Entendendo MBR e sistema de arquivos GNU/Linux

Bem pessoal, tenho visto bastante dificuldade por parte dos recém chegados ao mundo GNU/Linux quando o assunto é MBR e sistemas de arquivos. Em vista disso eu resolvi mastigar bastante esse artigo e espero que ajude vocês que estão chegando agora a entender definitivamente o que é MBR e como funciona o sistema de arquivos do GNU/Linux.

[ Hits: 35.780 ]

Por: lucas pereira costa em 22/03/2010


MBR - (Master Boot Record)



Como diria um antigo ditado: "antes de correr temos que aprender a andar". Quando compramos ou utilizamos um dispositivo de bloco (em nosso caso especificamente o HD), antes de mais nada temos que formatar ele para de podermos utilizar algum sistema operacional. Mas já pararam pra se perguntar onde o sistema grava o particionamento que você escolheu?

Bem, primeiro temos que ter em mente que no início do nosso disco rígido existe um setor chamado MBR, que é responsável por gravar as informações sobre as partições que serão criadas pelos usuário de acordo com suas necessidades.

A trilha ou setor MBR é composta da seguinte forma:

Tem um tamanho total de: 512 bytes

Desses 512 bytes, 446 são utilizados pelo setor de boot, enquanto os outros 64 bytes restantes serão utilizados para endereçar as partições no disco, cada partição ocupará 16 bytes para ser endereçada, logo poderemos ter somente QUATRO partições primárias ou de arranque como alguns estão acostumados a chamar (16 X 4 = 64).

EXEMPLO 01:

MBR (MASTER BOOT RECORD)
Partição primária = 16 BYTES
Partição primária = 16 BYTES
Partição primária = 16 BYTES
Partição primária = 16 BYTES

446 (SETOR DE BOOT) + 64 (DAS PARTIÇÕES) = 512 BYTES

Esse esquema era bem aceito quando a informática ainda estava "engatinhando", mas com o passar do anos e com o crescimento do discos rígidos, esse número de quatro partições primárias não estava sendo suficiente para alguns sistemas. A solução para esse problema foi criar a partição estendida! Esse tipo de partição ocupa os mesmos 16 bytes da partição primária, mas por sua vez pode consegue endereçar dentro dela 63 sub-partições, ou partições lógicas.

EXEMPLO 02:

MBR (MASTER BOOT RECORD)
Partição primária = 16 BYTES
Partição primária = 16 BYTES
Partição primária = 16 BYTES
Partição estendida = 16 BYTES
Partição lógica
Partição lógica
Partição lógica
...
até 63 partições

446 (SETOR DE BOOT) + 64 (DAS PARTIÇÕES) = 512 BYTES (o mesmo padrão mas com o limite de 63 novas partições lógicas.

Em vista do padrão de particionamento do Windows ser normalmente com duas unidades (C e D), muitos usuário e técnicos desconhecem a função e as limitações da MBR; e ao chegar no GNU/Linux ficam perdidos pelo simples fato do Linux oferecer um "leque" maior de opções de particionamento. Por esta razão, antes de seguir para o próximo tópico é bom ter compreendido o esquema da MBR descrito acima.

    Próxima página

Páginas do artigo
   1. MBR - (Master Boot Record)
   2. Estrutura do sistema operacional GNU/Linux (FHS)
   3. Exemplos de particionamento - GNU/Linux
Outros artigos deste autor
Nenhum artigo encontrado.
Leitura recomendada

Configuração de Servidor NFSv4 no CentOS 6

Fazendo particionamento avançado no Debian

Armazenamento de arquivos em Linux: um estudo de caso

Sistemas de arquivos para GNU/Linux

Owncloud com autenticação no Active Directory

  
Comentários
[1] Comentário enviado por lucianomarques1 em 22/03/2010 - 14:28h

Achei bem interessante o artigo, mas fiquei sem entender algumas coisas:

# Separe o ("/var"). Certifique-se de que ele será grande o suficiente para conter os sues logs e o esquema de rotação deles.
# Separe o ("/tmp"). O seu tamanho dependerá dos aplicativos que você utilizará. Ele deverá ser grande o suficiente para conter os arquivos temporários de todos os usuários simultaneamente.
# Separe o ("/var). Faça-o grande o suficiente para acomodar a criação do kernel. E ao torná-lo um diretório separado você poderá compartilhar através do NFS.
# Separe o ("/home") para obter uma integridade maior dos dados dos usuário.

Repare que você colocou duas vezes o /var, imagino que na parte da criação do kernel seja o /boot.

A partição /home, eu já trabalho com ela em separado há algum tempo, mas por que de separar o restante também ????

[ ]'s e excelente artigo,

Luciano.


[2] Comentário enviado por Vagner_Fonseca em 22/03/2010 - 14:59h

@Luciano:
Provavelmente ele quis dizer /usr no lugar do segundo /var.

Bom artigo, me lembra a aula de Linux System que tive...

[3] Comentário enviado por cleysinhonv em 22/03/2010 - 15:05h

Que massa esse artigo!
Escrevi algo semelhante neste artigo sobre o grub2.

==> http://www.vivaolinux.com.br/artigo/Novidades-e-mudancas-na-estrutura-e-configuracao-do-Grub-fique-p...

[4] Comentário enviado por f_Candido em 22/03/2010 - 15:24h

Bom Artigo.
Parabéns.

[5] Comentário enviado por fabio em 22/03/2010 - 16:30h

/var corrigido para /usr

Obrigado pelo aviso.

[6] Comentário enviado por valterrezendeeng em 23/03/2010 - 12:53h

Parabens !!! Excelente Artigo.

Gostei principalmente da Explicação do MBR e sua divisão.

Muito didático e pratico.


Parabens.

[7] Comentário enviado por nicolo em 23/03/2010 - 13:08h

Os dados colocados nas áreas mais a borda do disco , onde a velocidade tangencial é maior são lidos mais rapidamente que os dados colocados perto do eixo do giro,
assim as primeiras partições tem leitura mais rápida que as últimas.
A mecânica de inicialização é a partir da trilha zero, MBR que redireciona para a tabela de boot menu \boot.ini no windows e /boot/grub/menu.lst no grub 1.
No grub2 e diferente.

2-Os particionadores de disco escrevem no MBR, portanto seu uso deve ser cuidadoso, devido a alteração da tabela de partições e daí vai tudo pro espaço.

[8] Comentário enviado por jeferson_roseira em 23/03/2010 - 18:34h

Nicolo parabéns pela explicaçao.

Att.


Jeferson Roseira

[9] Comentário enviado por lpabessa em 24/03/2010 - 10:09h

bem luciano.
Imagine a seguinte situação..... Um servidor de e-mail com um hd de 80 GB (apenas uma suposição).

1 motivo = separar o /var. Um servidor de e-mail gera GB's de logs ..... e se este ponto de montagem estiver junto ao seu "/" raiz e voçe nao tiver um controle sobre esses logs, seu hd nao terá mais inodos e espaço .... logo seu sistema ficará em somente leitura. Parando o servidor ....

isso pode se aplicar a desktop's tbm ... normalmente instalações linux duram bastante tempo, e normalmente não se da muita atenção a rotacionamento de logs (ex. syslog) o que pode ocasionar tbm uma parada de sistema.


2 motivo separar /tmp

imagine que vc tenha um gravador "blu-ray" que pode gravar ate 25 GB .... e bom vc ter um espaço especifico para fora do raiz do sistema para gerar os arquivos temporários criados por essa gravação.

3 motivo - o sistema "raiz (/)" separado dos outros pontos de montagem fica mais robusto e resistente a falhas se configurado corretamente .... logo voçe terá um sistema estável e seguro (se configurado corretamente)


[10] Comentário enviado por f_Candido em 24/12/2010 - 16:49h

É... Uma coisa:
446 (SETOR DE BOOT) + 64 (DAS PARTIÇÕES) = 512 BYTES

A conta está errado não? 2 bytes sumiram da conta. Onde eles foram parar....


Abraços

[11] Comentário enviado por s@cerdote em 18/09/2011 - 00:11h

Parabéns Bessa.

Seu artigo é muito bom mesmo!!!

[12] Comentário enviado por ValderramaHard em 02/05/2018 - 15:28h

Pode ser muita ingenuidade minha, mas por que as partições não podem ser menores que 16 bytes, para comportar mais partições primárias? ou então, ao criar só duas partições são duas de 32 bytes ou duas de 16, com espaço sobrando?


Contribuir com comentário




Patrocínio

Site hospedado pelo provedor RedeHost.
Linux banner
Linux banner
Linux banner

Destaques

Artigos

Dicas

Tópicos

Top 10 do mês

Scripts