Área de Trabalho Aristocrática

Comentários em cima de um artigo que faz críticas aos ambientes de trabalho "tradicionais".

[ Hits: 2.295 ]

Por: Xerxes Lins em 03/10/2017 | Blog: https://goo.gl/uu8OUX


Introdução



O artigo que comento está disponível em:

Resolvi fazer uma tradução livre (excluindo as notas e algumas imagens) e comentar alguns pontos. Palavras entre colchetes são adições minhas.

O autor começa com a sua introdução:

O fantástico mundo dos computadores

Geeks como eu costumam comparar sistemas operacionais e ambientes desktop, discutindo os benefícios de um sobre os outros. Mas, na maioria das vezes, perdemos o foco e esquecemos dos usuários [leigos, não geeks].

Quero dizer: "os usuários da vida real", aqueles que não podem sequer entender os conceitos básicos e que usam um computador porque eles não têm escolha. Alguns geeks diriam que "é bom para eles aprenderem", mas eu realmente discordo. Todos os dias vejo pessoas muito brilhantes que precisam imprimir seus e-mails em papel para que possam lê-los ou que não entendem a diferença entre o botão "minimizar" e o botão "fechar" em uma janela.

[Vemos muito isso, principalmente no fórum do VOL. Há uma corrente mais "xiita" que diz que o usuário que não consegue entender isso ou aquilo nem deveria tentar o Linux.]

É verdade: a maioria dos usuários simplesmente está perdida em um mundo fantástico onde os jornais falam sobre "vírus" e "hackers" o tempo todo. Eles têm medo de se sentar na frente de seu próprio computador! Se algo aparecer na tela, eles entram em pânico e perdem toda capacidade de raciocínio. "Deseja salvar este arquivo? Sim ou não ?" E eles gritam: "O que eu faço? O que eu tenho que fazer? Por favor, diga! Tenho medo de que, se eu clicar no botão errado, o computador explodirá!"

Menos não vende

É um trabalho difícil, mas podemos imaginar um sistema operacional amigável. Atualmente, quando um usuário comete um erro, o computador (ou o desenvolvedor do programa) diz quando o usuários está errado e como ele deve fazer para corrigir o erro. O trabalho é levado tão a sério que, muitas vezes, o computador entende o que você quer e explica como fazer... em vez de fazê-lo! Tipo: "Eu entendo que você deseja inserir o seu número de telefone e que você inseriu um ponto entre os grupos de dígitos, mas eu só aceito seu número de telefone se você remover manualmente os pontos, seu preguiçoso!".

Olhe para o seu carro ou para a sua máquina de lavar. Se são novos, é provável que eles tenham muitos botões, pequenas telas em todos os lugares, emitindo alguns "sinais sonoros" quase todo o tempo. Se você não é um geek, provavelmente você passou os primeiros dias lutando para aprender a usá-los e, agora, você está usando apenas os dois ou três botões que você conhece. Se uma criança pressionar algum botão aleatório, você reagirá com um comportamento totalmente inesperado e culpará a criança: "Não toque nisso! Veja, você bagunçou o sistema!". Mas o único culpado é, com certeza, o engenheiro que o projetou.

Se queremos um sistema realmente amigável, devemos ouvir os usuários e ajudá-los. E devemos adaptar o sistema para eles.

Infelizmente, também significaria remover muitos materiais não muito úteis. Isso significaria colocar exatamente o que é realmente necessário na frente do usuário, quase nada. E menos, não vende. "Mais fácil de usar" é apenas uma linha na descrição do produto, enquanto você pode adicionar muitas linhas como "recurso extra para desenhar gráficos 3D" e "incluindo um protocolo de manipulação estocástica semi-inteligente".

Mas, na maioria das vezes, o software livre também não vende. Então, por que não facilitar as coisas? Aproveite as oportunidades para criar um sistema realmente amigável. Devemos atingir um recém-chegado típico ao mundo do computador.

Deixe-me apresentar-lhe Maria. Ela tem 58 anos e ela é uma matemática muito famosa. Ela estava usando computadores com cartões furados quando era adolescente. As coisas mudam e agora ela tem dificuldades para se adaptar. Seu e-mail é verificado pelo assistente que os imprime para que ele possa ler. Ela geralmente responde por telefone porque é mais fácil. A universidade dá a ela um novo computador todos os anos, mas quando ela o liga, ela recebe muitos avisos e o departamento de informática está sempre com raiva dela por causa de supostos "vírus".

Outro usuário normal é João. Ele tem 75 anos e nunca usou um computador antes. Ele nem sabe pra que serve um mouse. Ele era um biólogo brilhante e gosta de ler livros científicos. Ele tem olhos ruins e sua mão está tremendo. Seu sobrinho é sua única família e em breve deixará o país para trabalhar no exterior. João quer usar um computador para manter contato com ele e receber foto de seu sobrinho.

Vamos fazer um desktop que será simples, eficiente, elegante, puro para João e Maria, mas sem ter que lhes ensinar muitos conceitos. Vamos fazer uma área de trabalho aristocrática!

Mudando nossos hábitos, passo a passo

Bem, não inventarei um novo paradigma para a computação. Nem eu vou mostrar-lhe um monte de modelos especiais. Basta explicar-lhe algumas opções que uso todos os dias.

Ajudei e ainda ajudo muitos Joãos e Marias, de 7 a 87 anos. Alguns usavam computadores por 20 anos, alguns deles se orgulhavam de me dizer que o teclado era quase idêntico à sua velha máquina de escrever. Todos eles estavam completamente perdidos na frente de um computador e a maioria deles não quer aprender, eles querem usar a ferramenta.

[Perceba o grande destaque aqui entre querer/precisar USAR e ter que APRENDER].

Meu primeiro passo foi, para todos eles, instalar o Ubuntu com o Gnome Desktop. Na minha experiência, é a área de trabalho mais fácil de usar por padrão. Eu só falo sobre "fácil", então não venha com comentários sobre o SEU desktop favorito, por favor. Uma coisa tenho certeza, de qualquer maneira, é que o Windows é completamente inutilizável para qualquer pessoa sã que queira "usar" seu computador. Até agora, acredito que eu estava certo porque, das pessoas que eu ajudei, mudá-las para o Ubuntu diminuiu a taxa de problemas de 100 para 10.

[O autor cita Ubuntu, mas o que realmente interessa aqui é o ambiente desktop, no caso o GNOME 3 (com GNOME-Shell), pela questão da usabilidade. A distribuição é o de menos].

Ainda assim, houve alguns problemas. E descobri que alguns conceitos muito básicos são mais difíceis de entender do que eu pensava. Coisas como: clique-duplo, uma janela, uma pasta, a área de trabalho, a barra de tarefas, o ícone na systray. Eu também descobri que alguns usuários estavam usando um computador por dez anos sem sequer entender a função de minimizar uma janela! A única maneira que usavam para alternar entre uma página da Web e um processador de texto era fechar uma e depois abrir a outra. Isso era visto como normal!

Algum tempo eles estavam me perguntando: "por que é assim e não assado?" E não consegui responder. Descobri que mudar algumas opções na área de trabalho do GNOME ajudou muito. Então, descobri que, mesmo para mim, tornou-se mais fácil de usar. Compartilho isso com você escrevendo algumas postagens, uma sobre cada opção.

Você pode não gostar delas. Você pode lutar contra a ideia de que essas opções são úteis. Conheci uma resistência muito grande ao tentar convencer os usuários avançados. Mas os usuários normais ficaram encantados.

Lembre-se: isso não é sobre você, não se trata do uso do seu computador. É sobre ter um padrão razoável. Trata-se de fazer coisas fáceis para sua avó. Todos concordamos que o Vim e o Emacs são softwares muito úteis e muito eficientes (dependendo do seu número de dedos), mas ninguém pensará em ensinar um deles ao seu pai no primeiro dia em que ele se sentar na frente de um computador!

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Páginas do artigo
   1. Introdução
   2. Home é Desktop
   3. Não há ícone de bandeja no GNOME
   4. Dê fim ao clique-duplo
   5. Conclusão
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Comentários
[1] Comentário enviado por albfneto em 03/10/2017 - 17:05h

Tá muito bom seu artigo! Favoritado.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Albfneto,
Ribeirão Preto, S.P., Brasil.
Usuário Linux, Linux Counter: #479903.
Distros Favoritas: [i] Sabayon, Gentoo, OpenSUSE, Mageia e OpenMandriva[/i].

[2] Comentário enviado por madrugada em 03/10/2017 - 18:28h

Belo artigo pra compartilhar! Tem meu joinha!!!

*Mas continuo não gostando do gnome3, kkk.

Aqui vale o pensamento: menos é mais. Realmente não adianta querer encher o Desktop de firulas se isso diminui a usabilidade.

[3] Comentário enviado por xerxeslins em 03/10/2017 - 21:01h


[1] Comentário enviado por albfneto em 03/10/2017 - 17:05h

Tá muito bom seu artigo! Favoritado.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Albfneto,
Ribeirão Preto, S.P., Brasil.
Usuário Linux, Linux Counter: #479903.
Distros Favoritas: [i] Sabayon, Gentoo, OpenSUSE, Mageia e OpenMandriva[/i].


Valeu albfneto!

[4] Comentário enviado por xerxeslins em 03/10/2017 - 21:02h


[2] Comentário enviado por madrugada em 03/10/2017 - 18:28h

Belo artigo pra compartilhar! Tem meu joinha!!!

*Mas continuo não gostando do gnome3, kkk.

Aqui vale o pensamento: menos é mais. Realmente não adianta querer encher o Desktop de firulas se isso diminui a usabilidade.


kkkkk!

O bom é que no Linux tem como escolher a interface gráfica com facilidade, né?

Abraço!

[5] Comentário enviado por GabrielMS86 em 04/10/2017 - 09:42h

Muito bom artigo.
Pessoalmente concordo 100% com a parte sobre os ícones de bandeja - systray.
Aquilo realmente é uma bagunça.
Veja por exemplo, se vc espetar um pendrive ou hd externo na porta USB, no Windows será adicionado um ícone (oculto na maior parte das vezes) para controlar o status do dispositivo e desmontá-lo/retirá-lo de forma segura.
No Nautilus basta clicar com o botão esquerdo sobre o nome do dispositivo na listagem de locais à esquerda e selecionar "remover com segurança". Bem mais racional a meu ver pois é ali - no gerenciador de arquivos - que vc usa de fato o dispositivo, e não na bandeja do sistema.

[6] Comentário enviado por guipsp em 06/10/2017 - 09:42h

Muito interessante, obrigado por compartilhar e traduzir.

[7] Comentário enviado por nicolo em 08/10/2017 - 17:52h

Esse raciocínio é algo similar ao, ou inspirado pelo, sistema de qualidade nipônico, baseado na escassez de recursos. A mantra é: "Fornecer tudo o que é necessário e não mais que o necessário". Fica estabelecido que o necessário tem que estar à mão de quem usa e não em outro planeta atrás da sintaxe do command line. O pensamento nipônico começaria por examinar as reais necessidades do usuário, como ele utiliza o produto e o que ele faz com o produto. A partir dessas informações o produto seria elaborado "sem falhas e a prova de falhas" afim de obter a máxima satisfação do usuário. Este raciocínio se aplica nas relações fornecedor (Especialista em informática) e o cliente (usuário). Como no exemplo do artigo os usuários são gênios em suas especialidades mas não deliram de paixão por computadores. O Linux (Nominalmente Ubuntu a agora o Mint) partiram para atender as necessidades do usuário, ainda que forma abrangente e universal na tentativa de agradar gregos e troianos, mineiros e baianos. Esta parte de elaboração do produto é responsabilidade das distros. Outras distros partiram para a excelência em aplicação para o servidor, e isso é igualmente importante e aplicam-s os mesmos princípios reconhecendo que o usuário de servidor é bem diferente do doutor em cirurgia cardíaca. Esse raciocínio, se aplicado na prática poderia contribuir muito para a popularidade do Linux , pois o Linux tem a vantagem de ter quantas distros forem necessárias para agradar gregos e troianos, mineiros e baianos.

[8] Comentário enviado por clodoaldops em 08/10/2017 - 23:47h

Por isso uso linuxmint
Não preciso ser um mega nerd fodaum em informática para usar
Vc quer instalar e usar sem muitas preocupações

[9] Comentário enviado por xerxeslins em 09/10/2017 - 10:45h


[7] Comentário enviado por nicolo em 08/10/2017 - 17:52h

Esse raciocínio é algo similar ao, ou inspirado pelo, sistema de qualidade nipônico, baseado na escassez de recursos. A mantra é: "Fornecer tudo o que é necessário e não mais que o necessário". Fica estabelecido que o necessário tem que estar à mão de quem usa e não em outro planeta atrás da sintaxe do command line. O pensamento nipônico começaria por examinar as reais necessidades do usuário, como ele utiliza o produto e o que ele faz com o produto. A partir dessas informações o produto seria elaborado "sem falhas e a prova de falhas" afim de obter a máxima satisfação do usuário. Este raciocínio se aplica nas relações fornecedor (Especialista em informática) e o cliente (usuário). Como no exemplo do artigo os usuários são gênios em suas especialidades mas não deliram de paixão por computadores. O Linux (Nominalmente Ubuntu a agora o Mint) partiram para atender as necessidades do usuário, ainda que forma abrangente e universal na tentativa de agradar gregos e troianos, mineiros e baianos. Esta parte de elaboração do produto é responsabilidade das distros. Outras distros partiram para a excelência em aplicação para o servidor, e isso é igualmente importante e aplicam-s os mesmos princípios reconhecendo que o usuário de servidor é bem diferente do doutor em cirurgia cardíaca. Esse raciocínio, se aplicado na prática poderia contribuir muito para a popularidade do Linux , pois o Linux tem a vantagem de ter quantas distros forem necessárias para agradar gregos e troianos, mineiros e baianos.


Interessante! Obg por comentar.

[10] Comentário enviado por jaac em 13/10/2017 - 09:28h

Valeu por compartilhar!
Pensar em incluir todas as pessoas no mundo digital é um grande desafio.
Artigo favoritado ;D

[11] Comentário enviado por xerxeslins em 13/10/2017 - 11:33h


[10] Comentário enviado por jaac em 13/10/2017 - 09:28h

Valeu por compartilhar!
Pensar em incluir todas as pessoas no mundo digital é um grande desafio.
Artigo favoritado ;D


Valeu!


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