A evolução do Linux e as mudanças que se fazem necessárias desde o seu lançamento

Nesse artigo foco na natural evolução do Linux sem levar em conta a paixão dos usuários em torno das mudanças que ocorrem mesmo que elas vão de encontro às filosofias - obsoletas ou não - criadas em torno do Linux.

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Por: Sidnei Serra em 21/04/2026 | Blog: https://www.youtube.com/@alquimistaTI


A choradeira



systemd é hoje o sistema de init mais comum nas distribuições Linux modernas - m-o-d-e-r-n-a-s. Criado para substituir sistemas mais antigos como o SysVinit, ele trouxe uma proposta clara mas que parece um palavrão para alguns grupos de usuários: inicialização mais rápida, gerenciamento centralizado de serviços e uma abordagem mais integrada do sistema como um todo.

Na prática, o systemd não é apenas um "init". Ele engloba uma série de funcionalidades que vão além de iniciar processos: controle de logs (journald), gerenciamento de dispositivos, timers, rede e até resolução de nomes. Para muitos administradores, isso é uma evolução natural - menos fragmentação, mais padronização e ferramentas consistentes e é justamente aí que começa a polêmica.

Uma parte da comunidade critica o systemd por fugir da filosofia tradicional do Unix (fala sério...), que prega programas pequenos, simples e que fazem apenas uma coisa bem feita. Para esses críticos, o systemd é grande demais, complexo e centraliza funções que antes eram independentes. Isso gera receio de dependência excessiva e dificuldade de manutenção. Um dos itens que pode ser abordado é em relação ao log de eventos: no init convencional tudo é "cateável" ou "grepável" pois são arquivos de texto. Já no journal são arquivos binários que precisam de comandos próprios para serem lidos e, no caso de corromper os arquivos, pode-se ficar sem os logs.

Por outro lado, os defensores argumentam que essa crítica ignora a realidade dos sistemas modernos, o que deveria ser óbvio. Computadores atuais são muito mais complexos do que na época em que o Unix foi concebido, e tentar manter a mesma filosofia à risca pode gerar mais complicação do que solução. Nesse sentido, o systemd seria uma resposta prática a essas demandas. Numa comparação bem besta, é como não querer um processador completo e, em vez disso, preferir 10 módulos separados só porque se um pifar pode ser trocado a despeito de um processador ser menor do que os 10 módulos separados, consumir menos energia e a comunicação entre eles ser mais rápida já que estão no mesmo substrato...

A famosa "choradeira" em torno do systemd, portanto, não surgiu do nada - ela reflete um choque de visões: de um lado, uma abordagem mais tradicional e minimalista e, do outro, uma visão mais pragmática e integrada, ou seja, prática.

No fim das contas, o systemd "venceu" na prática: a maioria das distribuições o adotou e ele se tornou padrão de fato. Isso não significa que as críticas desapareceram, mas indica que, para a maioria dos usuários e desenvolvedores, os benefícios superaram os problemas.

Talvez a melhor forma de encarar o debate não seja escolher um lado, mas entender o contexto: o systemd não é perfeito, mas também não é o vilão absoluto que alguns pintam. Ele é, acima de tudo, um reflexo da evolução do próprio Linux. E os inits da vida também não são aquela maravilha que nego fala.

Mesmo com a adoção massiva do systemd, nem todas as distribuições aceitaram essa mudança. Algumas decidiram manter alternativas, seja por filosofia, simplicidade, controle ou mesmo frescura.

Um dos casos mais conhecidos é o Devuan, um fork direto do Debian criado justamente após a adoção do systemd. O objetivo do Devuan é manter compatibilidade com o Debian, mas sem depender do systemd, usando sistemas de init tradicionais como o SysVinit.

Outro exemplo é o Alpine Linux, que utiliza o OpenRC como sistema de init. Focado em leveza e simplicidade, ele é bastante usado em containers e ambientes onde o systemd seria considerado "excesso".

Gentoo também merece destaque. Ele dá liberdade total ao usuário: é possível usar systemd, mas muitos preferem alternativas como OpenRC. Isso reflete bem a filosofia da distro, que prioriza escolha e customização. Aí é outra coisa, escolha, igual à piada do criador de porcos e o fiscal de saúde.

Já o Void Linux segue um caminho mais radical, adotando o runit como init por padrão. Ele é conhecido por ser simples, rápido e direto, evitando a complexidade associada ao systemd.

Por outro lado, distribuições populares como UbuntuFedora e o próprio Debian adotaram o systemd e o integraram profundamente ao sistema. Nesses casos, remover o systemd não é algo trivial - ele já faz parte da base da distribuição.

Esse cenário mostra que, embora o systemd tenha se tornado padrão de fato, o ecossistema Linux ainda preserva a diversidade. Para quem não gosta dele, existem alternativas viáveis. Mas, ao mesmo tempo, fugir do systemd muitas vezes significa abrir mão de compatibilidade ou conveniência - tem gosto pra tudo, diga-se.

No fim, a "choradeira" continua existindo - mas hoje ela convive com um fato difícil de ignorar: o systemd não é mais uma opção entre várias. Em grande parte do mundo Linux, ele virou o ponto de partida.

Sinceramente, hoje em dia todo mundo tem que se focar no que funciona, ficar batendo o pezinho falando "núm quélu" feito criança é coisa de nutela. Não estou querendo dizer quem está certo ou errado, cada um tem seu ponto de vista e usa o que melhor lhe atender. Pelo menos há opções para todo tipo de usuário, desde o usuário que gosta de tudo na boquinha até aquele usuário pangaré que gosta de levar 10 horas para fazer algo que, por outros meios, levaria 5 minutos apenas por não concordar com determinadas situações... Gênio!

   

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