Spreading Linux de fato! Case "Heavy-User"

Neste pretendo compartilhar minhas experiências em converter usuários Windows em usuários de Ubuntu (Linux é só o kernel gente). Também ponho meu modo de "Spreading Linux", já que simplesmente dizer que é de graça não supera o Windows embutido nas cabeças das pessoas.

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Por: André em 09/03/2010


Caso: Heavy-User



O primeiro caso é a última conversão, porém a mais interessante.

ML, é uma "heavy-user" do computador, utiliza-o para trabalho envolvendo MUITO texto, diagramação, imagens e montagens de animações simples. Ela atualmente (por enquanto) é proprietária de um Toshiba AS100-QualquerCoisa, Celeron 1.6, 512, 30G, 15'', bateria morta, USB 1.1, porém o mesmo conta com uma GeForce420M (64MB) muito boa por sinal.

Bom, o foco não é o hardware, mas sim para ter uma noção da máquina já ultrapassada, com 8 anos de uso contínuo.

ML me ligou dizendo que o negócio estava feio. O Word era lento, o Excel era MUITO lento, enfim, tudo era muito lento. Após uma breve conversa com ela, descobri o que precisava:
  • Editor de texto
  • Planilha eletrônica
  • Photoshop Look'a'Like
  • IM's variados
  • Firefox (sim, ela só usa Firefox, nenhum outro)

Fácil não? Nem um pouco!

A abordagem

Já havia mostrado o Ubuntu GNU/Linux para ela e mostrado algumas funções interessantes que ele possui. A cada descoberta de software que ela fazia para ajudar sua rotina, eu prontamente investigava se havia algo semelhante ou se era compatível com Ubuntu, se desse tudo certo, ia lá e mostrava como era possível fazer isso também, alias agradeço a ela muita coisa boa que descobri.

Para ajudar, ela, incrivelmente, tem preferências por WEB: webmail, GoogleDocs, Moodle, Wikis, tudo web! Que maravilha não?

Bom, assim foi por algum tempo, uns 4 meses mostrando que era possível realizar todas as tarefas de trabalho no Ubuntu. Twitter, GoogleDocs, apresentações PPT, .doc, mp3, rádio, programação, editoração...

Lembrete: claro que isso levou tempo e me fazia correr atrás de algo, mas lembro que isso é conhecimento e conhecimento não tem valor.

Quando ela me ligou dizendo que "o negócio está feio", já tinha tudo que ela precisaria para migrar alegremente.

A migração

A migração foi relativamente tranquila, os materiais foram básicos:
  • 1 HD Externod e 80G
  • 1 CD do Ubuntu que chegou via Ship-IT (que foi entregue a ela)
  • 1 adesivo Ubuntu que veio com o CD (que também foi entregue a ela)

Lembrete: o adesivo e o CD Printado foram firulas, mas isso conta em usuários que tem um certo receio em mudar de sistema.

Meu trabalho foi basicamente dar o boot via CD. Percebi em outras experiências que deixar o usuário instalar dá mais confiança a ele, pois ele está vendo tudo que está acontecendo com sua querida máquina. Após algumas instruções como "GMT é São Paulo -3, Usuário não tem espaço" o sistema foi instalado sem muitas delongas.

Após o restart, lá veio aquela janelinha de drivers restritos, afinal ela possui uma NVidia no notebook e também as atualizações. Tudo foi instalado pela própria usuária, novamente com a intenção de mostrar como é fácil lidar com o Ubuntu.

Nota: após o restart, a tela do notebook ficou com uma borda preta no lado esquerdo, após investigar vi que tem solução. A placa embutida foi modificada pela Toshiba, logo o driver só funciona o da Toshiba (o da nvidia.com também dá a borda preta). Após uns minutos no ubuntu-forums.com achei a solução e ela ficou super contente.

Mais um reboot e pronto! Ficou supimpa.

Extras

Após todo o procedimento que descrevi, disse a ela que queria instalar 2 repositórios adicionais, o medibuntu e o getdeb. Expliquei em teoria como funciona os repositórios e porque eles são ótimos de se ter. Ela concordou e me levou 2 minutos para fazer tudo, incluindo a atualização da lista do "Central de Programas do Ubuntu".

Ao término, falei pra ela: "Pronto, agora você tem mais uns 2000 programas que podem ser instalados em 2 ou 3 cliques". Já conquistei ela com 1 frase.

Passado tudo isso, já havíamos perdido umas 4 horas de bate-papo, cafés e águas com gás. Agora vem a parte importante, mostrar como instalar programas e onde conseguir informações caso precise, evitando que tudo dependa de mim.

Mostrei a ela o Central de Programas e como era simples clicar e instalar. Junto disto, falei com ela da importância de priorizar os programas que não tem nada de KDE e porque focar no Gnome. Pedi também que só instalasse algo com K ou KDE caso não tivesse encontrado nada parecido. Ela entendeu sem muitos problemas.

Também criamos um usuário e senha no ubuntu-forums (BR e EN) e mostrei os passos de como conseguir informações, isso inclui "seja gentil, não acuse ninguém, relate por completo o que aconteceu ou que você deseja etc...".

Conclusão

Já fazem 6 meses de Ubuntu e ela já disse que não volta pro Windows. Além da máquina estar mais rápida, ela se sente mais segura porque não trava.

Escrevi este artigo (de 3 na série que tenho prontos) tentando mostrar a abordagem diferenciada para cada tipo de pessoa. Não se convence uma pessoa dizendo que é livre ou que é de graça ou que é super-mega-hiper-fodão.

Cada tipo de usuário tem necessidades diferentes, pensamentos diferentes e sua paranoias com relação a computadores. Neste caso específico, a usuária dependia do computador para trabalhar, ela não poderia perder tempo com códigos, comandos ou coisas do gênero. Ela precisa ligar trabalhar e pronto! Por isso a abordagem de mostrar, pesquisar e fazê-la instalar o sistema do 0. Para complementar já fiz umas 2 ou 3 visitas a casa dela. Nessas visitas já vi que ela aprendeu muito e está muito contente com a máquina.

Acredito ser isso que importa. A velha história de vamos ajudar o GNU/Linux a proliferar não é tão simples.

Comece simples, faça com sua mãe, seu pai, irmão, avós (tem um case bom da minha avó que vou colocar aqui). Isso sim é "Spreading Linux".

Comece com parentes ou vizinhos, se eles gostarem, eles vão "espalhar" a notícia que você fez o que fez e ficou supimpa, logo mais pessoas vão lhe requisitar o mesmo e cabe a você analisar a pessoa e tentar fazer passo a passo para migração do sistema da pessoa, respeitando as paranoias de cada um.

Obrigado.

André Morro
Gestor de T.I.
Florianópolis, 4 de Março de 2010

   

Páginas do artigo
   1. Caso: Heavy-User
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Comentários
[1] Comentário enviado por nicolo em 09/03/2010 - 12:36h

Minha percepção diz que há um pouco de novo e um pouco de velho no "case".
Um pouco de velho porque eu já escrevi mitas vezes que a escolha entre Linux e Windows está conectada à resposta (pelo usuário) :
Quanto vale sua informação?

De novo porque usuários mais "heavy user" tem um conhecimento maior, lidam com programas mais complexos e precisam de confiabilidade, logo são mais sensíveis aos argumentos do Linux.

Um sábio professor me disse uma vez: Se você está um passo a frente dos seus pares, você é um gênio; mas se você está tres passos a frente dos seus pares você é um esquizofrênico (vive num mundo que só você vê). Quando as idéias do esquizofrênico se materializarem ninguém vai se lembrar que ele chegou a essas conclusões há muito tempo.

Há propostas no Linux que estão 3 passos a frente do mundo dos usuários; ex Gentoo e correlatos, mas provavelmente só a um passo a frente do mundo dos especialistas. O Ubuntu optou por andar um passo a frente do mundo dos usuários.

Para divulgar o Linux precisa ter tato e paciência. Parabéns.

[2] Comentário enviado por eduardoefb em 09/03/2010 - 13:13h

Parabéns meu amigo....

Comigo infelizmente foi diferente...

Mostrei para minha irmã, cunhada, etc... (O ubuntu mesmo)...

E todos voltaram para o Windows.. (sem explicação nenhuma).. o interessante é que usei os mesmos argumentos....

"Vc só irá usar o terminal e executar comandos se quizer..."


[3] Comentário enviado por andremorro em 09/03/2010 - 13:35h

Prezado nicolo,

Realmente há um pouco de novo e de velho no "case" propriamente dito.

Como você mesmo escreveu, o "heavy user" tem um conhecimento maior e lidam com programas complexos e foi justamente por isso a intenção de utilizar este primeiro exemplo para o meu primeiro artigo do VOL.

Claro que comecei ao contrário, de uma vovó que nunca mexeu até chegar no heavy user, fora os níveis entre eles, mas a grande idéia é sair dos clássico arguementos :

- Linux é de graça!!
- Usa que é bom!
- Olha que 3D da hora!

Isso são argumentos pouco convincentes, há muito a fazer do que simplesmente argumentar.

E peço desculpas por não ter lido (ainda) nenhum dos seus artigos, vou ler assim que possível.

---------------------------------

eduardoefb

Talvez (posso estar errado) você usou uma abordagem errada, é complicado porque geralmente esses são os mais atrelados ao windows.

Quando envolve o Windows Live Messenger é onde fica MUITO complicado, mas há contorno.
(repito - posso estar errado).

E realmente, há aqueles que não saem do MS, enquanto isso eu vou me capacitando ainda mais para convertê-los.


[4] Comentário enviado por ALAHARA em 09/03/2010 - 15:20h

Embora eu ache prudente ler os próximos "cases" vou dar minha opinião:

O problema não é convencer a pessoa a usar o Ubuntu, mas sim, quando ela estiver sozinha com ele e encontra um programa que gosta e não consegue instalar. Ou o clássico: Jogos que quase sempre são incompatíveis. Outro clássico: Sites de bancos que nem sempre funcionam.

Muitos "usuários" de Ubuntu, pelo que ví, só os usam em casa, e mesmo assim fazendo testes, fuçando daqui e dali. Eu mesmo, não posso usar outro programa que não o Windows no meu trabalho, pois os softwares para minha profissão são 100% escritos para windows.

Para mim a adoção do Ubuntu é mais fácil para os "heavy users" que conseguem se virar sozinhos, ou aos extremamente iniciantes, que, basicamente só usam o navegador, e-mail e editor de texto.

No entanto, a Canonical vem tendo a sensibilidade de colocar facilidades como a Central de Programas (mas fácil que o synaptic), mas pisa na bola ao propor que os botoes "maximizar" "minimizar" e "fechar" fiquem do lado esquerdo da tela, como está ocorrendo com o Ubuntu 10.04 que, felizmente está em desenvolvimento e ainda permite corregir este deslize.

No mais, o arquivo, embora meio batido, é um alento para que possamos ir tentanto. Uma hora pega.

[5] Comentário enviado por eduardoefb em 09/03/2010 - 16:19h

Também acredito ter usado abordagem errada,

Mas acredito que o "é mais fácil" e "mais pático" são bons argumentos.. E achei o Ubuntu mais fácil e mais prático que o Windows :-)

Para quem usa o computador apenas para MSN, Orkut (e dervados) e Youtube, não existem fatores limitantes no Linux (Falando de Ubuntu). Para uma distribuição mais complexa é necessário "sujar a mão" um pouquinho para fazer funcionar (mas nada que machuque).

Voltando aos usuários de MSN, Orkut.... etc... Esses são os usuários os quais que instalei o Linux Ubuntu em seus computadores (lado a lado com o Windows, em uma outra partição no HD), isso porque reclamavam que o computador estava lento (como se o problema fosse do computador). Quando istelei o Ubuntu e criei um usuário para cada um (acho que poderia ter os deixado fazer isso para verem como é), todos ficaram maravilhados (Nossa... que rápido.. e que simples!!!)...

Mas com o tempo voltaram para o Windows e nem olham para o Linux .


[6] Comentário enviado por lestatwa em 10/03/2010 - 10:48h

Parabéns pelo artigo André! Essa semana ainda publicaram um artigo meu aqui no VOL (Ignorância atrelada ao comodismo) que fala desse problema com usuários Windows para Linux. Já passei por algumas situações parecidas, e na verdade, agora esta sendo Punk! Sou professor do Senac e estou tentando abrir um curso de Linux aqui na minha cidade(Irati-PR), porém a resistência é muito grande. Se você abre um curso de Hardware ou Redes, fecha turma no dia, já de Linux, mesmo cobrando abaixo da tabela, divulgando e preparando um bom conteúdo não conseguimos fechar uma turma sequer.
Paciência... Enquanto não descubro a fórmula para ganhar alunos, vou me virando com o que eu tenho eheheh.
Mas é isso ai!
Parabéns pela iniciativa do artigo!

Att,
Luís Eduardo Boiko Ferreira


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