Uma análise do software livre e de sua história

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Uma breve análise de toda a conjuntura histórica e social que culminou com o desenvolvimento do software livre. Quem estava envolvido? Quais suas motivações? O por que do software livre? Linux? Copyleft? Tudo de forma simples e objetiva.

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Por: Lucas Lira Gomes em 15/10/2010 | Blog: http://lucasrefuge.blogspot.com/


O software livre



Como o próprio Richard Stallman frequentemente menciona, "software livre é uma questão de liberdade, não de preço. Para entender o conceito, você deve pensar em liberdade de expressão, não em cerveja grátis".

O software livre quer garantir a liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Mais precisamente, ele se refere a:
  • A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade no. 0)
  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade no. 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade no. 2).
  • A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade no. 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

Costuma-se dizer que se um software garante todas essas liberdades ele pode ser chamado de software livre. Portanto, você deve ser livre para redistribuir cópias, seja com ou sem modificações, seja de graça ou cobrando uma taxa pela distribuição, para qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Ser livre para fazer essas coisas significa (entre outras coisas) que você não tem que pedir ou pagar pela permissão.

Deve-se também ter a liberdade, tanto para pessoa física quanto jurídica, de fazer modificações e usá-las privativamente, de utilizá-lo para qualquer tipo de atividade e de redistribui-lo na forma de executável(que é dispensável pois algumas linguagens não suportam este recurso) junto com o código fonte, sem que seja necessário avisar nada a ninguém. De modo que a liberdade de fazer modificações, e de publicar versões aperfeiçoadas, tenha algum significado, deve-se ter acesso ao código-fonte do programa. Portanto, acesso ao código-fonte é uma condição necessária ao software livre.

Para que essas liberdades sejam reais, elas tem que ser irrevogáveis desde que você não faça nada errado; caso o desenvolvedor do software tenha o poder de revogar a licença, mesmo que você não tenha dado motivo, o software não é livre.

Entretanto, certos tipos de regras sobre a maneira de distribuir software livre são aceitáveis, quando elas não entram em conflito com as liberdades principais. Por exemplo, copyleft é a regra de que, quando redistribuindo um programa, você não pode adicionar restrições para negar para outras pessoas as liberdades principais. Esta regra não entra em conflito com as liberdades; na verdade, ela as protege. Portanto, você pode ter pago para receber cópias de algum software livre, ou você pode ter obtido cópias de graça. Mas independente de como você obteve a sua cópia, você sempre tem a liberdade de copiar e modificar o software, ou mesmo de vender suas próprias cópias.

Software livre não significa que você não pode comercializá-lo, não é incomum ver pessoas ou empresas provendo serviços ou cópias de softwares e ganhando bem com isso.

Conclusão

Logo, o software livre conseguiu, apesar de todas expectativas pouco agradáveis, superar as dificuldades inicias e demonstrar seu potencial técnico e a luta por liberdade que ele representa. Também, se viu que apesar de ele ser gratuito, isto não exclui as aplicações mercadológicas, é possível ganhar dinheiro com software livre, apesar de como Richard Stallman disse, este não é o objetivo principal. Software livre é uma questão de liberdade, não de preço.

Bibliografia


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Páginas do artigo
   1. Introdução
   2. Nascimento do Projeto GNU
   3. GNU/Linux
   4. O software livre
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Comentários
[1] Comentário enviado por removido em 15/10/2010 - 16:26h

Seu artigo está primoroso! Parabéns.

Foi o artigo mais esclarecedor que eu já li sobre esse assunto.

Mas uma coisa ainda não está clara pra mim.

Os softwares do projeto GNU ainda são usados amplamente juntamente com o Linux?

Se sim, Stallmann tem toda a razão em exigir a nomenclatura GNU/Linux.

Mas se esses softwares já não são mais tão usados, ou se já foram substituídos por programas mais recentes, eu tb acho que o nome Linux já é suficiente.

Abraço, e mais uma vez parabéns pelo artigo.

[2] Comentário enviado por llg em 15/10/2010 - 16:53h

Obrigado ^^. Sobre a sua pergunta, a resposta é sim. Temos o famoso gcc(GNU Compiler Collection), o gdb(GNU Debugger), o wget, o make, o nano, o midnigth commander(mc e mcedit), o nautilus, o tar, GRUB, BASH, Emacs, Gimp, GNOME(The GNU Desktop). Além das bibliotecas gráficas NCURSES, o gtk+(Usada no Gnome) e o Window Maker. Esses eu creio, que são os mais famosos para os usuários normais, fora isso temos toda a base que o projeto GNU deu aos progamadores, ferramentas e bibliotecas que foram usadas inclusive pelo próprio Linus Torvalds no desenvolvimento do Linux.

Para ver a lista completa de progamas do Projeto GNU: http://directory.fsf.org/GNU/

Atenciosamente, Lucas Lira Gomes.

[3] Comentário enviado por removido em 15/10/2010 - 16:59h

Poxa vida, nesse caso, Stallmann está certo. E linus está dando uma de ingrato. Aliás, o kernel dele precisa do projeto GNU para existir.

Pena que já viciamos em sempre dizer LINUX.

Até o nome desse site é Viva o Linux, quando deveria ser Viva o Gnu/Linux.

Pelo menos lá em cima está escrito: O que é Gnu/Linux.

Abraço e obrigado pela sua resposta, acabei de vez com minhas dúvidas sobre esse assunto.

[4] Comentário enviado por pink em 16/10/2010 - 11:13h

Meus parabéns pelo artigo, simples e objetivo... muito bem escrito....
Simplesmente amei!!! São por esses motivos que amo o Software Livre e a minha profissão.
Tem uma frase minha que sempre gosto de citar: Se liberdade não tem preço, logo GNU/Linux é livre!
[]'s

[5] Comentário enviado por mcnd2 em 17/10/2010 - 19:56h

Breve, esclarecedor e objetivo.

Parabéns!
Ótimo artigo.

[6] Comentário enviado por izaias em 17/10/2010 - 21:07h

Excelente artigo!
Ortografia correta, sem dispersão, direto e objetivo.
O assunto é delicado e requer atenção e estudo minucioso da história.
Será referência como objeto de estudo.

Parabéns!

[7] Comentário enviado por magnolinux em 18/10/2010 - 07:31h

Parabéns..

O artigo está excelente, é sempre bom relembrar a história e filosofia do GNU/Linux.

Liberdade Sempre!!!

[8] Comentário enviado por nicolo em 18/10/2010 - 11:39h

O artigo está bom. Liberdade que o Stallman proclama não parece só liberdade de expressão, uma proclamação típica de jornalista para poder mentir a vontade e à conveniência.
Liberdade do software livre é liberdade de controle, independência de intituições e por fim acaba em independência de custo também.

A doutrina religiosa das patentes parece um dogma do capitalismo ou algo sagrado enunciado pelos papagaios de plantão.

Não é nada disso. Patentes e privilégios são polêmicos nas suas origens, e os opositores são tão capitalistas como os defensores.

Os que detestam patente tem um ponto de vista que o capitalismo representa a liberdade e as patentes representam privilégios feudais que atrasam o desenvolvimento material e espiritual da humanidade.
Os nossos jornalistas não nos contam isso.
Parabéns pelo artigo.

[9] Comentário enviado por meinhardt_jgbr em 18/10/2010 - 16:33h

Lucas,

Excelente artigo. Parabéns!


[10] Comentário enviado por valterrezendeeng em 21/10/2010 - 10:49h

Parabéns pelo Artigo !!!

Tudo muito bem feito, concordo com o nosso amigo acima virou referencia de estudo.

Para tornar-se uma referencia para os Universitário faltou apenas a Bibliografia, algo obrigatório para citar um artigo em trabalhos.


Forte Abraço e Sucesso em sua Graduação de Engenharia.

Por Eng Valter

[11] Comentário enviado por llg em 06/12/2010 - 00:07h

Desculpem pela demora, mas agradeço a todos pelo feedback. Escrever este artigo me inspirou muito para continuar escrevendo, aguardem ...


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