A Vida no Shell

Nesta série de artigos, vou tentar demonstrar como utilizar um desktop somente em modo-texto utilizando o sistema operacional GNU/Linux.

[ Hits: 46.849 ]

Por: Éderson Luiz Honorato dos Santos em 10/06/2008


Vi e Vim



Num desktop doméstico também é necessário ter um bom editor de textos. Para essa tarefa no modo texto existem atualmente vários editores, como o ed, nano, pico, mcedit (que vem junto com o midnight commander) e dois concorrentes de peso: o vim e o emacs.

Adorados como religião, esses dois editores de texto duelam pela preferência dos linuxers e são alvos de intermináveis discussões entre quem gosta de um e quem gosta de outro. E não é para menos, os dois softwares seguem filosofias totalmente diferentes.

Na minha escolha dei preferência ao VIM, já que desde que conheço o Linux eu utilizo ele pra editar meus arquivos de configuração no shell e estou mais familiarizado com sua interface e comandos.

Instalando.

No Debian basta:

# apt-get install vim vim-common

Algumas características do VIM:

Apesar do VIM ser um editor de textos extremamente voltado para programação (assim como o emacs), ele também é um poderoso editor de textos comuns e possui muitas funcionalidades avançadas que outros editores gráficos como o Microsoft Word e OpenOffice Writer possuem, como abrir vários arquivos ao mesmo tempo, auto-correção, auto-identação, seleção visual, macros e várias outras como seleção vertical de texto, interação total com o sistema operacional, uso de expressões regulares, sintaxe colorida etc, além do uso do mouse (através do gpm).



O sucesso do VIM foi tão grande que ele já foi portado para várias outras plataformas, como Amiga, MacOs, SunOs, DOS, Windows e muitas outras.

Tanto o VIM quanto o EMACS possuem versões para interfaces gráficas diversas, como o gvim e o xemacs.

O VIM tem uma característica básica: ele tem dois modos de operação, um de inserção, em que as letras do teclado são puramente letras, como em qualquer outro editor, identificado por um "-- INSERT --" na parte inferior esquerda da tela, e o outro que é o modo de comandos, em que as letras são comandos de edição e é o modo padrão ativo quando você abre um arquivo no vim.

Para entrar no modo de inserção basta digitar i. Para sair do modo de inserção e voltar ao de comandos, basta apertar a tecla Esc. Todos os comandos que serão apresentados nesta parte do artigo deverão ser executados no modo de comandos.

Como o VIM é um editor de textos para funcionar no modo texto, ele tem suas limitações visuais, que não lhe permitem deixar uma palavra em itálico ou sublinhada por exemplo. Porém, existem várias possibilidades, como por exemplo: centralizar a linha atual.

Basta no modo de comando dar um :ce, ou o nome completo, :center. De maneira similar temos o :left e o :right.

Todos esses comandos podem ser aplicados em várias linhas ao mesmo tempo usando a seleção visual do VIM.

Para isso, no modo de comandos digite v e com as setas selecione o texto e depois digite :ce que todo o texto será centralizado.

Como característica tradicional do vi, um mesmo comando com letra maiúscula faz uma operação complementar, ou similar, mas com uma variante.

No caso da seleção, se usar V (Shift+v) ao invés de v, a seleção automaticamente pega a linha toda. E para seu deleite, e inveja de outros editores, com o Ctrl+v, temos a seleção vertical!

Como selecionar as três primeiras letras de várias linhas?

O Ctrl+v faz isso pra você.

Mais um exemplo: o comando x apaga um caractere à direita, enquanto o X apaga à esquerda (como as teclas Delete e BackSpace).

Também podemos editar dois ou mais arquivos ao mesmo tempo e ver todos simultaneamente, separados horizontalmente.

Enquanto estiver editando um arquivo qualquer no vim, digite :split /home/usuário/meuarquivo.txt. Para alternar entre as janelas, basta dois Ctrl+w (w de window).

Como na linha de comando, a tecla TAB completa nomes de arquivos e também comandos do vim. Então no "split" acima, apenas um :split /home/usuário/meuarq<TAB> já funcionaria.

Comparável a editores de textos gráficos, o vim tem facilidades incríveis. Uma delas é a auto-correção (abbreviation), que funciona como apelidos, por exemplo ":ab AMJ aurélio marinho jargas". Então sempre que eu estiver digitando um texto qualquer e digitar AMJ, o vim automaticamente o expandirá para meu nome completo.

Outra característica simples e eficiente é a definição de marcas ao longo do texto. Por exemplo, na linha em que começa a conclusão do texto, você faz uma marca de nome 'c' :mc, em que m é o comando de marcação e c é o nome da marca, que pode ser qualquer letra ou número.

De maneira similar, na introdução você pode fazer um mi e no meio do texto você faz um mm. Para pular para uma marca o comando é '. Então para ir para a marca 'c', da conclusão, basta um 'c.

Porém, como nós utilizamos o sinal ' para representar a crase, fica incômodo utilizá-lo como comando. A solução então é fazer um mapeamento de teclas, por exemplo mapear esse comando para a tecla de função F4: :map <f4> '. Pronto, agora para irmos para a marca 'c', basta digitar <f4>c.

Mais um exemplo, um mapeamento útil para inserir a data atual pegando a saída do comando do Linux chamado date, fica :map <f5> r!date<cr>. O "r!" joga para o arquivo a saída do comando date e o "cr" representa a tecla Enter.

Corretor ortográfico no Vi/Vim:

Lendo o guia de consulta rápida sobre o Editor Vi de Roberto Severo de A. Coelho, descobri que é possível fazer a correção ortográfica dentro do VIM.

O autor menciona que esse recurso só é válido para textos em língua inglesa, pois o processo invoca o comando spell do sistema operacional. Contudo é possível fazer a correção ortográfica em português.

Para isso basta instalar o ispell e o dicionário ibrasilian ou o aspell e o dicionário aspell-pt-br.

No Debian basta:

# apt-get install ispell ibrasilian

ou

# apt-get install aspell aspell-pt-br

Para utilizá-los dentro do vim basta executar os seguintes comandos:

:!ispell -d brasileiro %

ou

:!aspell -c %

Caso instale uma nova versão ou instale o dicionário iportuguese basta executar:

# select-default-ispell

e selecionar o dicionário desejado.

Eu prefiro o aspell como corretor ortográfico, já que ele possui uma interface bem intuitiva em ncurses.

Quando é finalizada a correção no documento, você tecla ENTER e em seguida aparece uma linha no rodapé com as opções [O]K e [L]OAD. Basta digitar L e dar o comando :q!.

O aspell cria um backup do documento original com a extensão .bak no diretório corrente.

Página anterior     Próxima página

Páginas do artigo
   1. Introdução
   2. A instalação
   3. Comando da meia noite
   4. Vi e Vim
   5. Lendo arquivos DOC do WORD no VIM
   6. Clicando nos Links
Outros artigos deste autor

Utilizando o celular como webcam no Linux

A Vida no Shell (parte 2)

Reconhecimento de síntese por voz no GNU/Linux

Instalando o Notify-OSD do Ubuntu 9.04 no Ubuntu 8.10 Intrepid Ibex

Leitura recomendada

Multiboot pelo pendrive usando grub2: instalando várias distros a partir de uma unidade de armazenamento móvel

KDEMod 4.1 no Arch Linux

Escreva para o VOL - Contribua você também!

Guia de referência do ISOLINUX (parte 1)

Para não se perder no mundo da memória Flash

  
Comentários
[1] Comentário enviado por maran em 10/06/2008 - 10:31h

# mv A\ Vida\ no\ Shell ~/favoritos
# exit

[2] Comentário enviado por maran em 10/06/2008 - 10:31h

Cara gostei muito de seu artigo, pois ja tive contato com a maioria das coisas apresentadas, inclusive usando o mesmo sistema ;)
Esses são artigos que deveriam ser colocados na seção Destaque, pois aqui ele te ensina a usa um Linux tanto para Desktop, como para o meio coorporativo.
Fantástico, um dos melhores que já vi por aqui.

Um abraço,

[3] Comentário enviado por roberto_espreto em 10/06/2008 - 10:43h

Cara, muito bom seu artigo!
Faço isso com o Slack!
Uma boa também é usar o pebrot para mensageiro instantâneo! Muito showw!!

Gostei...





®

[4] Comentário enviado por gjr_rj em 10/06/2008 - 10:47h

d+. Esse vai para meus favoritos.

[5] Comentário enviado por stremer em 10/06/2008 - 11:13h

de volta ao passado.... rsrsrsrs
cara... lembro da epoca dos 486, onde era normal usar modo texto (apesar de mta gente ter nascido usando win3.1 e win95). Mesmo assim tinham aplicativos que usavam o modo grafico deles.... Enfim... com um pentium 133 vc não precisa ficar limitado ao modo texto. O fluxbox roda muito bem nele, mas com certeza o modo texto agiliza o processo... mto legal

[6] Comentário enviado por SMarcell em 10/06/2008 - 11:58h

Curiosidades:

O MC tem como um de seus criadores Miguel de Icaza, o mesmo cara que iniciou o projeto Gnome e o Mono

O Vi em algumas distros é um link simbólico para o ed ou mesmo para o Vim

[7] Comentário enviado por xerxeslins em 10/06/2008 - 13:06h

Favoritado é claro!

Obrigado por compartilhar conhecimentos tão interessantes e de forma tão clara (principalmente para iniciantes como eu). Cada vez que aprendo mais sobre Linux, mais apego-me a ele. Artigo fantástico!

[8] Comentário enviado por GilsonDeElt em 10/06/2008 - 13:20h

Cara, d+ seu artigo!
Como disseram, deveria ir para a seção de destaque, por causa de suas múltiplas aplicações.

Eu já brinquei de usar o PC no modo texto algumas vezes, mas nada muito além de ouvir mp3, navegar na net (pelo links no modo texto, pois até hoje eu não sabia usá-lo em modo gráfico) e compilar programas demorados (usando nice -n -20 <comando>).
Agora vou poder brincar no modo texto com mais proveito!

Embora eu não siga nenhuma das "religiões-de-editores-de-texto", gostaria de saber mais do mcedit, que é o que uso com mais freqüência no shell.

Para o próximo artigo, posso indicar as seguintes feramentas:

amp, mpg321 e mpg123: tocadores de mp3 em modo texto (acho que tocam ogg tbm, não tenho certeza)
tmsnc: MSN em modo texto (testado e recomendado ;-)
VPPP: embora seja um discador ultra-leve para modo gráfico, ao configurar a net nele (uso discada) ele gera alguns scripts, que podem ser usados para conexão em modo texto.

e já foi pros favoritos!

té +, cara!

[9] Comentário enviado por vitor.jjb em 10/06/2008 - 18:01h

show

[10] Comentário enviado por michel5670 em 10/06/2008 - 18:12h

Otimo seu artigo colega, esta muito bem redigido parabens!!!

[11] Comentário enviado por Teixeira em 10/06/2008 - 20:14h

Gostei muito de seu artigo. Na verdade acabei de instalar o Links2ssl, que e' o mesmo Links2 compilado especialmente para o BL-3 e cujo desempenho e' melhor que o do Firefox 2.0 para o Windows (as imagens sao mais nitidas e e' infinitamente mais rapido). Entre as coisas que mais aprecio estao a possibilidade de escalonar tanto as fontes quanto as imegens, o que faz com que os sites possam "caber" na minha tela 800x600. Mas o assunto e' o shell, e devo acrescentar que seu artigo vai poara a minha coletanea de favoritos.

[12] Comentário enviado por VonNaturAustreVe em 10/06/2008 - 21:35h

Excelente artigo muita gente tem medo do modo-texto acham que ele morde ¬¬,mais isso ajuda muito é também da um show de criatividade em quem tem uma maquina antiga em casa as traças é não sabe oque fazer com ela.

[]'s

[13] Comentário enviado por fulllinux em 10/06/2008 - 21:36h

Mais 100 pontos para você!
Excelente qualidade, esse não pode faltar em meus favoritos...

Abraço.

[14] Comentário enviado por iamunhoz em 10/06/2008 - 22:39h

Cara, demais, demais, demais!

Eu ainda apanho um pouco desses editores do tipo vi (modo edição e modo controle), e prefiro mais o mcedit.

Agora essa de abrir páginas normalmente direto do modo texto me deixou bobo! :D

Parabéns

[15] Comentário enviado por Gilmar_GNU/Slack em 10/06/2008 - 23:38h

Realmente eu gostei da sua matéria.
Modo texto sempre foi necessário em todas as horas.
Ainda mais em maquinas mais antigas que tem problema com o peso da interface gráfica .
As ferramentas que realmente são necessárias para quem usa o sistema nesse modo , fica muito eficaz .
Instalando o sistema no modo texto tudo fica mais leve e o Desktop trabalha com um bom desempenho !.

[16] Comentário enviado por izavos em 11/06/2008 - 02:32h

Simples e direto!

Se possivel modo Grafico !

Se nescessário modo Texto !

O melhor e Grafico + Texto !!!

Nos sistemas de base Unix o ambiente grafico facilita a multitarefa e nao
substitui o modo texto.

Nao esqueca o "minicon" para fechar com medalha na continuacao !

[17] Comentário enviado por albfneto em 11/06/2008 - 02:34h

sim, interessante.... ensina linux, e pode usar micros antigos. eu gosto de midnight commander.
Para rodar aplicações contínuas e lentas, sob interface gráfica, é muito útil.
Por ex. fiz um artigo sobre o BOINC.
O BOINC é super rápido, sem interface gráfica!

[18] Comentário enviado por guinter em 11/06/2008 - 10:10h

Cara, muito bom mesmo esse artigo, também uso muito o modo texto!

[19] Comentário enviado por marcelo.cesards em 11/06/2008 - 13:39h

muito bom mesmo.. vou adicionar agora aos favoritos... parabens

[20] Comentário enviado por pontozip em 12/06/2008 - 10:31h

Parabens pelo artigo e aproveito para deixar minha sugestão sobre o mesmo assunto.

(http://www.vivaolinux.com.br/artigos/verArtigo.php?codigo=1483)

Ats.
Curitiba/Pr.

[21] Comentário enviado por removido em 12/06/2008 - 10:41h

#!/bin/sh
echo Bom artigo!

[22] Comentário enviado por f_Candido em 12/06/2008 - 22:46h

Muito bom. Parabéns. Nos mostra uma outra faceta do Linux: Agradar a Gregos e Troianos.


Abraços

[23] Comentário enviado por brunojbpereira em 13/06/2008 - 10:46h

Muito bom! Perfeito para mostrar que os computadores mais antigos ainda podem ser utilizados de forma fantástica. um grande abraço.

[24] Comentário enviado por [email protected] em 13/06/2008 - 12:27h

Adorei!
Tou treinando....

Uma dica para a parte dos joguinhos
bsdgames

Eu adoro os joguinhos do bsdgames: snake, tetris e worm

[25] Comentário enviado por edersonhonorato em 14/06/2008 - 15:20h

Obrigado à todos que gostaram...
Em breve darei continuidade ao artigo.;-)

Abraços

[26] Comentário enviado por edersonhonorato em 14/06/2008 - 18:12h

Pessoal, depois de olhar o tópico "Lendo arquivos DOC do WORD no VIM" percebi que está faltando informação.

Na verdade, devo ter feito alguma coisa de errada, pois parte do conteúdo não apareceu no artigo.

Desculpem

[27] Comentário enviado por DanielGimenes em 16/06/2008 - 12:29h

Muito bom! Vale a pena ressaltar que o uso do modo texto (console) não é somente mais leve para a máquina, mas é também um modo mais rápido de utilizar (como você exemplificou com o VIM). Exemplo: quanto tempo você demora para andar por 20 pastas que você conhece via console? e via Konqueror?

Adorei o artigo. Principalmente a parte do VIM. Aguardo o próximo artigo!

[28] Comentário enviado por xerxeslins em 24/06/2008 - 11:48h

Legal! Tenho uma dúvida. No modo gráfico, se eu abrir o links no terminal ele fica colorido e com imagens, mas se eu abrir na tela preta ele nao fica... sera que falta instalar alguma coisa? valeu =)

[29] Comentário enviado por gpr.ppg.br em 31/08/2009 - 13:06h

$ links2 -g -driver fb www.google.com.br
Could not initialize graphics driver fb:
Could not get VT mode.

:-(

[30] Comentário enviado por edersonhonorato em 31/08/2009 - 19:51h

Segundo a saida do comando, o links2 não está conseguindo inicializar com o driver de video framebuffer.

Você está usando o modo texto puro? Se estiver, que resolução você está usando?

Lembre-se de que você deve estar usando o driver framebuffer configurado no lilo ou grub:
vga=788 para 800x600
vga=791 para 1024x768

T+

[31] Comentário enviado por removido em 28/01/2011 - 14:03h

uma beleza de tutorial vo ler os outros 2,estou costurando o conteúdo para testar em um pc velho que ninguém mais quer,vai voltar a ser util


Contribuir com comentário