[13] Comentário enviado por
vfl em 08/11/2006 - 19:10h:
Inicialmente parabéns pelo artigo que sem dúvida tem seus méritos, mas eu tenho pensamento semelhante ao exposto por rychardi.
Segundo a minha vivência (entre outros, leciono Informática básica em cursos técnicos e superiores), a abordagem sugerida no artigo não é a mais adequada para a maioria dos usuários de sistemas Windows que acabam se assustando com o paradigma tão diferente de sistemas livres. Até é interessante como discurso introdutório, mas para obter efeitos práticos, alguma coisa mais concreta precisa ser feita.
Minha orientação (quando perguntado) sobre a escolha de uma distribuição geralmente consiste no seguinte: (considerando o usuário típico de Windows).
- Importância da escolha de uma distribuição amplamente suportada e com uma comunidade bastante ativa, cito geralmente Ubuntu, Fedora, Suse, ...
- Importância da escolha de uma distribuição com perspectiva de ser amplamente adotada ou suportada por empresas, governos, etc (a lista de distribuições geralmente é similar a anterior);
O usuário comum não está muito propenso a aprender e reaprender infinitas vezes a fazer sua tarefa no computador.
- Verificar em seu círculo de amizade, se há usuários de Linux e qual distribuição usam. A chance de conseguir ajuda, se usar uma distribuição similar é muito grande;
- Após estes filtros, testar o que restou no seu computador afim de verificar a compatibilidade de hardware.
A questão seguinte geralmente é relativa ao ambiente gráfico, que normalmente se resume ao Gnome ou Kde para este tipo de usuário.
Neste tópico, oriento que além de considerar a preferência pessoal, seria interessante considerar a tendência para o futuro, o que tem mais chances de ser adotado no ambiente corporativo, onde possivelmente ele irá trabalhar ou está trabalhando.
Particularmente, recomendo tentar inicialmente o Gnome, uma vez que aparentemente ele ganhou a "guerra do desktop Linux" (ver:
http://www.osnews.com/story.php?news_id=14466 ). As principais razões apontadas são:
- este ambiente tem o suporte explícito de pesos pesados como Red Hat, Sun, Novell, IBM, Sony, etc.
- tende a atrair mais desenvolvedores devido à licença LGPL;
- o controle sobre a evolução das bibliotecas (GTK no caso) é feito por uma comunidade, ao contrário das bibliotecas Qt do Kde, cujo domínio pertence a uma única empresa: a Trolltech. Portanto as grandes empresas, ao fazerem investimentos na área, certamente não vão querer se prender a uma única empresa.
- outro fator que pende a balança para o lado do Gnome, em termos de adoção pelas empresas, é sua facilidade maior em relação à ambientes distribuídos (Corba x Kparts).
É uma pena, porque para o usuário Windows, o Kde pareceria mais familiar do que o Gnome (desde que se tire a maioria das tranqueiras geralmente colocadas pelos empacotadores). Mas se bem configurado e com apoio ao usuário, este acaba se encantando com a simplicidade e limpeza do Gnome.
Antes de finalizar, só gostaria de voltar a frisar que esta abordagem por mim defendida, é mais conveniente com o usuário do tipo "average joe", que é a ampla maioria e que nem sabe o que é sistema operacional ou só sabe o que é um editor de texto se a gente mencionar o Word. Acho que nessa hora temos a responsabilidade de tentar orientar o novo usuário Linux de forma a minimizar ao máximo o esforço necessário para o novo aprendizado e de que este possa vir a ser útil inclusive profissionalmente.
VFL