GNU/Linux no mundo corporativo

Muitas pessoas me perguntaram, recentemente, sobre a usabilidade do GNU/Linux em ambientes corporativos, não apenas em relação a servidores, mas, o ambiente como um todo. Resolvi pesquisar um pouco, juntar meus conhecimentos e escrever este artigo para clarear as ideias e ajudar quem precisa. O artigo será um pouco extenso, mas garanto que valerá a pena.

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Por: David Silva em 25/04/2014 | Blog: http://linuxsaudavel.blogspot.com.br


Linux em Ambientes corporativos



Introdução

Apenas para facilitar, abordarei os seguintes temas:
  • Como está hoje?
  • Minha empresa quer migrar, meu Deus!
  • O futuro.
  • O Mercado para empreendedores.
  • Para finalizar.

Como está hoje?

De fato, encontramos o GNU/Linux no ambiente corporativo, cada vez mais, o número de empresas que utilizam nossa plataforma livre, está aumentando. O problema, ou a questão principal, não é a utilização, e sim o uso em si.

Atualmente, a maior parcela de utilização está baseada em servidores com finalidade de Firewall, Proxy e WEB. Concordamos que, já são bons números e de extrema importância, mas, e os Desktops?

Aí está, de certa forma, a nossa maior dificuldade. A grosso modo, tudo não passa de uma questão cultural.

Pessoas habituadas na utilização do S.O. do Gates desde que nasceram, geralmente, criam uma própria barreira psicológica e banem qualquer percentual de capacidade para aprender algo novo (estamos falando sobre sistemas, ok?). E o pior, é que isso é humano, ou seja, ocorre desde de CEOs a funcionários.

Em palavras mais claras, as pessoas não querem (ou ao menos evitam) tentar algo novo, totalmente diferente, sair do comum, etc. É um mal da nossa sociedade atual.

Mas, é só cultural?

Não, não é só cultural. Infelizmente, o GNU/Linux é muito visto como "O Sistema de Graça". Isso nos tira uma certa credibilidade e faz com que a ideia de implementação só aconteça quando alguém lá dentro pensa em cortar custos. Ou seja, enquanto tiverem dinheiro, viverão longe do GNU/Linux.

Além disso, o custo de mão de obra qualificada para esses projetos não é baixo. De certa forma, a mão de obra para GNU/Linux ainda é um pouco escassa. Qualquer pessoa faz tudo no Windows, mas, quando se fala em GNU/Linux, já tem medo ("Nunca mexi com isso, não sei, não quero estragar").

Com isso, acaba sendo mais cômodo e "barato" deixar as coisas do jeito que estão, até mesmo para aqueles que gostam de piratear.

Minha empresa quer migrar, e agora?

Primeira conquista feita, então, partiremos para análises.

Imagine um departamento administrativo, acostumado com o Microsoft Office. Como entregar o OpenOffice e não deixá-los na mão? Não é tão simples assim.

Tudo requer planejamento. Desde os aplicativos utilizados atualmente, até os conhecimentos dos usuários.

Considere:
  • Aplicativos de bancos;
  • Aplicativos financeiros;
  • CRM;
  • ERP.

Qualquer item esquecido, pode causar uma frustração enorme.

Você, analista ou gerente de TI, talvez não possua tanta experiência e/ou conhecimentos para gerenciar projetos, é comum. Se for passar por uma migração dessas sozinho, pense o seguinte:

- Quais são os aplicativos essenciais em cada departamento? - Faça uma lista.

Isso será um desafio, caso não tenha um controle disso, trate de ter. Você precisará analisar a funcionalidade de tudo na nova plataforma.

Muitas vezes, o fornecedor não disponibiliza versões para GNU/Linux, então, você precisará brincar um pouco com o Wine, ou procurar versões alternativas para GNU/Linux.

Muito importante: cuidado com as bases de dados, caso vá migrar! Teste, teste e teste!


- Quais aplicativos já possuem versão WEB pelo fornecedor? - Faça um lista (esses serão uma salvação).

Sabemos muito bem que o Cloud está cada vez mais amplo. Milhares de softwares já possuem suas versões WEB (mesmo que em servidores locais) e isso é, de fato, a melhor coisa para migrações desse tipo.


- Qual nível de conhecimento dos seus usuários?

Sim, eu sei, seus usuários são apenas usuários. Mas não é disso que estou falando. Para empresas pequenas, em um departamento administrativo, se tiver duas pessoas lá dentro que já mexeram com o OpenOffice e conseguem se virar, você já tem uma luz. Eles se ajudarão e tudo fluirá melhor.

De qualquer forma, aconselho você a treinar ou, pelo menos, passar uma visão sobre as funcionalidades básicas de cada aplicativo essencial para o trabalho deles.

Há também uma outra saída, caso vocês não queiram complicar tanto, pode recorrer ao Office 365 (versão online do Microsoft Office). Não é o ideal, mas é importante saber e ter como alternativa.


- Adaptação.

Isso não é bobeira! Se der problema na rede, ou em alguns computadores simultaneamente, você vai cansar de ouvir:

"É, porque quando era o sistema antigo, não tinha problema nenhum."

Por mais que o sistema antigo desse mais problemas, você vai ouvir isso.

Tudo porque, de certa forma, o usuário não está feliz por ter que aprender algo novo. Infelizmente, isso acontecerá, mas você pode quebrar um pouco esse gelo:

"Calma, é só uma questão de adaptação, logo você aprenderá mais e tudo ficará bem. Vou te ajudar, não se preocupe."


- Pequenos gestos facilitam nossa vida.

Se você é o Gerente do TI, instrua seus analistas a agirem assim.

Isso vai só vai contribuir com o bem estar dos usuários e com a paciência do seu analista.

Acredite, uma palavra solidária evita muitos problemas, principalmente, quando tem a ver com a performance do colaborador.

O futuro

Hoje, temos mais probabilidades de romper os paradigmas em relação ao GNU/Linux, com a ajuda da evolução da Computação em Nuvem. Como vimos, os aplicativos são uma barreria e tanto, com a tendência de tudo se "webilizar", ganharemos mais espaço aos poucos.

Como disse Cezar Taurion (autor do livro "Cloud Computing - Computação em Nuvem") em um artigo para o Linux Magazine, Cloud é irreversível e, em breve, nem mais falaremos em Cloud Computing e sim, apenas em computing.

De fato, ele estava certo, ainda não chegamos a esse momento, mas, está cada vez mais próximo.

O mercado para empreendedores (infra e suporte)

Há espaço para novos negócios e sempre haverá. Como empreendedor, posso afirmar isso.

Há inúmeras empresas com mão de obra não qualificada ou que apenas vendem.

Pelo menos, a meu ver, tecnologia não é simplesmente "vendível". Principalmente, quando se trata de suporte e soluções que precisam andar lado a lado ao negócio do cliente. É necessário incorporar processos de qualidade, para que haja uma interação completa em ambos os lados, não apenas uma venda.

Falou em Outsourcing, deixou de ser uma venda. Internamente, é necessário uma boa cultura organizacional, capacitação extensa, treinamentos técnicos constantes e tudo mais.

Por favor, você empreendedor, de empresas ruins já estamos fartos, não seja mais um. Faça com amor, dedique-se e coloque emoção no seu negócio. Outsoucing não é brincadeira, principalmente, quando se trata de tecnologia. Tudo deve estar alinhado.

Eu sei bem o quanto é difícil ser consultor, fornecer soluções para pequenas empresas e manter os processos alinhados ao negócio do cliente, mas, pense, é necessário.

O profissional de TI precisa estar alinhado ao negócio, independentemente se é interno ou terceirizado, portanto, tenha reuniões sempre com seus clientes (nem que seja trimestrais), alinhe seus processos ao negócio dele.

Não falhe! Ele conta com você mais do que com os próprios colaboradores, de certa forma.

Sim, GNU/Linux é mercado e será cada vez mais.

Encontramos dificuldade em vender migrações da qual falamos no artigo, mas, coloque-se como uma solução corporativa completa de forma a atender seu cliente em qualquer que seja sua necessidade, sempre com alternativas. Lembre-se, o mercado é misto.

Finalizando

Sim, há um vasto espaço para trabalharmos com GNU/Linux em infraestrutura e suporte.

Creio que, em breve, melhoraremos ainda mais em relação aos projetos de migração em Desktops, é só uma questão de tempo.

Peço que deixe seu comentário, pois sua opinião é de extrema importância.

Meu artigo com ilustrações:
   

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Comentários
[1] Comentário enviado por piteralt em 25/04/2014 - 03:52h

David,

Estou nesta situação, gostaria de "limpar" todos os Windows da nossa empresa. O Linux nos daria segurança e estabilidade, melhor aproveitamento das maquinas mais fraquinhas, o corte de custo... Mas, por um único software isso acabou virando um sonho impossível!

Esse infeliz se chama: "C-Plus" (Sistema de Gestão Comercial Integrado da VVS Sistemas - http://www.vvssistemas.com.br), minhas tentativas de roda-lo pelo Wine não funcionaram, e como TODOS os computadores dos usuários da empresa precisam tê-lo... Ele me quebrou =[

Outra coisa que observei nos teste para a minha tentativa de migração, foi alguns erros de compatibilidade na abertura de arquivos .xlsx pelo libreOffice, que travavam ou ficavam extremamente lentos, isto acontecendo em planilhas simples, insignificantemente pequenas, sem fórmulas complexas... um ponto que me decepcionou...

Ótimo artigo David,
Everaldo Jr.

[2] Comentário enviado por srdavidsilva em 25/04/2014 - 04:04h

Obrigado pelo feedback Everaldo Jr.

Realmente é um grande problema esses pequenos sistemas. E o pior é que os mantenedores parecem não evoluir, como se estivessem parados no tempo. Acessei o site deles e não há nada de atual, pelo menos a vista.

Já conversou com eles a ver se há planos de um C Plus Cloud?

Abertura de arquivos também é um problema, já passei por casos ondem preferiram adotar o Office 365 para não terem este problema. Apesar de ser uma migração "meia-boca", é uma solução.

Precisamos amadurecer muito estas questões ainda. Creio que com as melhorias e o aumento no uso dos desktops aos poucos, os desenvolvedores menores, como a VSS mesmo, vão sendo forçados a "Cloudilizar" tudo.

É com esse intuito que crio esses artigos e quero colaborar o máximo possível para esse nosso avanço do Open Source.

Estou à disposição para o que precisar.

Abraços.

[3] Comentário enviado por piteralt em 25/04/2014 - 05:05h


[2] Comentário enviado por srdavidsilva em 25/04/2014 - 04:04h:

Obrigado pelo feedback Everaldo Jr.

Realmente é um grande problema esses pequenos sistemas. E o pior é que os mantenedores parecem não evoluir, como se estivessem parados no tempo. Acessei o site deles e não há nada de atual, pelo menos a vista.

Já conversou com eles a ver se há planos de um C Plus Cloud?

Abertura de arquivos também é um problema, já passei por casos ondem preferiram adotar o Office 365 para não terem este problema. Apesar de ser uma migração "meia-boca", é uma solução.

Precisamos amadurecer muito estas questões ainda. Creio que com as melhorias e o aumento no uso dos desktops aos poucos, os desenvolvedores menores, como a VSS mesmo, vão sendo forçados a "Cloudilizar" tudo.

É com esse intuito que crio esses artigos e quero colaborar o máximo possível para esse nosso avanço do Open Source.

Estou à disposição para o que precisar.

Abraços.


Então David,

Quando comecei na empresa, eles já usavam esse sistema. Registros de funcionários, comissões, notas fiscais, clientes... tudo concentrado no banco de dados gerenciado por este programa.

Na época eu estava realmente disposto a trabalhar em cima desta migração, entrei em contato com eles por email, mostrei que é uma tendência natural cada vez mais as empresas, que ainda têm Windows, mudarem para o Linux, e que era um espaço grande no mercado que eles não estavam cobrindo, o gerente deles retornou dizendo que já tinham um projeto de Cloud em andamento... o que era uma boa notícia. Infelizmente eles estão demorando um pouco, e cada dia que passa, mais dores de cabeça o sistema da Microsoft nos proporciona...

Na minha opinião, o pacote Office é o fator que mais dificulta a popularização do GNU/Linux para os usuários comuns atualmente. Em todo lugar tem um .docx, .xlsx, .pptx... e nem todos sabem, como você citou, que tem como executar o MS Office no próprio Linux, mesmo não sendo uma opção agradável, esta opção existe, e "resolve".

Hoje tento aproveito o máximo do Google Docs, logo que faço uso frequente do Google Drive, e confesso que "eles estão me quebrando uma".

Sou recente no Linux, mas depois de ter noção da capacidade deste sistema, "menino criado com Windows", fiquei logo impressionado... Pensei: Nossa... O que eu estava perdendo em todo esse tempo!

Fico feliz em entrar nesta comunidade,
Abraços David.

[4] Comentário enviado por daigo em 25/04/2014 - 11:07h

Sabe dizer qual o BD desse ERP? Independente de qual for, é possível fazer uma migração para um outro sistema. Óbvio dizer que não é 100% garantido que os dados ficarão intactos.
Se for Firebird ou MsSql é mais complicado, mas se for MySql ou Postgres, um pouco menos, visto que a maioria das soluções livre usam um desses dois.

[5] Comentário enviado por piteralt em 26/04/2014 - 14:22h


[4] Comentário enviado por daigo em 25/04/2014 - 11:07h:

Sabe dizer qual o BD desse ERP? Independente de qual for, é possível fazer uma migração para um outro sistema. Óbvio dizer que não é 100% garantido que os dados ficarão intactos.
Se for Firebird ou MsSql é mais complicado, mas se for MySql ou Postgres, um pouco menos, visto que a maioria das soluções livre usam um desses dois.


Daigo,

É o Firebird, sendo que, teoricamente, eu não preciso me preocupar com a parte servidor dele, irei mantê-la na plataforma Windows mesmo. O que eu realmente quero é a parte cliente do C-Plus rodando no Wine. O programa é bem simples, tenho 99,9% de certeza que o Wine é capaz de executá-lo, está faltando habilitar algum recurso ou alguma biblioteca...

[6] Comentário enviado por rcn em 15/02/2015 - 20:34h

Trabalho como analista de Service Desk numa empresa que presta suporte de TI a outras empresas.

Tenho observado a infraestrutura de TI de várias empresas clientes e vejo que, nesse momento, nenhum deles teria condições de migrar os desktops para o Linux.

Desses clientes, os problemas que vejo sempre estão relacionados a:
- bancos
- aplicativos financeiros
- CRM
- ERP
- Controle de Ponto
- VOIP
- Aplicativos de business intelligence
- Microsoft Project e Visio
- CAD

Sendo bem sincero, eu sou mais usar o Google Apps e/ou Office 365 para aplicativos de escritório em vez de tentar fazer a cabeça das pessoas a usarem o LibreOffice.

Todos os nossos clientes usam apenas Windows nas estações, porém, um deles fez um esquema para evitar custos com softwares licenciados e pode ser que isso seja útil de alguma forma para essa conversa sobre Linux.

Para evitar custos com softwares que alguns colaboradores usam, a empresa deixou uma máquina com o acesso RDP ativado e com todos esses softwares licenciados.

Dessa forma, quando eles querem usar o Acrobat, por exemplo, acessam essa outra máquina via atalho do MSTSC na área de trabalho, usam o aplicativo e salvam o arquivo na rede.

Claro que isso implica em várias coisas, como a quantidade de usuários logados nessa máquina ao mesmo tempo, consumo de banda de rede, etc.

Seria totalmente inviável para softwares pesados e de uso muito frequente.

Mas foi uma alternativa e eles mesmos pediram para que fosse implementada.

Talvez, numa possível migração para o Linux, seja possível uma "gambiarra" desse tipo para ir quebrando um galho.

Ou seja, deixar nesse desktop Linux um atalho de um acesso RDP para uma máquina com Windows e, nessa máquina, o usuário ter acesso a algum software que ele não utiliza com tanta frequência.

[7] Comentário enviado por rcn em 15/02/2015 - 20:53h

O que mais me deixa frustrado é que, por incrível que pareça, tem sites que só funcionam corretamente no Internet Explorer.

Alguns serviços de terceiros que os nossos clientes utilizam são homologados para o IE e, pior ainda, tem caso de serviço que só funciona no IE 9.

Não vou citar nomes, mas o controle de ponto que é utilizado por um dos nossos clientes só funciona no IE 9.

Fiz testes rodando pelo IE 11, visto que alguns outros sites só funcionam com versões mais atuais, porém, mesmo no modo de compatibilidade, alguns recursos nem aparecem no navegador.

Isso me faz pensar o quanto deve ser frustrante para um gestor de TI tentar migrar os desktops para Linux e ter problemas para acessar um site que só roda no IE.

Tem alguns serviços da Receita Federal que já possuem versão WEB, mas ainda são bem limitadas e, portanto, ainda é necessário ter Windows para executar os aplicativos.

Complicado isso ... =/


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