O papel social do software livre

Neste artigo estarei mostrando um posicionamento a respeito de como o software livre e suas comunidades podem, através de projetos e ações, se transformar em agentes modificadores da sociedade (principalmente das classes menos favorecidas).

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Por: Rafael Guedes em 29/03/2005


Introdução



Há algum tempo, tem se falado a respeito da utilização do software livre, de inclusão digital e da democratização da informática. Mas afinal, o que tudo isso quer dizer?


Primeiramente devemos situar o leitor a respeito dos conceitos referentes a software livre, que na prática pode ser definido como: programa de computador de código livre, no sentido de se poder modificá-lo, alterá-lo, distribuí-lo e inclusive vendê-lo, sem que isso vá implicar em processos por violação de direitos autorais, que poderiam existir no caso de softwares proprietários (softwares protegidos por leis internacionais de direitos autorais).

A utilização de programas desta natureza, como o sistema operacional Linux (maior expoente em termos de softwares "abertos"), reduz custos com aquisição de programas, licenciamento e aluguel dos mesmos, o que nos leva a pensar: o valor que seria aplicado no licenciamento de programas é reinvestido em outras áreas, como por exemplo, nos setores de pesquisa.

Podemos observar muitos casos de sucesso na utilização de programas livres, como é o caso do governo do estado do Rio Grande do Sul, que substituiu sistemas proprietários por semelhantes livres, tendo como conseqüência uma diminuição drástica de gastos em aplicativos e hardware. O sucesso de software livre é inegável, porém é no setor social, onde enfocaremos o artigo.

Neste setor podemos observar algumas das potencialidades desta filosofia. A idéia é: disseminar conhecimento a cerca da tecnologia, para que a sociedade, independente de classe, cor ou religião, possa ter um contato inicial de computação e que sejam instigados a conhecer mais a respeito. Conhecimento esse, que se torna quase obrigatório quando falamos, por exemplo, em se conseguir um emprego, visto que familiaridade com informática é quase sempre um requisito obrigatório em qualquer processo seletivo.

Tudo isso é possibilitado através das reduções de custos, já citadas neste texto, que encorajam muitas empresas, ONGs e grupos a promover e incentivar projetos de inclusão social, que se utilizam da tecnologia de software livre para realizar assim a tão esperada democratização tecnológica (por extensão a democratização da informática), que se faz necessária em nosso país subdesenvolvido, e com profundos abismos sociais.

No Brasil há uma tendência criada por parte do governo que incentiva a utilização de software livre. Por meio de seus órgãos, ministérios e até mesmo nos projetos sociais: a razão óbvia é a redução dos gastos com licenciamento de programas, o que por si só, já é um ponto positivo para nós brasileiros. Imaginem onde esse recurso economizado pode ser investido. Na Fome Zero? Na melhoria de nossas estradas? Acho melhor voltarmos ao foco deste artigo, que é o software livre.

Devemos salientar que nem sempre a melhor saída é o software livre, existem algumas áreas de aplicação para as quais alternativas gratuitas ainda não tem "maturidade" suficiente para competir com softwares comerciais. É claro que o caso contrário também é verdadeiro: existem situações onde o software livre se comporta melhor do que software comercial, ou seja, são mais robustos, flexíveis e gerenciam melhor aplicações críticas, como no caso dos "web servers". Porém no caso de aplicações para fins didáticos e disseminação de conhecimentos, a utilização destes softwares devem ser profundamente incentivados, uma vez que eles são de fácil acesso (todos os meses há uma distribuição na banca de jornais mais próxima) e isentos de licenças comerciais.

Como profissionais de informática, temos por obrigação que entender um pouco de cada área e claro, definir um foco de onde se especializar. Porém, como brasileiros, devemos atentar para os problemas sociais que nos cercam e incentivar atividades de inclusão digital e social, independente de plataforma ou filosofia. Mas estamos partindo do principio, em que nem todos os brasileiros tem acesso à informática, é claro que por motivos financeiros. É neste momento que a comunidade munida de ferramentas como o software livre deve se unir para exercer o seu papel.

   

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Comentários
[1] Comentário enviado por Ti_j@der em 30/03/2005 - 01:03h

muito bom este artgo

[2] Comentário enviado por jragomes em 30/03/2005 - 10:07h

Interessante. Daria pra explorar mais um pouco :-). Mas que sabe não fica pros próximos artigos.
Desculpa, só fazendo uma retificação.. qdo vc fala de software comercial, vc poderia usar software proprietário. Pois software livre também pode ser comercial.
Mas, no geral ficou bem legal. Vc deixou de lado a parte técnica e pôs a parte social/filosófica que envolve o SL

[3] Comentário enviado por rafaelguedes em 30/03/2005 - 12:27h

Muito obrigado pela retificação. Abraços.

[4] Comentário enviado por gabiru em 31/03/2005 - 18:06h

Rafael,

eu sou, talvez, um dos únicos aquui que não tem origem na área de exatas, mas que vem das humanas, o que me faz ter uma visão a partir de um outro registro das questões de informática.

Eu concordo com o que você expôs no seu texto, mas gostaria de trazer a esse debate uma polêmica que surgiu numa discussão entre amigos, no melhor esquema Linux X Windows. A argumentação pró windows era que é um sistema de muito mais facilidade para o uso e que o linux nunca seria o SO padrão pra desktop por esse motivo. O questionamento que foi levantado, que eu quero trazer aqui é que o Windows é "mais fácil" exatamente porque desde que o sujeito mexe com um computador pela primeira vez na vida é em Windows.

Apesar de saber e concordar com as melhorias e possibilidades da implementação do software livre, gostaria de questionar como seria possível a construção de uma política de utilização de SL que extrapole a utilização com determinadas finalidades (pra este ou aquele projeto, por exemplo) e passe a ser, efetivamente, um uso social sem que as pessoas sintam mais facilidade em trabalhar com o que é vendido, não com o que é criado.

Enfim, vamos ao debate.

Abraços,
gabiru

[5] Comentário enviado por rafaelguedes em 01/04/2005 - 00:30h

Bom, em primeiro lugar gostaria de agradecer imensamente a sua contribuição para este artigo. Agora vamos ao que interessa.
Já participei de alguns dabates fervorosos sobre Windows e Linux, e um dos pontos mais contundentes sem dúvida é o quesito "facilidade de uso". Tudo bem admito que o Windows é mais intuitivo para com seus usuários inexperientes, a interface de janelas que a M. desenvolveu esbanja usabilidade e recursos mas, acredito que o Linux "está quase no ponto"; falta muito pouco para que a plataforma livre se equilibre em relação a proprietária nesta questão. Lembro que quando instalei o meu primeiro Linux, tive que levantar uma vasta documentação, fazer coisas sobre as quais eu nem tinha idéia, e ainda rezar para que tudo desse certo. A interface gráfica em questão era o KDE (a minha preferida) e eu achava ela um tanto quanto carente de certos recursos e sentia que ela não era tão "fácil de mexer" quanto a interface microsoftiana :)
É claro que eu já possuia experiência com o Windows e por isso senti muitas dificuldades em utilizar o Linux, tanto que tempos depois acabei removendo-o do disco. Finalmente cheguei ao ponto que queria, eu já sabia mexer no Windows.
COMEÇANDO DO ZERO...
Imaginem vocês que estou eu Rafael iniciando em informática e ao invés de aprender Windows, resolvo aprender Linux, eu não sei nem do que se trata, mas resolvo partir para essa plataforma. Bom é evidente que terei dificuldades, que são inerentes ao aprendizado de qualquer coisa nova, porém como não tenho os vícios do Windows, é notório que aprenderei a usar Linux muito mais rápido e sem tantos obstáculos.
Nessa guerra de SO´s eu acho que todo mundo deveria (e tem) a liberdade de escolher por onde começar mas ressalto que todos devemos conhecer um pouco de cada plataforma; não é uma exigência minha, e sim do mercado de trabalho. Eu mesmo não abro mão do Windows para algumas coisas e do Linux para outras, acho que usuários "hibridos" são o que há na informática.
VOLTANDO AO ASSUNTO...
Bom voltando a falar de "facilidade", se fizermos uma análise da evolução do Sistema Operacional Linux, podemos notar uma expressiva melhora em termos gerais: segurança, estabilidade, robustez (na parte técnica) e facilidade de uso. As interfaces gráficas melhoraram bastante e existem amplos instrumentos de dissiminação de conhecimentos sobre o sistema na internet. "Não há desculpa para não se aprender SL".

CONCLUINDO...
Não existe uma área onde o Linux não possa ser utilizado: em casa, no trabalho, nos servidores, nas aplicações críticas existe um mundo de oportunidades. Uma coisa eu digo: o profissional de software livre é bom! e é diferenciado. Custumo dizer, quem "mexe com Linux" só pode ser classificado como 0 ou 1 (classificação binária :D) 0 - SABE 1- NÃO SABE. Não existe um profissional mais ou menos, como no caso de outros SO´s.
Chego a pensar que se o Linux tivesse aparecido antes, o mundo não seria o mesmo... bom mas isso é assunto para futuros debates...

Abraços,

[6] Comentário enviado por rafaelguedes em 01/04/2005 - 00:35h

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[7] Comentário enviado por pardalz em 19/10/2007 - 17:57h

Há 7 anos, fiz o meu primeiro curso de informática, esse curso envolvia: Windows98, word, excel, powerpoint, e internet. o único curso de informatica q eu fiz foi esse.
1 ano apos o curso, eu comecei a trabalhar como técnico em informatica, sério.. eu me virava, pedia ajuda a amigos e na maioria das vezes, eu mesmo solucionava o problema do windows.
ha 4 anos atraz eu vi Línux pela primeira vez na minha vida, ja tinha ouvido falar e tal, mas nunca tive a curiosidade de me envolver nesse meio. ate que um amigo me forneceu um cd do Conectiva7, que rodava direto do cd, este veiu em uma revista, na verdade, eu axei meiu escroto, mas guardei o cd. um belo dia, eu estava meiu sem ter oq fazer.. e resolvi mexer no cd.. colokei pra roda e lá vai eu mexer, tive dificuldades como por exemplo em montar as partições do meu hd, instala o meu softmodem, instalar o sistema operacional no hd... e por ae vai... ate qeu desisti! desisti de vez..
agora 3 anos depois, estou tentando entrar nesse meio de novo, estou começando do kurumin, e pretendo chegar ao debian.. puro.

agora.. falando do debate.. linux x windows
Linux, já foi ruim para quem estava acostumado com as facilidades do windows(tirando as tela azul) ;p.
Linux hj, é totalmente diferente... eu nao consigo entender pq as pessoas tanto odeio, eu vejo gente comprando micros nas lojas com linux para formatar e instalar windows pirata, isso com ctz nao eh justo, as pessoas nao chegam nem a experimentar, fazem como eu fiz, dexam de lado uma coisa q nem conhecem..

windows é ruim, inseguro, caro e problemático! Séra q ninguem consegue ver isso?!


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