Guia para iniciantes no Linux

Este artigo pretende ser um guia para iniciantes no Linux, apresentando tópicos que são úteis e de interesse para esses usuários.

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Por: - em 12/12/2018


Introdução



É inquestionável: todo mundo já foi iniciante em algo em alguma parte da vida. Quando uma pessoa nasceu, ela não veio à vida sabendo realizar cálculos matemáticos nem ler ou escrever, e com Linux essa ideia não seria diferente. A fim de ajudar pessoas que estão tendo seus primeiros contatos com o Linux, este artigo tem o propósito de comentar brevemente alguns tópicos que são essenciais para o início no sistema do pinguim. Além da leitura desse conteúdo, recomenda-se que o usuário se aprofunde um pouco e busque mais informação em outros locais.

Sem mais delongas, tem-se o Linux. Muitas pessoas acreditam ser ele um sistema operacional alternativo ao Windows ou ao Mac OS X. Mas Linux não é um sistema operacional, é um kernel. Kernel é o núcleo do sistema, responsável pelo seu funcionamento básico. Por exemplo, quando um software é executado, e ele ordena que seja alocada memória, é o kernel quem está por trás dessa tarefa. Somado o kernel aos programas, tem-se o sistema operativo propriamente dito.

O Kernel Linux foi escrito pelo então estudante finlandês Linus Torvalds no início da década de 90, e lançado em 17 de setembro de 1991. Programado em C e baseado no núcleo do Minix, um sistema operacional projetado para ser um "mini" Unix, daí seu nome, o Linux é gratuito e está licenciado sob a GNU GPLv2‎, o que o classifica como software livre.

Software livre é um conceito muito recorrente em discussões sobre Linux, por isso é importante saber do que se trata. Software livre é um programa de código aberto que dá ao usuário quatro liberdades:
  1. A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0).
  2. A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade (liberdade nº 1).
  3. A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2).
  4. A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade (liberdade nº 3).

Vale destacar que software livre é diferente software gratuito. Há softwares que são gratuitos, porém não livres, e pagos que são livres.

Os diversos sistemas operacionais que usam o Linux como kernel são conhecidos como distribuições, ou no informal, distros. Há dezenas de milhares de distribuições diferentes destinadas aos mais distintos públicos, abrangendo os que almejam principalmente estabilidade e segurança, aos que priorizam um sistema mais prático e moderno. Há distribuições, embora sejam minoria, que são pagas, mas mesmo assim, possuem o kernel Linux e são software livre.

Quanto a programas, cita-se o GNU e o ambiente gráfico

O GNU (GNU's Not Unix) é um gigantesco projeto de software livre que tem tido como meta criar um sistema operacional totalmente livre. Como para um sistema operacional ser feito precisa-se da junção e um kernel e programas, vários utilitários do GNU foram desenvolvidos ao longo dos anos, como o bash (shell), emacs (editor de texto) e o gcc (compilador), mas o núcleo do sistema ainda estava muito longe de estar concluído. Foi aí que o kernel do Linus Torvalds desenvolveu-se tanto que o projeto GNU "fundiu-se" com o Linux e deu origem ao GNU/Linux, um sistema com softwares do GNU e kernel Linux. Por isso que muitas pessoas costumam usar a designação GNU/Linux.

Ambiente gráfico é a área onde o usuário poderá interagir com o computador através de cliques com o mouse, janelas, painéis, botões etc. Os sistemas Linux dispõem de muitas opções de ambientes, a maioria deles altamente customizáveis. Se o kernel pode ser definido como quem dá forma ao sistema operacional, pode-se definir quem dá forma ao ambiente gráfico o gerenciador de janela, o qual é quem administra o comportamento das janelas que surgem na área de trabalho e as aplica aparência.

Além de tudo isso, no Linux a administração do sistema separa-se com o uso propriamente dito dele, ou seja, a utilização de ferramentas para entretenimento ou trabalho. Há um superusuário, conhecido como root, que tem o controle total do sistema, como instalar/remover programas e editar arquivos de configuração. Para se tornar root, o acesso requer uma senha previamente cadastrada, que quase sempre é definida na hora da instalação da distribuição. Essa separação faz com que os sistemas GNU/Linux tornem-se mais seguro quando comparados com outros, mas não pode ser considerado o principal recurso de segurança do kernel.

Distribuições que recomendo a iniciantes:
  • Linux Mint
  • Manjaro
  • Fedora
  • openSUSE

OBSERVAÇÕES: pode causar um certo impacto caso sua distro favorita não esteja listada. Mas, são somente minhas indicações! Não quer dizer que você tenha que usar um desses sistemas. Os recomendei com base em aspectos como facilidade de uso, ferramentas automatizadas dentro do sistema, documentação e confiabilidade.

Ambientes gráficos que recomendo a iniciantes:
  • Xfce
  • MATE
  • KDE
  • GNOME
  • Cinnamon

OBSERVAÇÕES: se sua máquina for antiga ou fraca, use somente Xfce ou MATE.

Nas próximas páginas, será comentado sobre particionamento, gerenciadores de pacotes e estrutura de diretórios.

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Páginas do artigo
   1. Introdução
   2. Particionamento
   3. Gerenciadores de pacotes
   4. Estrutura de diretórios
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Comentários
[1] Comentário enviado por removido em 12/12/2018 - 13:13h

Ótimo guia, apenas discordo na escolha do Fedora e openSUSE com distros adequadas a usuários novatos.

[2] Comentário enviado por xerxeslins em 12/12/2018 - 15:31h

Muito didático.

Vou favoritar.

Só senti falta de uma conclusão do tipo: "Essas são as informações básicas sobre Linux. Espero que tenha gostado."

Ou algo assim. Mas isso é besteira.

--
"There are lots of Linux users who don't care how the kernel works, but only want to use it. That is a tribute to how good Linux is." - Linus Torvalds

[3] Comentário enviado por izaias em 13/12/2018 - 08:29h

Linguagem simples e direta. Gostei. Linux tem muito assunto e não precisa enrolar.

Na lista de distros para iniciantes, a única realmente user-frendly é o Linux Mint.
Manjaro, Fedora e openSUSE requer um pouco mais de prática, mas não a nível de usuário médio, não precisa tanto para lidar com estas distros. openSUSE, por exemplo, tem um instalador um pouco confuso para iniciantes. Manjaro e Fedora são bem evoluídos e tranquilos para instalar.

** Concluindo, o que pode ser fácil de entender para mim, pode não ser para outros e vice-versa. :)

[4] Comentário enviado por hrcerq em 13/12/2018 - 22:09h

Muito bom. Um dos poucos artigos sobre o assunto dedicados a iniciantes cuja leitura eu recomendaria a um iniciante. A maioria dos artigos do tipo comete um dos dois erros (às vezes ambos):

1. Falar só sobre trivialidades e omitir tópicos importantes;
2. Usar uma linguagem difícil ou até mesmo imprecisa.

Algumas pessoas confundem iniciante com gente que não quer aprender e outras confundem iniciante com gente que já deveria saber. No primeiro caso, omitem coisas importantes (no intuito de facilitar), mas acabam tornando-o superficial demais. No segundo caso, não estruturam as ideias de uma forma acessível para alguém que está começando, o que acaba desanimando mesmo.

Artigos para iniciantes devem abordar os tópicos fundamentais de uma maneira didática e acho que seu artigo segue bem nessa linha. Bem escrito, com bons exemplos e analogias, sem deixar de falar sobre o kernel, conceito de software livre, conceito de distribuições, ambientes gráficos, partições, pacotes, sistema de arquivos, estrutura padrão de diretórios, enfim. Acho que seria legal falar um pouco mais do UNIX, mas enfim, está muito bom assim.

Sobre as recomendações de distros eu discordo em parte. Isso não é totalmente subjetivo, porque é importante saber o objetivo do iniciante. Alguns precisam para trabalho, outros apenas para aprendizado, outros apenas estão curiosos, enfim... cada um vai ter critérios diferentes, e isso vai ajudar a direcionar melhor a distro. Agora, eu evitaria o máximo recomendar distros que usam systemd como PID 1.

Não é pedantismo, isso realmente é um problema (veja isso https://nosystemd.org/ e isso http://without-systemd.org/wiki/index.php/Arguments_against_systemd ). Algumas distros que não o usam são Devuan, Void, Slackware, Gentoo, Funtoo, Alpine e Artix. Mas também não vou ser radical de dizer que não recomendaria outras se percebesse que se encaixariam melhor no perfil da pessoa. A cabeça humana é algo muito complexo e diversificado e nem sempre é guiada pela lógica.

---

Atenciosamente,
Hugo Cerqueira

Devuan - https://devuan.org/

[5] Comentário enviado por pinduvoz em 16/12/2018 - 00:34h


Manjaro não é uma distro para quem não conhece Linux. Eu tenho um bocado de experiência e meu Manjaro quebrou e não consegui fazer com que ele subisse novamente.

Muito melhor para iniciantes é o Ubuntu, ou o Xubuntu se for para usar numa máquina fraca. Até o Debian é mais fácil de usar e mais estável do que o Manjaro.

Até entendo a preferência pelo Linux Mint, que é mesmo muito bom. Mas o Linux Mint é um *buntu também, sendo injusto esquecer do "pai" dele (Ubuntu, Xubuntu, Kubuntu e Lubuntu), ou do pai de ambos (Debian).


[6] Comentário enviado por pinduvoz em 16/12/2018 - 00:38h

Em tempo: estou usando Ubuntu e Debian, apenas. Cheguei à conclusão, após anos usando Linux, que distros baseadas no Debian são as melhores distros em todos os aspectos. E para novatos, o Linux Mint é mesmo a melhor opção.

[7] Comentário enviado por xerxeslins em 16/12/2018 - 03:01h


[6] Comentário enviado por pinduvoz em 16/12/2018 - 00:38h

Em tempo: estou usando Ubuntu e Debian, apenas. Cheguei à conclusão, após anos usando Linux, que distros baseadas no Debian são as melhores distros em todos os aspectos. E para novatos, o Linux Mint é mesmo a melhor opção.


Tenho essa mesma impressão hoje, pinduvoz.


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