Por que eu pago por 10 megas, mas só faço download a 1 mega?

Este artigo esclarece o "truque" que as operadoras usam para vender seus pacotes de internet, levando o cliente a acreditar que está usando uma velocidade que nunca alcançará.

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Por: Djair Dutra C. Jr. em 28/06/2016


Esclarecendo o problema



A resposta para o título deste artigo pode ser dúbia, deixando para ambos os lados a prerrogativa da razão. Funciona assim:

As operadoras se valem da confusão entre as unidades de grandeza utilizadas para identificar quantidade de dados, fazendo os clientes acreditarem que estão levando uma velocidade que nunca alcançarão.

Porém, antes vale fazer uma breve explicação apenas das unidades de grandeza mais comuns (lembrando que estamos considerando o sistema binário).utó

A menor unidade de dado chama-se "bit". Após o bit, a próxima unidade de grandeza é o "byte", que tem o tamanho de 8 bits. Após o byte, a próxima unidade de grandeza é o "quilobyte", representado pela abreviação kB, com o tamanho de 1024 bytes. Após o quilobyte, a próxima unidade de grandeza é o "megabyte", que comporta 1024 quilobytes e é representado popularmente pela abreviação MB (porém, a abreviação correta é MiB, mas isso não será discutido neste artigo para não perder o foco).

Em resumo, basta decorar a sequência correta das nomenclaturas mais utilizadas: bit, byte, quilobyte, megabyte, gigabyte, terabyte, petabyte. Exceto pelo byte que representa apenas 8 bits, as demais unidades de grandeza são incrementos de 1024 à unidade anterior. Por exemplo: 1 megabyte = 1024 bytes, 1 gigabyte = 1024 megabytes, 1 terabyte = 1024 gigabytes, 1 petabyte = 1024 terabytes e assim por diante.

As operadoras usam um truque desleal, para fazer com que o cliente acredite que possui mais velocidade. A trapaça começa na publicidade dos sites das operadoras, cujos planos são mostrados em 10 MB, 20 MB, 30 MB, 100 MB, ou 10 Mbps, 20 Mbps, 30 Mbps, 100 Mbps e assim por diante. O truque é que as operadoras omitem que este MEGA, na verdade é um "megabit" e não um "megabyte". Essa diferença entre "i" e "y" é bem sutil, mas faz uma enorme diferença, afinal, se o mega está sendo multiplicado por um quilobit o resultado na prática será 8 vezes menor do que se ele fosse multiplicado por um quilobyte. Este mesmo cálculo vale para velocidades menores, como 500 kbps, por exemplo, onde as operadoras estão vendendo a velocidade de 500 quilobits por segundo (e isso não passa nem perto de meio mega).

O tamanho dos arquivos, os aplicativos que gerenciam downloads, bem como os próprios browsers calculam a velocidade de download considerando o óbvio, ou seja, considerado que o MEGA deve ser atribuído ao byte e não ao bit. Então, como as operadores vendem a velocidade de 20 megabits (com i) por segundo, por mais que ela entregue 100% da velocidade contratada você jamais baixará um arquivo de 20 megas em 1 segundo.

Em resumo, numa realidade utopica onde a operadora entrega 100% da velocidade contratada, os valores de download serão diferentes porque as operadoras fornecem quilobits e megabits, enquanto os sistemas operacionais consideram o quilobyte e megabyte.

Com isso, abre-se uma discussão sobre a legalidade de atribuir o MEGA ao bit ou ao byte e induzir o cliente ao erro, mas não há uma normalização obrigatória que force as operadoras a usar as nomenclaturas corretas.

As operadoras podem alegar que o quilo (na unidade binária) é uma unidade de grandeza aplicável a qualquer outra unidade, assim como é feito (na base decimal) com outras unidades de medida como o quilômetro (1000 metros), ou o quilograma (1000 gramas). Assim fica aberta a possibilidade de usar a nomenclatura quilobit, referindo-se a 1024 bits.

Por parte dos usuários, vale a alegação de que a publicidade das operadoras induz a compra de uma velocidade que nunca será alcançada, afinal, se você contrata uma internet com velocidade de 10 mbps espera-se que faça o download de um arquivo de 10 megabytes em 1 segundo. Quem tem razão nessa confusão de medidas?

Considerando que os sistemas operacionais e os softwares fazem cálculos de velocidade usando o quilobyte e o megabyte, as operadoras são as únicas que destoam desta realidade em nome de um número "mais comercial", portanto, em nome da transparência e de uma uniformidade de medidas, caberia a elas a adequação aos padrões da maioria.

   

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   1. Esclarecendo o problema
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Comentários
[1] Comentário enviado por matsumiya em 29/06/2016 - 11:09h

Ola,

Gostaria de complementar com algumas informações e corrigir alguns pontos:

- A nomenclatura de bits, kilobits, megabits e etc, foi concebida numa época que ainda nem se tinha definido o que era um byte. E quando os primeiros computadores surgiram, 1 byte era definido por arquitetura, existindo arquiteturas que definiam seus bytes sendo 6,7,8,9 ou até 12 bits de tamanho.

- Por isso, a notação de bits foi adotada para comunicação de redes de computadores, pois é a unidade que mais fundamental no contexto (por exemplo: alguns protocolos de rede utilizam 1 bit de informação para definir um pacote como íntegro ou não). Ja no contexto de dados, 1 byte é a unidade mais fundamental, pois vc não consegue, à partir da interface fornecida ao usuário, alterar 1 bit de informação em um certo arquivo, somente 1 byte.

- As operadoras normalmente entregam a velocidade contratada sim. Se vc contratar um plano de 8Mbps, como anunciado pela operadora, e fizer um download à 1MBps, ela está entregando 100% da velocidade contratada, sendo tecnicamente impossivel entregar um valor maior q esse, pois 8 megabits/s = 1 megabytes/s.

- Apesar de vc ter optado não elaborar sobre a abreviação de MiB, eu acho q é um detalhe bem importante. KB, MB, GB significa justamente, como vc diz, uma grandeza aplicavel a qualquer unidade (kilo, mega, giga, etc) seguindo potencias de 10 (10, 100, 1000 etc), porem MiB significa mebibyte (KiB kibibyte, GiB gibibyte, etc) q significa potencias de 2 (1 MiB = 1,048,576 bytes e não 1,000,000)

- Entrando nesse ultimo assunto, o mesmo ocorre com o mercado de HDs. Um HD é vendido como 500GB, porém o fabricante o fez apenas com 500,000,000,000 bytes. Mas seu sistema operacional trabalha apenas com potencias de 2, e por isso, vc vai o ver como sendo um HD de 465 GB e achar q é trambicagem do fabricante.

- Um ultimo exemplo parecido, são as placas de rede, q existem modelos anunciados de 1Gbps, porém elas transferem, no maximo, a uma velocidade de 125 megabytes por segundo, e não 1 gigabyte por segundo.

Para concluir, acho q devemos ficar mais relaxados em questão de achar q tudo q as grandes empresas fazem é para nos enganar. Não estou dizendo q não existe um marketing envolvido nisso, mas tecnicamente em nenhum momento eles mentiram.

Posso estar errado em alguns pontos, por favor me corrijam.


Abraço.

[2] Comentário enviado por eduardoferrol em 30/06/2016 - 11:27h

Bem bacana o artigo.

[3] Comentário enviado por ederpaulopereira em 30/06/2016 - 14:45h

Olha só, levei anos pra entender o pq das operadoras fazerem isso, até que meu chefe, com toda paciência do mundo, me explicou exatamente o que você escreveu. Lembro que fiquei indignado, pois, pra mim, estavam vendendo uma coisa e entregando outra, pois o cliente não é obrigado a saber destas conversões, e tampouco as operadoras fazem questão de esclarecer isso.

[4] Comentário enviado por albfneto em 01/07/2016 - 08:30h

Eu não diria que é uma má fé da provedora. Isto porque unidades de medida são "convencionadas" ou são padronizadas internacionalmente, são normatizadas...
simplesmente a velocidade de tráfego máximo é medida padronizada em megabits, enquanto o download para o micro é medido em unidades para "armazenamento" no HDD, que é em bytes...

tanto que quando meço minhas redes num velocímetro, muito bom é este, experimentem:

http://www.speedtest.net/

obtenho exatamente a velocidade contratada, às vêzes até um pouco mais.

tanto que não é má fé, que também ocorre fora do brasil, Internacionalmente também é exatamente assim...:

http://www.howtogeek.com/181879/ask-htg-why-is-my-download-speed-slower-than-the-internet-i-pay-for/

simples é norma, convenção, exemplo força é medida é cavalos vapor em motores, mas é medida em Newton em experimentos de física,
temperatura é graus celsius, vento é metros por segundo ou kilômetros por hora, pressão atmosférica em hectopascals ou em milibar etc...


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Albfneto,
Ribeirão Preto, S.P., Brasil.
Usuário Linux, Linux Counter: #479903.
Distros Favoritas: [i] Sabayon, Gentoo, OpenSUSE, Mageia e OpenMandriva[/i].

[5] Comentário enviado por Teixeira em 01/07/2016 - 12:44h

No Brasil, país onde incrivelmente o consumidor é mais protegido que em outros supostamente mais evoluídos, o Código de Defesa do Consumidor dispõe que toda propaganda seja feita de forma TRANSPARENTE ao usuário.
Portanto, é de admirar que a Anatel ainda permita a divulgação de grandezas de forma a gerar dúvidas na mente dos usuários.
Aqui em casa, a banda larga contratada é de "15 Mega" e embora não seja dito "mega-o-que", o que obtenho é mais ou menos isso.
Quando tinha um plano com outra operadora, era de "5 Mega", dos quais apenas 0,4 "Mega" me eram disponibilizados... E quando muito, chegava-se ao "meio-mega"...
Nota-se claramente que a Anatel tem um certo apadrinhamento com aquela operadora, visto que quando muito ela entrega apenas 10% do que oferece, e "está tudo certo"...

[6] Comentário enviado por oneaty em 01/07/2016 - 18:10h

Se as operadoras vendem um plano de 10 Mbps, então elas não estão mentindo: 10 Mbps é 10 megabits por segundo
Se elas vendem 10 MBps, elas têm que entregar 10 megabytes por segundo.
Como outros colegas acima (ou abaixo), a minha operadora entrega o que me vendeu, ou seja, 20 Mbps (que quando eu meço no computador, é medido em MB/s e dá algo em torno de 2 MB/s).
Simples: b é bit e B é byte. Laranja não é igual a banana.

[7] Comentário enviado por Teixeira em 03/07/2016 - 10:26h

Tenho um plano de "15 Mega" contratado com a GVT (atual VIVO).
Minha medição agora, há poucos minutos foi de 16,50 Mbps para download e 1,13 Mbps para upload.
Com a antiga operadora OI, em um plano de "5 Mega", o resultado era em Kbps e não em Mbps.
A questão é que o número "4.000" aparenta ser maior que "5", e isso é uma forma de enganar as pessoas.
Além do que, havia - e ainda há - um grave problema nas antigas portas Huawey ainda e insistentemente adotadas por aquela operadora, que "empacam" em velocidades acima de 1Mbps.
Isso é um fato conhecidíssimo dos técnicos, que ficam fazendo verdadeiros malabarismos para não deixar o cliente sem internet (só não vou dar o caminho das pedras, rsrs).
Anos se passaram, e não houve da operadora NENHUMA solução.
A "tia Ana" simplesmente assovia e olha para cima, indiferente como sempre.

[8] Comentário enviado por nicolo em 07/07/2016 - 09:57h

Isso não soa como má fé das operadoras, elas estão vendendo conexão, significa banda. O fluxo depende do equipamento do outro lado. O que soa como má fé, ou no mínimo descaso, negligência e desleixo é quando você compra 10 Mb e só faz download a 80 kByte, qualquer que seja o site conectado.
A propósito, isso melhorou muito, já foi bem pior e mais caro.

[9] Comentário enviado por ricardogroetaers em 07/07/2016 - 10:06h

Independente do artifício comercial de usar, por exemplo o termo "Mega", se referindo a Megabits, fazendo o usuário confundir com Megabytes, o fato é que as operadoras não entregam a velocidade contratada, salvo em alguns casos, como por exemplo, no acesso a sites de medição de velocidade de conecção. No acesso a outros sites a velocidade real (que é muito dificil de medir), na maioria dos casos, fica muito abaixo da contratada.

Elas são malandras. Voce e seu vizinho, por exemplo, podem ser assinantes da mesma operadora e do mesmo plano. Voce pode estar acessando um site e ele estar lento, simultaneamente seu vizinho acessa o mesmo site e tudo está normal. Essa prática se chama "traffic-shaping" e é praticamente impossível provar sua prática.

Quem estiver interressado pode ler esse bom artigo (em 6 capitulos) em:
http://www.clubedohardware.com.br/artigos/traffic-shaping-uma-afronta-a-neutralidade-da-rede/3201

[10] Comentário enviado por Teixeira em 07/07/2016 - 10:34h

Meu melhor teste é acessar o site da Hello Kitty (sanrio.com), que é enorme, fica do outro lado do mundo, e tem todos os recursos que fariam normalmente (?) um site ficar pesado.
No entanto, abre muito rápido, bem como permite navegação super limpa e rápida, algo que nossos programadores tupiniquins deveriam aprender a implementar.
As páginas abrem como se estivessem guardadas no meu HD.
Dessa forma, havendo qualquer retardo já se pode ter certeza de que é problema com a qualidade da conexão.

[11] Comentário enviado por xerxeslins em 07/07/2016 - 13:48h

Hmm se eu contrato um serviço de "10 mega" eu já sei que é 10 megabits e não megabytes. Mesmo assim, essa é a velocidade de pico e não significa que eu estarei nessa velocidade o tempo todo. É só o pico.

Ao mesmo tempo eu entendo que as pessoas que não conhecem a diferença entre bits e bytes, acabam achando que se contratam 10 mega, elas vão baixar arquivos com velocidade de 10 megabytes por segundo! O que daria um download de 1 giga em menos de 2 minutos. Seria bom, hein! :D

Artigo interessante para discutir.

--
# epro mix-in +no-systemd
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https://goo.gl/uu8OUX

[12] Comentário enviado por xerxeslins em 07/07/2016 - 13:50h


[10] Comentário enviado por Teixeira em 07/07/2016 - 10:34h

Meu melhor teste é acessar o site da Hello Kitty (sanrio.com), que é enorme, fica do outro lado do mundo, e tem todos os recursos que fariam normalmente (?) um site ficar pesado.
No entanto, abre muito rápido, bem como permite navegação super limpa e rápida, algo que nossos programadores tupiniquins deveriam aprender a implementar.
As páginas abrem como se estivessem guardadas no meu HD.
Dessa forma, havendo qualquer retardo já se pode ter certeza de que é problema com a qualidade da conexão.


kkkkkkkkkkkkkk

[13] Comentário enviado por Teixeira em 07/07/2016 - 18:31h

As medições que eram feitas até então apresentavam resultados lineares, o que não corresponde a uma verdade absoluta.
Hoje noto que tais medições começam durante alguns segundos com uma taxa mais baixa, vão crescendo nos primeiros instantes, fazem um breve pico acima da "velocidade" contratada, e apresentam picos praticamente desprezíveis, e bem próximos dos valores contratados com a operadora, o que é bem satisfatório.

[14] Comentário enviado por lukeboulder em 11/07/2016 - 00:27h

Parabens pela iniciativa e pelo tempo gasto.


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