estou apito a trabalhar ná area que pretendo, pois para obter a certificação tive que fazer treinamento e passar em uma prova, sendo assim passo confiança. Quanto ao assunto levantado ao curso superior, uma das vantagens da area da informatica e que se valoriza o conhecimento e nao um pedaço de papel, eu nao tenho formação, faço faculdade de matematica, entao acho que tem muito a ser discutido e melhorado. Mas oq todos queremos e trabalhar, mostrar conhecimento, e mlhorar o panorama desse brasil.

[]s a todos

[6] Comentário enviado por androle em 29/09/2004 - 13:24h

Interessante isso tudo que vcs comentam. Parece ser unânime que ter um curso superior na área não implica em excelência no trabalho.

Tenho formação em Letras e sempre achei que seria muito difícil trabalhar nessa área pq não tinha um diploma do ramo. Agora fiquei mais otimista.

Qual certificação para Linux que vocês aconselham para começar? LPI? Conectiva? Alguém conhece alguma certificação para Debian?

Um abraço

Leandro

[7] Comentário enviado por perigo em 29/09/2004 - 14:13h

Não defendo e não dou apoio a nada, acho que sendo assim vou pegar alguns livros de direito estudar e fazer aquela prova da OAB e atuar como advogado, ou quem sabe exista alguma para CRM, CRF, etcs. Pronto ja sei, vou me formar em todos esses cursos.

[8] Comentário enviado por perigo em 29/09/2004 - 14:21h

Não defendo e não dou apoio a nada, acho que sendo assim, vou pegar alguns livros de direito estudar e fazer aquela prova da OAB e atuar como advogado, ou quem sabe exista alguma para CRM, CRF, etcs.

[9] Comentário enviado por perigo em 29/09/2004 - 14:47h

Não defendo e não dou apoio a nada. Minha opniao é que a informatica é um campo extremamente amplo, tanto que há varios tipos de cursos. Dessa forma, pelos comentarios que li não vejo a importancia do curso superior mencionado acima, vejo que muitas pessoas estao se aproximando da informatica pois o mesmo gosta dessa, e tao pouco valoriza as atividades academicas, fica meio estranho, da uma ideia que seria a mesma que pegar alguns livros de direito estudar e fazer aquela prova da OAB e atuar como advogado, sem mesmo passar por uma universidade (que não é possivel), ou quem sabe exista alguma para CRM, CRF, etcs.
Se algumas universidades não preparam o profissinal adequado ou mesmo, ha alguma falha na adequacao de cursos e formacao do profissional isso fica a criterio do conselho do curso. Esse tipo de atividade atual só traz incertezas na vida dos futuros profissionais.

Fazer um curso a fora (nao sendo universitario, mas adicional ao mesmo), se trata mais de uma especializacao profissional que se torna obrigação da area.

[10] Comentário enviado por wronieri em 29/09/2004 - 15:00h

Acho que ja está na hora de separar os que são realmente boms dos picaretas sem prejudicar aqueles que somente tem o 2o grau ou Técnico, na minha humilde opinião poderia ter provas no estilo das certificações que temos hoje talvez específica para alguma área ou geral assim, valoriza o conhecimento e não a graduação, pois tem muitos na minha turma da faculdade que só tiram 10 e nem frequentam as aulas e sempre que pinta um problema recorrem ao pessoal que nao tira nota mas é fera em tecnologia.

[11] Comentário enviado por alphainfo em 29/09/2004 - 15:49h

É muito complicado esse assunto. Obviamente, a formação acadêmica não garante excelência na profissão, mas ela com certeza te dará uma visão muito mais ampla na execução dos serviços.

Um cara que pegou livros e impiricamente vai aprendendo, sem entender ao certo o que faz (receitas de bolo) não terá condiçoes de resolver problemas mais complexos. Obviamente, o fácil e simples TODOS sempre irão fazer.

Entretanto acho errado deixar que a iniciativa privada e o mercado regulem a profissão e ditem regras. Acredito que um conselho daria mais segurança tanto para os clientes, que teriam profissionais com um mínimo de conhecimento, quanto para os próprios profissionais, que não teriam que ficar nessa "selva" participando de verdadeiros "leilões" para praticarem o serviço.

E é claro, não tem nem como comparar o cara que passa 4 anos ou mais na faculdade, estudando Grafos, Técnicas de programação, Banco de dados, Sistemas Operacionais, entre inúmeras outras matérias, além da troca de experiência com professores e colegas de classe, com um cara que estudou Direito, Administração, entre outros (nada contra, mas nem a favor tb, hehehe) que pegam as receitinhas de bolo na Internet e saem vendendo esses serviços. Isso o mercado deve valorizar com certeza.

[]'s


Daniel

[12] Comentário enviado por androle em 29/09/2004 - 16:28h

"E é claro, não tem nem como comparar o cara que passa 4 anos ou mais na faculdade, estudando Grafos, Técnicas de programação, Banco de dados, Sistemas Operacionais, entre inúmeras outras matérias, além da troca de experiência com professores e colegas de classe, com um cara que estudou Direito, Administração, entre outros (nada contra, mas nem a favor tb, hehehe) que pegam as receitinhas de bolo na Internet e saem vendendo esses serviços. Isso o mercado deve valorizar com certeza. "

Ei, nem todo mundo que não estudou formalmente só sabe seguir receitinhas de bolo da internet.

Acho que o ideal é, se vai trabalhar na área, ter algum tipo de curso acadêmico. Fiz Letras na faculdade, mas estou fazendo pós-graduação em Linux. E segundo o coordenador do curso, o melhor aluno que ele já teve até hoje foi um DENTISTA, embora mais de 90% dos alunos tenham curso superior em informática.

Afinal, não há motivo para não ter um curso superior de algum tipo se você quer ser um bom profissional. Nesse ponto concordo com você.

Agora, não acho que esse curso tenha de ser necessariamente informática. Tenho um amigo que é adm. de redes, sabe muito, e vai fazer Administração de Empresas. Ele quer trabalhar com informática e gestão de segurança, gestão empresarial.

Conheço caras com curso superior em informática que nem sabem direito o que é IP. E ai, então só porque tem um diploma ele está mais apto que alguém que não tem diploma, mas sabe o que está fazendo?

É complicado apoiar esse ponto de vista.

Veja, por exemplo, o Rubens Queiroz do Dicas-L. Até onde sei ele é Engenheiro Elétrico. Pelo seu raciocínio ele não deveria trabalhar administrando redes nem nada relacionado à área.

Outra coisa, acho que quem tem formação em matemática ou letras tem mais facilidade em aprender certas coisas que os que se formaram na área da informática e NÃO cultivam o hábito da leitura. Informática trata com INTERPRETAÇÃO e LÓGICA. Se vc domina isso, já tem muita coisa.

Isso sem falar nas boas idéias que quem não é da mesma área pode ter.

Bom, isso é o que penso.

[13] Comentário enviado por marcelogpl em 30/09/2004 - 09:28h

Caros companheiros, fico feliz que mais pessoas da nossa comunidade pensem na necessidade de organização, afinal somos profissionais. Hoje em dia a informática é conhecimento estratégico em todas as organizações, temos que organizar valores, serviços, QUALIDADE, ....
Mas nunca discriminarmos o conhecimento autodidata, visto que todos defendemos o Software Livre, logo não podemos desejar aprisionar ou considerar conhecedor somente os que saem de Universidades(que são de fonte duvidosa), afinal qual Universidade ensinava Software Livre a 5 anos ?
Vamos organizar considerando que o software livre é anárquico, surge do KAUS, da própria rebeldia que reside dentro de cada um.

" Libertar é preciso !!!"

Vamos aprofundar o assunto,

Marcelo


[14] Comentário enviado por jllucca em 30/09/2004 - 13:10h

Pessoal,

acho q a discução rumou pra um caminho errado. O foco do artigo não era se ter ou não graduação(ou pos) é importante e sim sobre as pessoas que estão na area de forma muito precaria. Talvez por não querer ler e nem apreender ou talvez por pura preguiça mesmo. Esse tipo de profissional que não quer nada com nada e que está ai atuando e queimando o nosso filme.

[]'s

[15] Comentário enviado por lefigo em 30/09/2004 - 13:45h

É isso aí pessoal! O jlluca tem razão! O foco do artigo é a qualidade (ou a falta dela) de alguns profissionais que atuam no mercado, e a não existência de um órgão regulamentador de padrões como valores de honorários, etc... Resumindo, infelizmente na nossa área ainda não existe ética. É um querendo comer o outro (no bom sentido). Sorte que ainda temos pessoas como o próprio Fábio e algumas comunidades que mantém sites como esse onde o principal intuito é ajudar as pessoas que querem se aprofundar e melhorar na área!

[16] Comentário enviado por carasemcerebro em 30/09/2004 - 14:32h

Devemos levar em consideração que vivemos num pais dificil de encontrar emprego, eu por exemplo tentei entrar para area mas vi que era muito incopetente e larguei a faculdade(poderia ser um autodidata) pois tinha,graças a deus, condições finaceiras para tal. Mas e agora se eu não tivesse money para investir em outra faculdade, teria de ser mais um picareta.

Não estou defendendo os picas, mas o modo de que as carreiras são apresentadas aos estudantes deveria ser repensadas.

[17] Comentário enviado por androle em 30/09/2004 - 18:34h

Hum, não penso que a discussão tomou um rumo errado. Acho que para poder separar o joio do trigo, digo, regulamentar padrões, honorários, etc., é fundamental definir uma formação mínima.

Afinal, o que vai dizer ao mercado que o profissional X é bem capacitado?
A certificação?
A universidade?
Os dois?
Portfolio de projetos já feitos?

O que afinal define o mercado?

O único jeito de ter um tipo de "Carteira de informática" nos moldes da OAB é definir o que um profissional de informática deve ser/fazer para poder ser considerado apto.

Acho que vc não tem como saber quem é picareta só olhando. Tem de haver um tipo de controle/critério para dizer quem é quem.

Acho que o caminho é uma certificação muito forte, exigida e reconhecida por governos, por exemplo. Tipo, um governo não vai contratar um veterinário com registro cassado, ou um médico ou advogado, etc. Assim, tem de ter um tipo de registro nacional ou internacional que diga :fulano sabe X ou Y de informática. Que haja uma associação regional e que possíveis processos e reclamações passem por esse orgão. Tipo CRM, ou CRO.


Leandro

[18] Comentário enviado por fabio em 01/10/2004 - 09:18h

Com relação a que caminho seguir no ramo da informática, essa decisão deve ser sólida e vir desde os primeiros períodos da faculdade. Com certeza um ponto que é muito falho nos cursos de terceiro grau, pelo menos nos de informática, são as dicas com relação as perspectivas no mercado de trabalho. Enfim, muita gente sai bem cru da universidade e quando se forma acaba moldando suas habilidades de acordo com a primeira oportunidade que pinta.

Por exemplo, muita gente sai do curso sem nenhuma especialização, sendo assim essa pessoa se torna um profissional promíscuo e sem muitas perspectivas. Se pintar um estágio em .Net, ele se tornará um profissional .Net e se esse não for o seu "cargo-chefe", acaba de nascer mais um profissional "meia-boca". Se pintar uma oportunidade como analista de suporte, ele segue a maré. Pelo menos essa é minha leitura sobre o relacionamento entre recém-formados de informática e o cenário atual do mercado de trabalho.

O ideal seria uma pré-preparação do aluno a partir do segundo ou terceiro ano de curso. Ele já deve ter uma visão panorâmica de mercado e saber exatamente o que quer fazer. Hoje em dia isso é muito difícil por dois motivos: não existem cadeiras voltadas à testes vocacionais dentro do próprio curso (informática é um leque de horizontes, deveríamos ter) e o corpo docente das universidades em sua maior parte é composta por acadêmicos que passaram boa parte da vida estudando (mestrado, doutorado) e, apesar de muito bons no que fazem, não possuem uma leitura apurada do mercado de trabalho.

No dia 20 de Outubro estarei ministrando uma palestra sobre como ingressar no mercado de trabalho usando software livre. Essa palestra acontecerá na universidade Estácio de Sá - campus Nova Friburgo/RJ às 18:50 hs e deve servir como apontamento sobre as expectativas de trabalho em nossa área. Todos devemos conhecer os caminhos para viver fazendo o que gostamos e em nosso caso o caminho é o Linux e o software livre.

Enfim, as universidades deveriam patrocinar ciclos de palestras sobre mercado de trabalho em determinadas áreas pelo menos uma vez por ano, é muito importante fazer com que seus alunos tenham contato e troca de vivência com profissionais de mercado e não só com profissionais acadêmicos.

Em breve estarei compilando o material da palestra e disponibilizo aqui no Viva o Linux em forma de artigo.

[]'s,
Fábio

[19] Comentário enviado por Bentux em 01/10/2004 - 17:30h

Caros amigos,

O assunto realmente é polêmico.

Aqui em Porto Alegre, você abre o jornal ZERO HORA no caderno de informática e lá aparece uns "técnicos" que anunciam "FAÇO TUDO POR R$10,00". Tipo assim, tu chuta uma árvore e cai 60 "técnicos"...

Eu também sou técnico em informática sem cursos ou ensino superior, e trabalho nesta área ha 8 anos. Como os amigos disseram a concorrência é grande, mas uma coisa é certa, os bons sempre estarão de pé....

Tive um exemplo disso um mês atrás quando me ligaram pedindo para configurar um servidor e quanto eu cobrava, falei o valor para o cliente de X reais, logo, ele disse: "Trabalho contigo bastante tempo, mas conversei com outro cara que cobrou um terço do que tu estás me cobrando..." Em seguida desligou, passaram duas semanas e este mesmo cliente ligou pedindo "Pelo Amor de Deus" pra ir na empresa dele resolver os pepinos que o cara tinha deixado.

Em suma, o cliente teve que pagar o valor que eu dei para configurar o servidor e mais a revisão das estações que o cara tinha mexido.

Bom, com isso acho que deveríamos realmente ter um órgão para controlar este tipo de anarquia generalizada que está acontecendo no nosso mercado de trabalho onde o incapaz pode tomar o seu cliente e acabar lezando o próprio e também marginalizando a nossa categoria.

Certificação seria um bom filtro para separar os "picaretas" do restante dos profissionais sérios e competentes, pois faculdade, ensino técnico e cursinhos podem agregar conhecimento até um certo ponto, mas como no meu caso que não tenho cursos e sou um bom profissional sei que existem muitos que se enquadram no meu caso, logo, a certificação é a melhor ferramenta para consagrar um bom profissional.

Não vamos longe, a OAB tem um exame que a pessoa formada em direito tem que fazer para ser advogado, caso não a faça ela não exerce a profissão de advogacia, mas pode trabalhar em outras atividades onde tenha que ter o curso de direito.

No nosso caso o mesmo, quem prestar exame na prova de certificação na área que quizer será um profissional qualificado para a atividade e os demais que não prestarem este exame, os famosos "picaretas" serão automaticamente excluídos do mercado, pois ninguém irá contratar alguém sem preparo comprovado.

Mas para que isso tudo aconteça temos que nos unir e formar um comitê regulamentador da nossa atividade.


Um grande abraço a todos!!!

[20] Comentário enviado por alphainfo em 07/10/2004 - 14:30h

Srs,

sou obrigado a concordar com alguns pontos mencionados acima. Obviamente, o diploma superior não garante a excelência do profissional. Em nenhuma área. Muitos pensam que ao ver seus nomes na lista de aprovados do vestibular, o desafio acabou. Mas apenas está começando. Na verdade o esforço pessoal determinará se ele será ou não um bom profissional.
A questão é que na área da informática o profissional é muito independente. Um graduando em medicina não possui um laboratório à sua disposição com a facilidade que nós possuímos.
A acadêmia é uma grande culpada disto, porque como Fábio disse, não faz questão de direcionar o aluno em alguma área. Isso porque eles querem vender outros produtos (pós, mestrado, doutorado...).
O que vejo como unanimidade aqui é a necessidade de um conselho que regulamente e dite normas na profissão.
As certificações não são interessantes, porque elas certificam produtos e não normas e/ou padrões.
Agora, a vivência acadêmica, bem como as disciplinas vistas na sala de aula de um curso de computação fazem a diferença sim, pelos motivos que mencionei acima. `
SE o graduando quiser ( e fizer por onde ) ele será um profissional diferenciado. Agora um diploma não GARANTE conhecimento (até mesmo porque o nível dos vestibulares permitem até mesmo analfabetos ingressarem no vestibular). Ele terá a OPORTUNIDADE de não ser mais um repetidor de receitas de bolo, como vemos muitos por aí.

[]' à todos,

Daniel Freire

[21] Comentário enviado por toninhonunes em 25/10/2004 - 22:53h

Vou expor minha visão sobre a regulamentação dos profissionais de informática, eu acho necessária e importante, por vários motivos:

A pessoa que se habilitar a trabalhar com tecnologia tem que ter a capacidade de entender o que está por trás daquilo que o faz realizar aquele trabalho, não apenas seguindo os passos como um cão treinado que decora uma sequência de comandos para completar a sua tarefa, na verdade é isso que cursos básicos e certificações fazem.

Tecnologias chegam e vão embora rapidamente, logo os seus conhecimentos especializados são jogados fora, o mais importante que o ser humano deve possuir é a capacidade de abstração em teorizar e saber praticar, é absorver qualquer conhecimento que venha a aparecer, sendo assim você será capaz de saber o que realmente o porque o problema não foi resolvido.

Tecnologia hoje está tão banalizada que não surpreende mais ninguém, micro-computadores hoje são meros objetos que fazem parte do cotidiano das pessoas, tarefas no passado que exigiam profissionais especializados hoje são feitas por qualquer pessoa que possui uma boa abstração e é capaz de realizar sem problemas, devido a estas ferramentas serem inteligentes, faceis e mais produtivas do que se faziam no passado com profissionais especializados.

Atualmente curso Engenharia da Computação, é certo que os cursos de gradução na área de informática não especializam os alunos para algo específico, como tecnologias de momento, é aconselhável ao aluno que está estudando, busque por fora se aperfeiçoar nestas tecnologias de momento, porque o mais importante que se aprende em cursos de graduação de qualidade é saber buscar a solução de problemas e não decorar comandos e seguir tutoriais como um cão treinado, este tipo de profissional fica obsoleto rapidamente.

O mercado de trabalho não regulamenta os melhores profissionais, ela busca preço, principalmente o mercado pequeno, que é onde a maioria atua, no mercado pequeno eles apenas perguntam quanto vai custar e quando vai acabar e deixar funcionando e dependendo do preço vão falar que você é um profissional caro e que achou mais barato, é assim que mercado especula. Porque nas grandes empresas, com certeza vai exigir de você uma graduação, pode até não ser na área de informática, mas de exatas, porque um Físico, Matemático ou Engenheiro qualquer é tão capaz de desenvolver soluções inteligente e funcionais quanto a um graduado na área de informática.

Nem precisa ser graduado pra trabalhar regulamentado, deve ser capacitado, façamos uma prova na área e mostremos nosso valor, dizer que é profissional de informática porque conseguiu fazer uma base de dados através de ferramentas e criar interfaces para manipular estas bases não certifica que é capaz de resolver e entender problemas, esse é o diferencial e deve ser trabalhado, falta matemática e lógica pra muita gente, cérebros viciados em ferramentas que se não tiver a mão, não conseguem andar nem pra frente ou pra traz.

Portanto eu sou a favor de regulamentação da profissão pra quem é capaz, que seja sim feita provas de habilidade específicas para avaliar a qualidade do profissional que vai atuar no mercado, regulamentar não é fazer reserva é valorizar o profissional que rala e estuda tentando entender e resolver problemas.

Valeu,

Toninho Nunes

[22] Comentário enviado por alphainfo em 16/11/2004 - 16:18h

É isso aí, Toninho,

finalmente alguém enxergou a questão do ponto de vista que eu também exergo.

É claro que a galera de exatas deve estar nessa. Senão, 90% dos meus professores estariam fora, hehehehehehe...

Agora, acredito que o ideal seja uma prova que avalie os conhecimentos de lógica, raciocínio matematico e conhecimento de padrões. Basta ver a confusão da WEB para exergar o que digo.

[]'s

Daniel Freire

[23] Comentário enviado por pavel_atmosfera em 18/01/2005 - 13:21h

Quando o pensamento é livre surgem as grandes obras e novidades que alteram os caminhos conhecidos, mas, depois que a poeira assenta, lá vem os burocratas e os tecnocratas com suas leis e regras, querem controlar tudo, querem evitar o erro dos outros nem que para isto seja necessário errar também, cá entre nós ia ser engraçado ver uma "Ordem do Técnicos de Informática" funcionando, com reuniões para decidir o quanto vai valer cada serviço ou formalizar alguma norma de inspeção, mas graças a Deus a informática é uma área tão abrangente e livre em sua essência que em nenhum lugar do mundo vingou qualquer tentativa de controle central, e, se o medo é de picaretas ou bandidos, olhe para o lado e verás "enxames" e hordas de bandidos e farsantes em todas as áreas principalmente nas que são as mais controladas, pois "feito a lei feito a burla". Então burocratas de ocasião por favor se acalmem e tentem controlar só a propria vida e deixem o que é livre em paz !

[24] Comentário enviado por juniorprog em 18/01/2005 - 14:30h

Acredito não haver necessidade de criar um órgão regulamentador
da profissão, haja vista que já existem as certificações que comprovam
o conhecimento e habilidade no tema, não importa se tem 2º grau ou
superior, acredito que a necessidade maior são das empresas que querem
contratar um profissional de informática e não sabem que exitem as certificações,
por isso elas correm o risco de contratarem os "picaretas"
com preços "abaixo do ideal".

[25] Comentário enviado por emersonpadilha em 12/02/2005 - 11:50h

Concordo com o Bentux quando diz "... uma coisa é certa, os bons sempre estarão de pé....", na realidade concordo com outras coisas que ele diz tbm..., mas na essencia isso resume tudo... Por exemplo a empresa que quizer bons técnicos, ou bons programadores, certamente vai fazer um período de experiência, e é nele que o sujeito vai ser avaliado. Nenhuma empresa que queira trabalhar honestamente vai colocar alguem que seja um "picareta" a menos que a empresa tbm seja "picareta". E o próprio nome de uma empresa no mercado pode representar muito.

Já no campo doméstico é uma outra história. É igual a mecânico. Geralmente quem leva o carro numa oficina autorizada paga mais caro, já quem leva o carro na "oficina do zé", muitas vezes corre o risco de ficar a pé. da mesma forma, o usuário tem que ter a conciência de levar um micro a uma assistencia reconhecida, mesmo que ache o preço meio salgado.

Tbm sou a favor da regulamentação, mas esmo que seja criado uma orgão que "regulamente" a profissão, sempre existiriam os maus profissionais, da mesma forma que existem maus advogados e maus médicos. (sem falar que gera toda uma burocracia, despesas e possibilidade de corrupção)

[26] Comentário enviado por Jarnotrulli em 29/10/2005 - 18:48h

Algo que pouco se fala é que, em teoria, não existe a profissão "computeiro" ou "informata".Primeiro, a área e a profissão Nada garante que

Quanto a "especificação" Os caras mais famosos na Computação em geral não se formaram em faculdades de Ciências da Computação: o Donald Knuth é matemático e fez a melhor coleção de livros sobre Computação; Dennis Ritchie(UNIX e linguagem C te dizem alguma coisa? Hehe!) fez Matemática Aplicada; o matemático Alan Turing foi um dos "visionários" da Computação(ele já falavam em máquinas perfeitas, capazes de fazer tudo, antes mesmo de alguém imaginar algo tão moderno quanto o seu PC!); e a grande maioria fez algo relacionado à Engenharia Elétrica. Isto sem contar que aqui na facul, a disciplina "Linguagens Formais" é bem mais entendida pelo pessoal de Letras de SP que o pessoal da Comp daqui.

Outra: nunca em minha vida ouvi falar de "Sindicato de Computação" nem nada parecido. Na OAB, se você faz uma besteira pode ter o registro cassado, bem como no CREA por exemplo. Por exemplo, se descobrirem um cara que fez um prédio com material de segunda, o CREA tem o poder de acabar com a carreira do indivíduo (vide caso Sérgio Naya: apenas o CREA conseguiu fazer o que os outros órgãos não fizeram: arrancar o diploma das mãos do dito senhor, e o resto nada!).
Não existe um órgão ou sindicato que garanta que, enquanto programador, você não será explorado (bem, eu ouço falar de milhares de casos de pessoas que viram a noite programando e não ganham um tostão de "hora extra" por isso).

Um fato que eu acho bastante interessante: é fato patente de que a mídia em geral trata de uma maneira muito equivocada o termo "hacker". Pois se existisse um órgão que regulamentasse a profissão, e um jornal soltasse uma notícia do tipo "hacker quebra servidores e desvia milhões para contras secretas", na mesma hora qualquer computeiro ou informata poderia mandar um auto registrando algo como "difamação da profissão" pelo dito jornal. E olha que todos sabem que jornais sabem que hacker não é cracker!

Aliás, agora tá virando chavão uma empresa de informática estampar um "Aqui tem Linux!" na porta. Uma regulamentação como a LPI ou a da Red-Hat seria interessante para se saber se posso ou não confiar nisto...

Mas mesmo a existência de certificações não garantem o emprego de uma pessoa nesta área. Se uma empresa de desenvolvimento de software quiser, ela contrata alguém com um décimo da sua especificação, pela metade do salário. E qualquer pessoa que diga "conheço informática" pode tomar o seu emprego com muito mais facilidade de que se tiraria o emprego de um engenheiro formado com CREA e tudo o mais. E isto não tira a "liberdade" dos engenheiros e advogados (até onde eu saiba), como alguns acima dizem.

Ah, algo a mais: para criar um sindicato para a nossa área, seria necessário mudar a cultura da mesma. Como disse o monty_jr, as pessoas da nossa classe geralmente pensam no próprio umbigo e nada mais...

[27] Comentário enviado por rojerao em 14/11/2005 - 19:02h

Só pra resumir : VALORIZEM-SE !!!!
Independente de formação superior, de certificação, de qualquer outra coisa!
Lembre-se sempre que o conteúdo de conhecimento adquirido foi a base de muito esforço, noites em claro, dinheiro gasto com livros, moradia, alimentação, transportes... e que quando você é requisitado para desenvolver algo, é porque isto será importante para o contrante e
você tem o conhecimento, a prática e as técnicas, ou seja, você tem a "faca e o queijo na mão".

Ouvi uma vez uma estória interessante:

"Uma empresa contratou o serviço de um profissional para resolver um
problema com um computador que não estava funcionando direito.
Muitos tentaram arrumar mas não conseguiam, ficavam horas e horas "fuçando" e nada ! Faltava sempre alguma coisa.
Daí este profissional, analisou bem o computador e concluiu que o computador não funcionava direito devido a um parafuso solto.
Apertado o parafuso, o computador voltou a funcionar muito bem.
Concluído o serviço, o profissional falou ao contratante:
"Meu serviço custa mil reais"

e o contratante indignado com o valor cobrado:
"MIL REAIS PRA APERTAR UM PARAFUSO!!!!??? COMO VOU ME EXPLICAR PARA MEU GERENETE SOBRE ISTO? QUERO VER O QUE VOCÊ VAI ESCREVER NA SUA NOTA FISCAL!!!"

e o profissional emite sua nota fiscal:
"Apertar um parafuso: R$ 1,00"
"Saber QUAL parafuso apertar: R$999,00"
"Total: R$ 1.000,00"

Por isso amigos PROFISSIONAIS, VALORIZEM-SE!!!
Não se "prostituam" como muitos por aí!

[]´s
Rogerio Scarazatti.

[28] Comentário enviado por gsi.vinicius em 07/08/2006 - 11:40h

Muito boa a sua iniciativa de lançar esse tema ao público do VoL. No entanto, minha opinião é de que o mercado sabe escolher os bons e evitar os picaretas.

Independente da sua área de atuação, seu currículo se atualiza ao mesmo passo q as coisas q vc fez em sua vida. Se você conserta computadores há anos, com competência, pode ter certeza q seu nome vai estar na boca de seus clientes qdo forem indagados sobre "Vc sabe de alguém pra consertar meu pc?". Se vc é um analista de sistemas e já vendeu sistemas ou apenas criou boas ferramentas para seus usários, já está destacado no mercado. Se vc apenas contribui com artigos e aulas, já está destacado naquilo.

Acredito q o reconhecimento é decorrente da profissionalidade da pessoa. Seja pra aumentar seu mercado, seja na hora de colocar itens em seu curriculo na área de "Atividades Desenvolvidas".

sem mais, abraço

[29] Comentário enviado por gpr.ppg.br em 02/09/2008 - 11:45h

"também se sentir amparado por alguma norma."

complicado querer regulamentar, os bons pagaram pelos ruins.
exemplo: as video locadoras, que pagam impostos, tem funcionários, e concorrem com os DVD piratas e camelos de mochila.

E não tem ninguem defendendo eles. só to vendo é locadoras falindo.

exemplo: quem aqui paga taxas sobre todos os serviços prestados ISS, INSS,...
complicado pagar mais uma taxa para o "orgão da informática" e não ver retorno.




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